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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A EVOLUÇÃO HUMANA ACONTECE MAS LENTAMENTE


A evolução humana continua acontecendo, embora de forma muito lenta e imperceptível ao longo de uma única vida. Especialistas afirmam que genes continuam se tornando mais comuns em determinadas populações. Mudanças recentes, como a capacidade de digerir leite na idade adulta, surgiram após a criação de animais produtores de leite, favorecendo a sobrevivência em épocas de escassez. O ambiente também influenciou adaptações, como diferentes tons de pele, que ajudaram na produção de vitamina D em regiões com menos luz solar. Hoje, a globalização e a migração aumentam a mistura entre populações, podendo reduzir diferenças biológicas, embora fatores como a escolha de parceiros semelhantes ainda influenciem a frequência de certos genes. Alterações corporais obtidas por exercícios ou cirurgias estéticas não são herdadas pelos filhos, pois não modificam o DNA.

Já a tecnologia de edição genética Crispr permite corrigir alguns genes ligados a doenças e, no futuro, poderá alterar características hereditárias. Apesar do potencial, especialistas alertam para riscos, limitações e questões éticas, como a criação de "bebês sob encomenda". No longo prazo, cientistas acreditam que a evolução poderá ficar cada vez mais sob controle humano. Em um futuro de milhões de anos, mudanças ambientais ou a colonização de outros planetas poderão até levar ao surgimento de uma nova espécie humana. 

UNIÃO EUROPEIA REFORÇA REGULAMENTAÇÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL


A União Europeia reforçou, a partir de ontem, 2, a regulamentação da inteligência artificial com novas regras do AI Act, considerada uma das legislações mais avançadas do mundo sobre IA. A norma proíbe o uso da IA para manipular pessoas ou explorar vulnerabilidades ligadas à idade ou deficiência, além de impor limites ao uso de dados biométricos e reconhecimento facial. As empresas deverão avaliar e reduzir riscos de seus modelos e cumprir novas exigências de transparência. Conteúdos gerados por IA deverão ser identificados, e deepfakes terão de exibir avisos ou selos específicos. Os modelos já em operação terão prazo até 2 de dezembro para se adaptar. O Escritório de IA da Comissão Europeia poderá inspecionar grandes modelos, exigir acesso aos sistemas, determinar correções e até restringir o lançamento de novas tecnologias. Reguladores nacionais fiscalizarão os modelos menores.

Empresas que descumprirem a lei estarão sujeitas a multas de até 7% do faturamento anual global ou 35 milhões de euros, prevalecendo o maior valor. Outras infrações poderão resultar em multas de até 3% do faturamento ou 15 milhões de eurosA regulamentação continuará sendo ampliada. Em dezembro, será proibida a geração de imagens de nudez sem consentimento por IA. Regras para sistemas de alto risco, usados em áreas como saúde e segurança, entrarão em vigor entre 2027 e 2028, após adiamento para permitir adaptação das empresas.

 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 3/9/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Soja avança e desafia produção de alimentos na Amazônia Legal

Estudo do Instituto Escolhas, obtido com exclusividade pelo Correio, mostra que a expansão de 71% da oleaginosa nas regiões metropolitanas reduziu o espaço de culturas como mandioca, arroz e banana e acende alerta para a segurança alimentar

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Governo avalia mais R$ 750 milhões para evitar paralisação de programa de reforma de casas às vésperas das eleições

Ministério das Cidades afirma que fundo usado para garantia de empréstimos não terá recursos para novos financiamentos

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Dívida pública em alta vai exigir negociação de medidas logo após as eleições

Economistas defendem plano para contas públicas já nos primeiros meses do próximo governo Instituto projeta que endividamento pode ultrapassar 100% do PIB em 2032

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Metrô terá vagões preferenciais para mulheres a partir de amanhã (03)

Operação será realizada até 28 de agosto nos horários de pico e integra as ações da campanha Agosto Lilás

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Convenções definem a maioria dos candidatos ao governo do Estado e à Presidência da República

Cenário eleitoral da disputa majoritária no Rio Grande do Sul e no Brasil está praticamente definido

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Preços da habitação sobem 8% em julho e alcançam novo máximo histórico

O preço mediano de venda fixou-se nos 3.210 euros por metro quadrado, um novo recorde pelo nono mês consecutivo, realça o idealista.

domingo, 2 de agosto de 2026

RADAR JUDICIAL


MAIS DE 3 BILHÕES DE MOEDAS DE 1 CENTAVO EM CIRCULAÇÃO

Mais de 3,19 bilhões de moedas de 1 centavo, equivalentes a quase R$ 32 milhões, continuam em circulação, embora praticamente não sejam usadas. A produção foi suspensa pelo Banco Central em 2005, devido ao alto custo de fabricação e ao grande estoque já existente. Na época, cada moeda custava mais de 8 centavos para ser produzida. Grande parte das moedas ficou guardada em casas, fenômeno chamado de entesouramentoA inflação e a popularização de meios eletrônicos, como o Pix, reduziram ainda mais seu uso. Apesar disso, o BC não pretende interromper a emissão das moedas de 5 e 10 centavosNo mercado de colecionadores, porém, algumas moedas de 1 centavo podem valer muito mais. Exemplares comuns custam cerca de R$ 1, enquanto moedas sem circulação chegam a R$ 10Peças raras, com erros de cunhagem, podem alcançar R$ 100 ou mais. Um dos defeitos mais valorizados é o chamado “boné”, causado por cunhagem descentralizada. Esses exemplares despertam interesse entre numismatas. Assim, uma moeda de 1 centavo pode valer dezenas de vezes seu valor nominal.


ESTACIONAMENTO EXCLUSIVO É INCONSTITUCIONAL 

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) declarou inconstitucional a lei de Itabirito que reservava vagas exclusivas em estacionamentos de cemitérios e hospitais privados para sacerdotes e pastores. A decisão unânime atendeu a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pela prefeitura. O Executivo alegou que o município invadiu competência exclusiva da União ao legislar sobre Direito Civil. A Procuradoria-Geral de Justiça apoiou o pedido, e a norma já estava suspensa por liminar. A relatora, desembargadora Teresa Cristina da Cunha Peixoto, afirmou que a lei afrontava a Constituição Federal. Segundo ela, o município não pode criar regras para estacionamentos privados. A magistrada também destacou que o Estado brasileiro é laico e deve manter neutralidade religiosa. Ela apontou que a norma beneficiava apenas líderes católicos e protestantes. Outras religiões e pessoas sem religião ficaram excluídas da previsão legal. A relatora afirmou que não havia justificativa técnica para o privilégio concedido. Também observou que outros profissionais essenciais não receberam o mesmo tratamento. Com a decisão do TJMG, a Lei nº 4.265/2025 foi retirada do ordenamento jurídico de Itabirito.


ESTUDO REVELA INFLUÊNCIA DE ARTIGOS

Um estudo publicado na Science Advances revelou que o processo de seleção de artigos para publicação nas revistas Science e Science Advances é influenciado por vieses ligados ao prestígio institucional, à localização geográfica e, em menor grau, ao gênero dos pesquisadores. A análise avaliou mais de 110 mil manuscritos submetidos entre 2015 e 2020. Os dados mostram que cientistas de universidades renomadas, da América do Norte e equipes maiores têm mais chances de publicação, independentemente da qualidade do estudo. Apenas 17,4% dos artigos enviados à Science e 25,8% à Science Advances chegaram à revisão por pares, indicando que a principal filtragem ocorre na etapa editorial. Pesquisadores de instituições prestigiadas tiveram taxa de aceitação de 11,6%, contra 3,4% dos demais. Equipes com dez ou mais autores alcançaram 9,9% de sucesso, frente a 3,3% das menores. Grupos liderados por cientistas dos EUA e Canadá também apresentaram desempenho superior ao de pesquisadores chineses. A diferença entre homens e mulheres foi menor, mas ainda existente. O estudo conclui que os vieses se concentram na triagem editorial, enquanto a revisão por pares tende a avaliar mais o mérito científico, reforçando a importância desse sistema para a qualidade da pesquisa.

PESQUISADOR DA USP É CONDENADO

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou um pesquisador da USP a 12 anos de prisão, em regime fechado, por estupro de vulnerável que resultou na morte de uma estudante universitária. A decisão da 14ª Câmara de Direito Criminal reformou, por unanimidade, a absolvição em primeira instância. Segundo o processo, a vítima perdeu a consciência após ingerir uma bebida na casa do acusado e acordou sem as roupas íntimas. Dias depois, apresentou infecção grave, evoluiu para septicemia e morreu. A relatora, desembargadora Fátima Gomes, afirmou que provas técnicas e relatos feitos pela estudante antes de morrer comprovaram o crime. A magistrada também rejeitou a tese de consentimento, destacando que a vítima estava incapacitada de resistir. Em nota, a USP lamentou o caso, informou que não recebeu denúncia à época e afirmou que o condenado não possui mais vínculo com a universidade.

MORO É CANDIDATO A GOVERNADOR

O PL oficializou ontem, 1º, a candidatura do senador Sergio Moro ao governo do Paraná, em convenção realizada em Curitiba. O evento também confirmou Edson Vasconcelos como candidato a vice-governador e as candidaturas de Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado. Durante o discurso, Moro destacou sua atuação como juiz da Operação Lava-Jato e afirmou que liderou a maior ação de combate à corrupção do país. A coligação reúne PL, Podemos, Democracia Cristã e Novo. Ex-juiz federal e atual senador, Moro também foi ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro entre 2019 e 2020. O texto lembra que o STF reconheceu sua suspeição no processo do triplex do Guarujá, anulando as decisões relacionadas ao caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As convenções partidárias seguem até 5 de agosto, com registro das candidaturas no TSE até 15 de agosto. A campanha eleitoral começa no dia seguinte. 

Salvador, 2 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

ILHA QUE PODE TORNAR-SE RESORT DE LUXO


Ivanka Trump afirmou ter descoberto a Ilha de Sazan, na Albânia, ao nadar até ela e caminhar descalça, relato recebido com ceticismo.  
A ilha, cobiçada por Ivanka e Jared Kushner para um resort de luxo, é coberta por arbustos espinhosos, minas terrestres, pedras e cobras venenosas. Apesar das dificuldades, Sazan encanta pelas águas cristalinas do Mar Adriático, vegetação exuberante e tranquilidade. Hoje desabitada, abriga apenas um pequeno destacamento militar albanês. Antiga base militar italiana, soviética e albanesa, não possui água potável nem energia elétrica e conserva equipamentos abandonados e áreas minadas. O governo da Albânia afirma que a ilha não está à venda, embora admita uma possível parceria com investidores privados.  O projeto despertou teorias conspiratórias nas redes sociais, envolvendo desde uma "nova ilha de Epstein" até bunkers para bilionários. Na Guerra Fria, a CIA suspeitou da existência de uma base soviética em Sazan, hipótese depois descartada. Levantamento ambiental revelou rica biodiversidade, mas também toneladas de sucata, amianto, resíduos tóxicos e munições não detonadas.

Especialistas defendem turismo ecológico limitado e alertam que grandes empreendimentos ameaçam o ecossistema da ilha.  A empresa ligada a Kushner planeja um hotel, cassino e campo de golfe, concentrados principalmente no continente. O projeto ainda está em fase preliminar, sem definição final. Enquanto alguns apoiam o investimento como oportunidade econômica, manifestantes criticam o governo por favorecer empresários influentes. A ilha conserva marcas do regime comunista, como bunkers, túneis e antigas instalações militares. Hoje aberta ao turismo, Sazan continua símbolo da história, da soberania albanesa e de um delicado equilíbrio entre preservação ambiental e desenvolvimento. 

 

IMIGRANTES EM CEUTA RETORNAM AO MARROCOS


A entrada de milhares de imigrantes em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, desencadeou uma crise entre Espanha, Marrocos e União Europeia. A UE convocou reunião de emergência para terça-feira (4), enquanto o número de mortos na travessia chegou a 67. Ontem, 1º, o fluxo se inverteu: centenas de migrantes retornaram ao Marrocos. Segundo o governo espanhol, cerca de 48 mil pessoas voltaram voluntariamente após encontrarem Ceuta sem abrigo, comércio ou perspectiva de asilo. Com apenas 80 mil habitantes, a cidade recebeu mais de 50 mil imigrantes em poucos dias. Muitos partiram de Fnideq, no Marrocos, escalando a cerca da fronteira ou enfrentando 5 km de mar a nado ou em botes precários. Embora o Marrocos não esteja em guerra, o desemprego entre jovens se aproxima de 40%, tornando Ceuta uma porta de entrada para a Europa. A Espanha instalou boias de contenção para dificultar novas travessias, medida considerada tardia por agentes de segurança.

Madri atribui a onda migratória à ação de traficantes que espalharam rumores nas redes sociais e há relatos de redução da fiscalização marroquina. Em 2021, situação semelhante levou 10 mil pessoas a cruzarem a fronteira em apenas dois dias. A crise reacendeu disputas políticas na Europa. O governo italiano propôs suspender temporariamente a Espanha do espaço Schengen, proposta criticada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez. Especialistas apontam uma combinação de fatores: decisão da Justiça espanhola contra devoluções automáticas de migrantes, disputas eleitorais em países europeus e tensões diplomáticas entre Espanha e Marrocos sobre o Saara Ocidental. Segundo analistas, Rabat utiliza a pressão migratória como instrumento de negociação com a União Europeia. 

GUERRA DO PARAGUAI APRESENTA INCONSISTÊNCIAS HISTÓRICAS


A Guerra do Paraguai voltou ao centro de uma crise diplomática entre Brasil e Paraguai após o presidente Lula afirmar que "um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil". A declaração, feita em evento no interior de São Paulo, gerou reação do governo paraguaio, que convocou o embaixador brasileiro em Assunção para prestar esclarecimentos. O Congresso do Paraguai também aprovou manifestações de repúdio. O episódio reacendeu um debate histórico sobre as origens do maior conflito da América Latina, travado entre 1864 e 1870. A guerra colocou o Paraguai contra a Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai, e devastou o país, reduzindo sua população de cerca de 400 mil para menos de 190 mil habitantes. Segundo o historiador Francisco Doratioto, cerca de 90% dos homens paraguaios morreram. Doratioto afirma que, durante décadas, predominou no Brasil uma interpretação segundo a qual a Inglaterra teria financiado e incentivado a guerra para destruir um Paraguai supostamente industrializado e independente. Essa versão ganhou força durante a ditadura militar, especialmente após o livro Genocídio Americano, de Júlio José Chiavenato. Pesquisas mais recentes, porém, contestam essa narrativa. Com base em documentos paraguaios, brasileiros, argentinos, uruguaios e ingleses, historiadores como Doratioto, Ricardo Salles e Moniz Bandeira concluíram que não há provas de envolvimento direto do governo britânico no conflito.

Segundo Doratioto, o Paraguai era um país predominantemente agrícola, com industrialização limitada e modernização voltada principalmente para fins militares. O conflito teria sido motivado por disputas regionais, interesses geopolíticos e pela busca paraguaia de acesso ao mar. O historiador também reconhece que houve atrocidades cometidas durante a guerra, mas afirma que algumas acusações difundidas contra o Duque de Caxias carecem de sustentação documental ou apresentam inconsistências históricas. Para ele, muitas interpretações surgidas na ditadura tinham forte conteúdo ideológico e buscavam desmoralizar os símbolos do regime militar. Mais de 160 anos após o fim da guerra, suas causas e consequências continuam sendo objeto de controvérsia histórica e sensibilidade política, especialmente nas relações entre Brasil e Paraguai. 

VÍCIO EM APOSTAS ESPORTIVAS AFETA AMBIENTE DE TRABALHO


O vício em apostas esportivas já afeta o ambiente de trabalho e preocupa empresas de diferentes setores. Empresários relatam funcionários que desaparecem após receber o salário, acumulam dívidas, pedem adiantamentos e apresentam queda de produtividade. Segundo entidades patronais e sindicais, o problema também provoca crises familiares, ansiedade, depressão e dificuldades financeiras. Sem preparo para lidar com a situação, empregadores têm buscado orientação para acolher trabalhadores e encaminhá-los ao tratamento. O SUS oferece teleatendimento especializado, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do aplicativo Meu SUS Digital. Grandes empresas, como Ypê, Gerdau e Whirlpool, passaram a promover campanhas educativas sobre os riscos das apostas, com palestras, orientação financeira e programas de apoio psicológico. Em 2025, primeiro ano do mercado regulado de apostas, os afastamentos por ludopatia cresceram 59,8%, passando de 425 para 679 casos, segundo o INSS. Embora o número ainda seja pequeno, especialistas alertam que o transtorno costuma estar associado à depressão, ansiedade e dependência de álcool e drogas, fatores que aumentam faltas e afastamentos.

A Organização Mundial da Saúde define a ludopatia como um transtorno em que o jogo passa a dominar a vida da pessoa, comprometendo relações familiares e profissionais. No trabalho, isso pode causar desatenção, erros e acidentes. A Femaco relata casos de trabalhadores que perderam salários, recorreram a empréstimos ilegais e chegaram ao suicídio. A Abrasel elaborou uma cartilha para orientar empresários sobre acolhimento e prevenção de conflitos trabalhistas. O Tribunal Superior do Trabalho analisa se a ludopatia deve receber tratamento jurídico semelhante ao da dependência química em casos de demissão. Especialistas recomendam que empresas priorizem o encaminhamento para avaliação médica e tratamento, em vez de punições imediatas.

 

DÍVIDA PÚBLICA ATINGE 81,9% DO PIB


A poucos meses do fim do terceiro mandato do presidente Lula (PT), confirmou-se o pior cenário para a dívida pública brasileira. Em junho, a dívida bruta atingiu 81,9% do PIB, maior nível desde a pandemia, segundo o Banco Central. O percentual já havia sido projetado, há dois anos, por técnicos do Tesouro Nacional para 2026, em documentos enviados ao Congresso junto à proposta do Orçamento de 2025. A previsão indicava uma trajetória explosiva da dívida, mas foi considerada alarmista por integrantes do governo. Os números atuais mostram que a projeção era até conservadora, pois previa cumprimento das metas fiscais, o que não ocorreu. Na época, Executivo e Legislativo poderiam ter adotado medidas para conter o avanço das despesas obrigatórias, mas preferiram priorizar interesses políticos. O pacote de contenção de gastos foi reduzido pelo governo e ainda mais desidratado no Congresso, inclusive com apoio da oposição. Além disso, a economia obtida acabou abrindo espaço para novas despesas. A falta de ações elevou a desconfiança do mercado e contribuiu para juros de longo prazo entre 7% e 8% ao ano, prejudicando empresas, investimentos e a economia.

O crescimento da dívida também coloca em xeque o arcabouço fiscal. Integrantes da equipe econômica defendem reforços nas regras, mas enfrentam resistência dentro do próprio governo. Em 2023, o então secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmava que o governo evitaria que a dívida superasse 80% do PIB. O patamar foi ultrapassado, reacendendo o debate sobre a sustentabilidade das contas públicas. Embora o tema dificilmente decida a eleição, especialistas defendem que os candidatos apresentem propostas claras para controlar a dívida e garantir o equilíbrio fiscal do país. 

CONTRABANDO DO PARAGUAI GERA LUCROS SUPERIORES A 500%


O contrabando de mercadorias do Paraguai para o Brasil gera lucros superiores a 500%, tornando-se uma das principais fontes de renda do crime organizado na fronteira de Foz do Iguaçu (PR). Segundo estudo do Idesf, a atividade movimenta cerca de R$ 60 bilhões por ano e é dominada por facções como PCC e Comando Vermelho. A margem média de lucro chega a 507%, impulsionada pela sonegação de impostos e pelo baixo índice de fiscalização. Apenas entre 5% e 10% das cargas ilegais são apreendidas, enquanto a fiscalização cobre menos de 2% do fluxo na Ponte da Amizade. O cigarro paraguaio lidera a lucratividade, seguido por medicamentos e smartphones. Também são comuns perfumes, agrotóxicos, brinquedos, eletrônicos, pneus e cigarros eletrônicos. 

O esquema envolve transporte, motoristas, laranjas, lavagem de dinheiro e até custos com perdas em operações policiais. Em junho, Receita Federal e Polícia Federal deflagraram a Operação Sicarius contra uma quadrilha que movimentou R$ 375 milhões com contrabando de cigarros e agrotóxicos. Entre janeiro e abril, a PRF apreendeu 6,3 milhões de maços de cigarros no Paraná, quase metade do total nacional. Mercadorias apreendidas são encaminhadas à Receita Federal e podem ser doadas, leiloadas, incorporadas ao patrimônio público ou destruídas, conforme sua natureza e condições de uso.

 

FEDERAL RESERVE (FED) PODE AUMENTAR JUROS


Um dirigente do Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, alertou que a recente venda de títulos do Tesouro americano mostra a necessidade de reforçar a credibilidade da instituição no combate à inflação, inclusive com novos aumentos dos juros. Alberto Musalem, presidente do Fed de St. Louis, afirmou ao Financial Times que os mercados enviaram um recado claro e que o banco central deve responder com comunicação eficiente e ações quando necessário. Os rendimentos dos títulos de 30 anos atingiram 5,28%, maior nível desde 2007, refletindo preocupações com a inflação agravada pela guerra entre EUA e Irã. Apesar disso, o Fed manteve os juros entre 3,5% e 3,75% pela quinta reunião consecutiva, mesmo com a inflação acima da meta de 2%. Musalem disse que preferia uma alta de 0,25 ponto percentual e defendeu uma reação antecipada para evitar medidas mais drásticas no futuro.

Outros dirigentes regionais do Fed também apoiaram um aumento dos juros e alertaram que adiar decisões pode exigir ajustes maiores adiante. O mercado espera uma elevação de 0,25 ponto em setembro. Embora a inflação medida pelo índice PCE tenha recuado de 4,1% para 3,7%, a alta do petróleo, das tarifas de importação, dos investimentos em IA e do consumo continua pressionando os preços. Musalem rejeitou a ideia de que o Fed esteja deixando os mercados conduzirem a política monetária e ressaltou que a responsabilidade pela estabilidade de preços é exclusiva do banco central. Ele também defendeu maior clareza na comunicação das decisões para que empresas, famílias e investidores compreendam a estratégia adotada pelo Fed. 

TRUMP QUER CONTINUAR NO GOVERNO EM 2028


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a sugerir a possibilidade de disputar um terceiro mandato, apesar de a Constituição americana proibir que uma pessoa seja eleita presidente mais de duas vezes. Ontem, 1º, ele publicou na Truth Social uma imagem gerada por inteligência artificial com a frase "Trump 2028 – Make America Great Again", reforçando especulações sobre sua permanência no poder. Trump, que governou entre 2017 e 2021 e foi reeleito em 2024, já havia usado um boné com o slogan "Trump 2028" e, em eventos recentes, afirmou em tom de brincadeira que "a terceira vez será ainda melhor". A Trump Organization também vende bonés com esse slogan.

O republicano disse que ainda não decidiu se tentará convencer a Suprema Corte a declarar inconstitucional a 22ª Emenda, que limita os mandatos presidenciais. Outra hipótese levantada por aliados seria concorrer como vice-presidente e assumir o cargo após uma renúncia do titular, mas Trump descartou essa possibilidade por considerá-la "ridícula". Especialistas afirmam, porém, que a 12ª Emenda também impediria essa manobra. Já uma mudança na Constituição é considerada improvável, pois exige aprovação de três quartos dos estados, número que os republicanos não possuem. Ao deixar a Presidência em 2029, Trump terá 82 anos e sete meses, tornando-se o presidente mais velho da história dos EUA.