Pesquisar este blog

domingo, 7 de agosto de 2022

COLUNA DA SEMANA

As Igrejas Evangélicas, mais cedo ou mais tarde, sentirão o peso de seus atropelos na caminhada de difusão de seus princípios religiosos. A mistura da fé com política, transformando a religião em empresa, mais do que de pastores, é vergonhosa, e só contribui para diminuir a respeitabilidade do credo; a situação torna-se mais grave, quando os "donos" das igrejas inserem como fundamental a obrigatoriedade de contribuições, por vezes, impróprias para o fiel; os aportes prestam-se mais para enriquecer os proprietários das "empresas" do que mesmo para reverter em benefício dos fieis. A participação efetiva e ativamente na política partidária, visando sempre maiores vantagens pessoais no grupo político ao qual se filiou, foi ampliada bastante no governo desembestado do presidente Jair Bolsonaro. E o Congresso Nacional facilita a vida desses "empresários", verdadeiros enganadores do povo, quando vota, aprova e promulga uma PEC que isenta de pagamento de IPTU às igrejas que usam imóveis alugados como templos religiosos para realização dos cultos. A proposta partiu do ex-senador Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus, que tramitava na Casa legislativa desde o ano de 2016. Outra benesse dos parlamentares aconteceu em 2020, com a aprovação de Projeto que anulou dívidas tributárias; a dispensa do dinheiro alheio para as "empresas" de Edir Macedo, Valdemiro, Malafaia e outros, alcançou a soma astronômica de R$ 1 bilhão, de conformidade com fiscalizações da Receita Federal. Em troca da aprovação dessa medida, as igrejas evangélicas assumiram compromisso com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, no sentido de votarem pela aprovação dos jogos de azar no Brasil, segundo noticiaram os jornais na época.

Em Angola, Edir Macedo desembarcou com sua igreja no ano de 1992. Em agosto/2020, a Procuradoria-geral da República de Angola abriu investigação contra a Igreja de Macedo e as apurações, iniciadas em 2021, constataram a prática dos crimes de racismo, fraude, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, além de imposição de vasectomia para os pastores. Foram fechadas as igrejas das cidades de Luanda, Viana e Cazenga e outras passaram a ser administradas pelo Instituto Nacional dos Assuntos Religiosos, vinculado ao Ministério da Cultura. Edir Macedo sofreu verdadeira rebelião dos pastores de Angola, onde foram montadas 220 "empresas", servindo-se indevidamente do nome de Deus, para arrecadar fundos; Macedo e seus seguidores foram expulsos do país. Honorilton Gonçalves, seu delegado em Angola, foi acusado de muitos crimes, consistentes em transações irregulares de imóveis, promover evasão de divisas e outros; em 2019, do que arrecadou com os fiéis de Angola enviou para Edir Macedo, no Brasil, 100 milhões. De nada adiantou a interferência do Presidente Jair Bolsonaro para pedir ao presidente de Angola proteção para Macedo, porque teve como resposta que o assunto não é político, mas jurídico.

Enquanto isso, eles engordam seus patrimônios: a revista americana Forbes publicou a relação dos cinco maiores afortunados dessas "empresas" e constatou que Edir Macedo tinha, em 2013, patrimônio de 1,9 bilhão; segue-lhe seu dissidente, Valdemiro Santiago, que fundou a Igreja Mundial do Poder de Deus, com mais de 4 mil templos e a estimativa de sua fortuna foi de R$ 440 milhões; na terceira posição, desponta o bolsonarista Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus, com patrimônio de R$ 300 milhões. Malafaia, segundo a Forbes, lançou uma campanha, denominada de "O Clube de Um Milhão de Almas", para criar uma rede de TV, como fez Macedo; a contribuição que pede aos seus fiéis é a partir de R$ 1 mil, em prestações. O quarto pastor e fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, é Romildo Ribeiro Soares, o RR Soares, tinha fortuna, estimada por Forbes, em R$ 250 milhões. O quinto pregador mais rico é Estevam Hernandes Filho e sua esposa Sônia, fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, com mais de 1 mil igrejas no Brasil e no exterior, com fortuna calculada em R$ 130 milhões. 

Essas igrejas, na verdade "empresas", que transformam a fé em dinheiro, em setembro/2019, eram 48.379, e prestam-se mais para engordar os cofres pessoais desses "empresários", que tergiversam com o nome de Deus para aumentar cada dia mais suas fortunas.

Lisboa, 7 de agosto de 2022.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados. 






 






Nenhum comentário:

Postar um comentário