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sábado, 6 de junho de 2026

TRUMP PERDE MAIS UMA NA JUSTIÇA SOBRE PROCESSOS MIGRATÓRIOS


Um juiz federal de Rhode Island derrubou ontem, 5, políticas do governo Donald Trump que impediam imigrantes de 39 países de receber decisões sobre pedidos de asilo, autorização de trabalho, green card e cidadania. A decisão foi tomada pelo juiz John McConnell, que considerou as medidas ilegais e discriminatórias.  As restrições foram adotadas após um ataque cometido por um cidadão afegão contra dois integrantes da Guarda Nacional em Washington, em novembro de 2025. Em resposta, o governo suspendeu a análise de processos migratórios de cidadãos de diversos países da África, Ásia, América Latina e Oriente Médio.  Segundo McConnell, os imigrantes seguiram todas as exigências legais, mas ficaram presos por meses em um “limbo jurídico indeterminado”, sem resposta para seus pedidos. O magistrado afirmou que as suspensões ocorreram apenas em razão do país de origem dos solicitantes. 

A decisão cita declarações da então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, que defendia uma proibição ampla de viagens e imigração para países considerados problemáticos pelo governo.  O juiz também acusou o Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) de usar argumentos de segurança nacional como pretexto para políticas marcadas por sentimento anti-imigração. Segundo ele, a agência violou leis de imigração e normas administrativas ao adotar medidas sem respaldo legal.  A sentença representa uma vitória para organizações de defesa dos imigrantes e sindicatos que acionaram a Justiça em março. Com a decisão, o governo deverá retomar a análise dos processos migratórios afetados pelas restrições. 

 

INVESTIMENTOS DOS ESTADOS UNIDOS NO BRASIL CAI 29 EM 2025


O fluxo de investimentos dos Estados Unidos em empresas brasileiras caiu 29% em 2025, primeiro ano de vigência das tarifas de 50% impostas pelo governo Donald Trump ao Brasil. Segundo o Banco Central, os aportes americanos somaram US$ 8,4 bilhões, contra US$ 11,9 bilhões em 2024. Enquanto os investimentos totais estrangeiros no Brasil cresceram 7,4%, a participação dos EUA recuou de 29% para 19%, o menor nível desde 2018. Economistas atribuem a queda ao tarifaço e à política “America First”, que incentivou empresas a concentrar recursos em território americano. O recuo ocorreu principalmente no setor de serviços, cujos investimentos despencaram 51,2%, para US$ 5 bilhões, menor valor desde 2020. As maiores perdas foram registradas em serviços financeiros e comércio. Em contraste, os investimentos em agropecuária, mineração e indústria avançaram fortemente, impulsionados pelos setores de minerais metálicos, química e farmacêutica. Os aportes cresceram 130,3% na agropecuária e indústria extrativa e 152,3% na indústria.

Especialistas afirmam que o setor de serviços reage mais rapidamente às incertezas econômicas e comerciais. As exportações brasileiras para os EUA também sofreram impacto, com queda de 16,6% no segundo semestre de 2025 e de 16% nos cinco primeiros meses de 2026. Outro fator apontado é a lei americana One Big Beautiful Bill, que ampliou incentivos fiscais para investimentos realizados nos EUA. Apesar disso, áreas estratégicas, como minerais críticos, continuam atraindo capital americano. Economistas avaliam que os próximos anos mostrarão com mais clareza os efeitos da política econômica de Trump sobre os investimentos no Brasil. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 6/6/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Lula sanciona renovação automática da CNH para bons motoristas

Nova legislação altera o Código de Trânsito Brasileiro, mantém exames obrigatórios e já beneficiou cerca de 2 milhões de condutores com renovação simplificada da habilitação

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Caso Henry: MP recorre do perdão judicial à Monique, alegando que juíza reformulou pergunta ao júri; entenda

O promotor defende a tese de que o júri votou favoravelmente ao entendimento de que a omissão se referia ao homicídio doloso, e não ao culposo, o que mudou o resultado

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Estagnação econômica ameaça empregos mais que IA, diz historiador

Aaron Benanav também afirma que tecnologia permite 'desqualificação digital' dos trabalhadores Autor defende que semana de quatro dias pode elevar produtividade e salários

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Mulher é resgatada com vida após passar 

cinco dias dentro de cisterna na Bahia

A mulher foi identificada como Eva Ribeiro e ainda não há informações sobre ela foi parar dentro da cisterna.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Governo prorroga prazo de inscrição do Enem 2026

Prazo se encerrava nesta sexta-feira, provas serão aplicadas em todo o País em 8 e 15 de novembro

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

Troca de ataques entre Irão e EUA agrava tensão: Teerão lança mísseis contra bases americanas no Golfo

Sobre a demora em chegar a um entendimento, Trump disse à NBC: “Há coisas que eles [Irão] nunca pensaram que teriam que fazer, mas que terão que fazer. Eles não têm escolha, e isso leva um tempo”.

Salvador, 6 de junho de 2026



sexta-feira, 5 de junho de 2026

RADAR JUDICIAL


CONCILIADORES NÃO GANHAM SEM AUDIÊNCIA

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) manteve a validade do Decreto nº 281/2025 do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que impede o pagamento de honorários a conciliadores quando as audiências não ocorrem por ausência das partes. A decisão foi unânime e seguiu voto do conselheiro Fabio Esteves, em sessão realizada em maio de 2026. O conciliador autor do recurso alegava que a norma violava a política nacional de conciliação e gerava enriquecimento sem causa do Estado. Segundo ele, mesmo sem a realização da audiência, há trabalho prévio de análise dos processos e permanência à disposição do Judiciário, o que justificaria remuneração. O CNJ, porém, destacou que a questão já havia sido decidida em 2022, reconhecendo que a remuneração dos conciliadores integra a autonomia administrativa e financeira dos tribunais. O Conselho reafirmou ser legítimo vincular o pagamento à efetiva realização da audiência ou à celebração de acordo, inclusive para evitar fraudes. Também rejeitou os argumentos sobre “pauta morta”, suposta obscuridade do edital e existência de fatos novos. Para o relator, o decreto apenas reproduz modelo remuneratório já validado pelo CNJ. A decisão reforça que a atuação dos conciliadores é voluntária e sujeita às regras de remuneração definidas pelo tribunal.


RESISTÊNCIA À LIDERANÇA DE TRUMP

Após aprovar um amplo pacote de cortes de impostos e redução de programas sociais, Donald Trump passou a governar com forte pressão sobre os republicanos, exigindo lealdade e ameaçando adversários políticos. Porém, sua estratégia começou a enfrentar resistência dentro do próprio partido. Na quarta-feira (3), quatro deputados republicanos se uniram aos democratas para exigir que Trump obtenha autorização do Congresso para manter o envolvimento militar dos EUA no conflito com o Irã. Outra derrota ocorreu com a suspensão de um fundo de US$ 1,8 bilhão destinado a compensar aliados que alegam perseguição política. Senadores republicanos como John Cornyn e Bill Cassidy defenderam o encerramento definitivo do fundo por meio de legislação. Também surgiram críticas à indicação de Bill Pulte para a direção interina da inteligência nacional, considerada inadequada por alguns parlamentares. O senador Thom Tillis afirmou estar “cansado de amadorismo” no governo e alertou para os impactos políticos das decisões da Casa Branca. Enquanto assessores de Trump minimizam as divergências, analistas apontam sinais de desgaste de sua influência, especialmente após derrotas de candidatos apoiados por ele nas primárias. Para críticos dentro do partido, Trump ainda mantém força entre os republicanos, mas enfrenta crescente resistência de aliados preocupados com os efeitos eleitorais de suas políticas às vésperas das eleições de meio de mandato.


NOVAS TARIFAS AMERICANAS SEM JUSTIFICATIVA

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que espera uma solução rápida para a disputa tarifária entre Brasil e Estados Unidos e que o tema seja levado em breve ao presidente Donald Trump. Na última semana, Washington anunciou duas tarifas sobre produtos brasileiros, de 25% e 12,5%, que podem elevar a sobretaxa total a 37,5%. As medidas resultam de investigações conduzidas pela Seção 301 da legislação comercial americana. Em Paris, durante reunião da OCDE, Vieira conversou com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, que sinalizou disposição para manter as negociações. O chanceler brasileiro disse que o Brasil também quer avançar em um acordo. Segundo Vieira, o principal argumento do governo é que não há justificativa para as tarifas, já que o Brasil acumula déficit comercial com os EUA de cerca de US$ 450 bilhões em 15 anos. O ministro afirmou que as negociações continuam sem prazo definido para conclusão. Também destacou a importância estratégica do acordo Mercosul-União Europeia e revelou contatos exploratórios para futuras parcerias com Reino Unido e Japão. Sobre um possível encontro entre Lula e Trump no G7, disse que ainda não há agenda confirmada.

MAIS SANÇÕES CONTRA CUBANOS

Os Estados Unidos ampliaram ontem, 4, as sanções contra Cuba, atingindo o presidente Miguel Díaz-Canel, sua esposa e integrantes da família Castro. A medida também alcança quatro pessoas e cinco entidades, incluindo o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias. Entre os sancionados estão Alejandro Castro Espín, filho de Raúl Castro, seu neto Raúl Alejandro Castro e Manuel Anido Cuesta, enteado de Díaz-Canel. O líder cubano já havia sido alvo de sanções em 2025 pela repressão aos protestos de 2021. As novas punições integram a estratégia do governo Donald Trump de aumentar a pressão sobre Havana. Além do embargo vigente desde 1962, Washington adotou sanções econômicas, medidas judiciais e restrições ao setor petrolífero cubano. Em maio, os EUA também indiciaram Raúl Castro por suposto envolvimento no abate de dois aviões de exilados cubanos em 1996, episódio que matou quatro pessoas. Cuba rejeita as acusações e classifica as ações americanas como manobras políticas. A ofensiva ocorre em meio à grave crise econômica da ilha e às negociações entre Washington e Havana, ainda sem avanços concretos. Enquanto os EUA cobram reformas econômicas e políticas, Cuba afirma estar aberta ao diálogo sem abrir mão de sua soberania.

FLÁVIO PERDE COM APROXIMAÇÃO A TRUMP

Para afastar o caso “Dark Horse”, Flávio Bolsonaro buscou aproximação com Donald Trump, conseguindo uma foto no Salão Oval e elogios do presidente americano. Porém, novas mensagens reveladas pelo Intercept Brasil indicam que, após cobranças de Flávio, o banqueiro Daniel Vorcaro priorizou pagamentos ligados ao filme. As explicações do senador sobre o destino dos recursos são apontadas como inconsistentes. O texto também relaciona a polêmica às tensões comerciais entre Brasil e EUA, incluindo críticas americanas ao Pix e a defesa de Eduardo Bolsonaro da adoção do sistema Zelle. Segundo aliados bolsonaristas, a estratégia pode reforçar a percepção de interferência de Trump nas eleições brasileiras. A narrativa relembra ainda a carta enviada por Trump em 2025 contra medidas judiciais envolvendo Jair Bolsonaro. Ao final, destaca os apelidos atribuídos a Flávio Bolsonaro ao longo da carreira política, incluindo o mais recente, “Tariflávio”, popularizado nas redes sociais.

TRUMP IMPÕE SEU NOME EM ÓRGÃOS PÚBLICOS

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou planos para construir uma passarela no Lincoln Memorial, ligando o monumento ao rio Potomac. Batizada informalmente de “Trump Promenade”, a obra retomaria o projeto original de 1911, que previa a entrada principal voltada para o rio. Trump afirmou que a estrutura atravessará duas grandes vias de forma elegante, aproximando o memorial da margem do Potomac. O projeto integra uma série de intervenções urbanas promovidas por sua gestão em Washington. Entre as iniciativas estão a restauração de monumentos, a demolição da Ala Leste da Casa Branca para erguer um salão de festas e a proposta de um grande arco triunfal. Trump também buscou associar seu nome a instituições culturais da capital. Alguns projetos, porém, enfrentam controvérsias. A Justiça determinou recentemente a retirada do nome de Trump do John F. Kennedy Center for the Performing Arts. Já a reforma da piscina refletora do Lincoln Memorial foi alvo de críticas por custos e licitação. O salão de festas da Casa Branca, estimado em US$ 400 milhões, deverá ser financiado por doadores privados e pelo próprio presidente, após republicanos abandonarem proposta de recursos públicos para medidas de segurança do projeto.

Salvador, 5 de junho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso 
Pessoa Cardoso Advogados.

SOCIALISMO E COMUNISMO RECEBEM APOIO DE AMERICANOS COM MENOS DE 30 ANOS

EUA AMPLIA PRESSÃO SOBRE CUBA


Primeiro, os Estados Unidos ampliaram a pressão sobre Cuba com bloqueios energéticos, restrições a petroleiros e exigências para que empresas estrangeiras rompam relações com o conglomerado militar Gaesa. Agora, o governo de Donald Trump anunciou sanções contra líderes e entidades ligadas ao regime cubano. 
Foram atingidos o presidente Miguel Díaz-Canel, sua esposa Lis Cuesta Peraza, o filho dela Manuel Anido Cuesta e integrantes da família Castro, incluindo Alejandro Castro Espín e Raúl Alejandro Castro. Também sofreram sanções cinco instituições cubanas, entre elas o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias e os Comitês para a Defesa da Revolução. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Cuba continua sendo um centro de apoio a movimentos de esquerda radical e advertiu que pessoas ou empresas que mantenham relações com os sancionados poderão enfrentar punições. Segundo ele, Washington não aceitará regimes marxistas que ameacem a segurança americana. Além das medidas econômicas, Trump anunciou em maio o indiciamento de Raúl Castro por suposto envolvimento na derrubada de dois aviões civis em 1996.

Especialistas avaliam que as sanções fazem parte da estratégia de “máxima pressão” contra Havana. As medidas restringem viagens, congelam ativos sob jurisdição americana e dificultam o acesso ao sistema financeiro dos EUA. Embora tenham forte valor simbólico, podem ampliar o isolamento econômico cubano e dificultar negócios com outros países. Analistas destacam que as sanções ao conglomerado Gaesa têm impacto ainda maior, afastando investidores estrangeiros e afetando empresas internacionais que operam no setor turístico da ilha.


PROTESTOS PARALISAM A BOLÍVIA


Os protestos que paralisam a Bolívia há cerca de um mês já provocaram dez mortes, derrubaram três ministros e colocaram o presidente Rodrigo Paz sob forte pressão. As manifestações começaram com reivindicações econômicas, mas evoluíram para um movimento que exige sua renúncia. Paz assumiu o governo em meio a uma grave crise econômica, marcada por escassez de combustíveis e dólares, recessão e inflação elevada. Primeiro presidente de direita após duas décadas de governos de esquerda, ele adotou medidas de austeridade, como o corte de subsídios aos combustíveis. A crise reflete antigas divisões do país, incluindo tensões étnicas entre setores indígenas e elites urbanas, além da polarização política entre a esquerda de La Paz e grupos conservadores de Santa Cruz. Parte da população acusa Paz de abandonar promessas feitas a setores populares que ajudaram em sua eleição. Os protestos reúnem sindicatos, professores, mineiros, organizações indígenas e movimentos sociais. Seu principal método é o bloqueio de estradas, que passou de 12 para mais de 90 pontos em sete dos nove departamentos bolivianos.

A paralisação tem provocado falta de alimentos, combustíveis, medicamentos e dificuldades no atendimento médico. Segundo o governo, sete pessoas morreram por não conseguirem acesso a cuidados de saúde. As perdas econômicas já somam bilhões de dólares, afetando empresas e pequenos negócios. A educação também foi prejudicada, com grande parte dos alunos de La Paz e El Alto tendo aulas remotas. Pressionado pelas ruas e pelo Congresso, Paz promoveu uma reforma ministerial e substituiu os ministros da Educação, Defesa e Trabalho. Embora tente abrir negociações, todas as tentativas de diálogo fracassaram até agora. Enquanto os manifestantes mantêm a exigência de renúncia do presidente, o governo insiste em buscar uma saída negociada para encerrar a crise. 

SAIU NO THE NEW YORK TIMES

Thomas L. Friedman

Editorialista de política internacional do New York Times desde 1995, foi ganhador do prêmio Pulitzer em três oportunidades

SALVAR ARTIGOS

Thomas L. Friedman
Descrição de chapéuTHE NEW YORK TIMES

Doutrina Trump é tarifar opositores e extorquir quem depende dos EUA

  • Perversão da Presidência mina estrutura de alianças que gerou uma das mais longas eras de paz e prosperidade
  • Tolerar tal comportamento coloca futuro em risco

 

THE NEW YORK TIMES

A cada mês que passa de sua Presidência, Donald Trump se comporta mais como um comandante-ladrão da América do que como seu comandante-em-chefe.

Como assim? Deixe-me enumerar as razões. Somos uma nação em guerra hoje, com dezenas de milhares de soldados destacados perto do Irã. Geralmente, quando nossa nação está em guerra, a principal prioridade doméstica do comandante-em-chefe é manter o país unido.

Porque não há nada mais desmoralizante para as tropas americanas lutando no exterior do que olhar para trás e ver nosso país se despedaçando internamente. E não há nada que encoraje mais um inimigo a esperar melhores condições para encerrar uma guerra com a América do que ver a América em guerra consigo mesma.

E como Trump correspondeu a esse dever unificador de comandante-em-chefe? Ele não moveu um dedo para trazer os democratas para apoiar a guerra.

O presidente dos EUA, Donald Trump, presta continência durante cerimônia no gramado sul da Casa Branca -  Chris Jackson - 28.abr.26/via Reuters

Em vez disso, priorizou agir como um comandante-ladrão. No mesmo momento em que Trump pede aos nossos homens e mulheres de uniforme que façam o sacrifício supremo, ele se envolveu em uma tentativa descarada e escancarada de assalto ao Tesouro dos Estados Unidos para beneficiar a si mesmo, sua família e seus aliados políticos, o que poderia incluir aqueles que atacaram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

É tão ultrajante que até alguns de seus bajuladores mais confiáveis do Partido Republicano não conseguiram aceitar.

Trump conspirou com seu próprio Departamento de Justiça, chefiado por seu ex-advogado pessoal, para usar dinheiro dos contribuintes para criar um fundo de US$ 1,776 bilhão, supostamente para compensar aqueles apoiadores de Trump que "sofreram instrumentalização política e perseguição judicial" nas mãos de seu antecessor.

Na verdade, como observou o conselho editorial do The New York Times, isso "recompensaria aliados [de Trump] dispostos a desafiar a lei e cometer violência em nome do presidente".

Felizmente, um juiz federal suspendeu temporariamente o esquema que ninguém descreveu melhor do que o ex-líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell: "Então o principal funcionário de aplicação da lei do país está pedindo um fundo paralelo para pagar pessoas que agridem policiais?Totalmente estúpido, moralmente errado —escolha o que preferir."

Diante de toda essa oposição, Trump sinalizou disposição para recuar de seu plano terrível, mas só acreditarei quando vir essa manobra escandalosamente corrupta e interesseira morta e enterrada. [O governo Trump confirmou nesta terça-feira (2) a suspensão do fundo].

Se Trump tivesse um pingo de integridade, em vez de tramar para reservar US$ 1,776 bilhão para potencialmente pagar esses falsos defensores da fronteira da liberdade —aliados que depredaram os corredores do Congresso— ele direcionaria o Congresso a gastar exatamente essa quantia para apoiar os verdadeiros defensores da fronteira da liberdade de hoje: o Exército ucraniano.

Os soldados estão tanto resistindo à tentativa de Vladimir Putin de esmagar a democracia da Ucrânia quanto minando a capacidade da Rússia de ameaçar os outros países livres da Europa. Deus abençoe os combatentes da Ucrânia.

Infelizmente, porém, Trump aparentemente quer dinheiro apenas para pessoas que tentaram derrubar nossa Constituição, não para aqueles que querem emular nossa democracia constitucional no exterior.

Além disso, o Departamento de Justiça dirigido por Trump inseriu discretamente, como suplemento àquele acordo do fundo paralelo, um documento de uma página assinado pelo secretário interino de Justiça, Todd Blanche, declarando que o governo estaria "para sempre impedido e proibido de processar ou perseguir" reivindicações fiscais pendentes contra Trump, seus familiares ou seus negócios. Ainda não está claro o que acontecerá com essa medida. [Também nesta terça, Blanche confirmou que essa proibição está mantida].

Assim como os americanos estão começando a perceber que Trump está se tornando um predador em nosso sistema —tentando manipular o sistema de justiça para gerar dinheiro disponível para seus piratas do 6 de Janeiro e imunidade de investigações em andamento sobre impostos para si mesmo e sua família— nossos aliados estão concluindo que a América de Trump está se tornando um predador perigoso.

De fato, algo está acontecendo com os aliados tradicionais da América que eu nunca pensei que veria nesta vida ou na próxima. Na era pós-Segunda Guerra Mundial, nós e nossos aliados juntos abraçamos a doutrina de dissuasão contra a União Soviética, e depois a Rússia, para prevenir qualquer tentativa do Kremlin de expandir forçosamente sua influência no mundo livre ou colocar vizinhos sob seu domínio.

Não mais.

Nossos aliados viram Trump ameaçar fazer do Canadá o 51º estado e tomar a Groenlândia da Dinamarca. Eles o viram iniciar uma guerra com o Irã sem consultar a Otan e depois exigir que a Otan ajudasse a nos resgatar do que se transformou em uma bagunça. Eles o viram cortar a assistência financeira dos EUA à Ucrânia, colocar o agressor russo no mesmo patamar moral daquele país e depois coroar tudo isso com tarifas imprudentes e mal concebidas sobre todos os nossos aliados.

Como resultado de tudo isso, algo sem precedentes está acontecendo: "Dissuadir a América de Trump está agora se tornando uma prioridade estratégica de nossos aliados tanto quanto dissuadir a Rússia era", disse-me Nader Mousavizadeh, diretor-executivo da Macro Advisory Partners, uma empresa de consultoria geopolítica, e ex-assessor sênior do secretário-geral da ONU Kofi Annan.

E como poderia ser diferente? Quando você olha como Trump martelou o Canadá com tarifas, é difícil não concluir que a pior posição para um país estar durante o segundo governo Trump "é ser o aliado mais próximo da América e ter integrado sua economia, sistemas de energia e militar com os dos EUA", disse Mousavizadeh.

Todos podem ver agora, acrescentou ele, que Trump vai "instrumentalizar a dependência de qualquer país em relação à América e usá-la para extrair o que puder na definição mais estreita, tática e transacional do poder americano".

Não é de admirar que, depois que Trump intensificou sua retórica sobre tomar a Groenlândia, membros europeus da Otan Alemanha, Suécia, França, Noruega, Holanda, Finlândia e Reino Unido— todos anunciaram planos de enviar pequenos contingentes militares à Groenlândia para apoiar os dinamarqueses.

Daniel Fried, ex-embaixador dos EUA na Polônia, observou em um ensaio para o Atlantic Council que, embora esses aliados da Otan tenham tentado enquadrar sua ação como necessária para reforçar a segurança do Ártico, eles também usaram a palavra "dissuasão". "Para os europeus falarem nesses termos sobre os EUA, mesmo implicitamente, é um ponto baixo, mas é necessário."

Não esqueçamos que, logo no início, Trump forçou a Ucrânia a dar aos EUA acesso a minerais críticos em troca de ajuda americana contra um exército russo tentando invadi-la. Esta é a verdadeira "Doutrina Trump": Oponha-se à América, e eu vou tarifá-lo; dependa da América, e eu vou extorqui-lo.

Em resumo, ter um presidente que se comporta como um comandante-ladrão —não um comandante-em-chefe— está nos custando caro interna e externamente. Essa perversão da Presidência americana está minando a própria estrutura de alianças que venceu duas guerras mundiais e a Guerra Fria e gerou uma das mais longas eras de paz e prosperidade da história. Cada dia que toleramos tal comportamento colocamos em risco o futuro de nossos filhos.