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domingo, 2 de agosto de 2026

GUERRA DO PARAGUAI APRESENTA INCONSISTÊNCIAS HISTÓRICAS


A Guerra do Paraguai voltou ao centro de uma crise diplomática entre Brasil e Paraguai após o presidente Lula afirmar que "um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil". A declaração, feita em evento no interior de São Paulo, gerou reação do governo paraguaio, que convocou o embaixador brasileiro em Assunção para prestar esclarecimentos. O Congresso do Paraguai também aprovou manifestações de repúdio. O episódio reacendeu um debate histórico sobre as origens do maior conflito da América Latina, travado entre 1864 e 1870. A guerra colocou o Paraguai contra a Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai, e devastou o país, reduzindo sua população de cerca de 400 mil para menos de 190 mil habitantes. Segundo o historiador Francisco Doratioto, cerca de 90% dos homens paraguaios morreram. Doratioto afirma que, durante décadas, predominou no Brasil uma interpretação segundo a qual a Inglaterra teria financiado e incentivado a guerra para destruir um Paraguai supostamente industrializado e independente. Essa versão ganhou força durante a ditadura militar, especialmente após o livro Genocídio Americano, de Júlio José Chiavenato. Pesquisas mais recentes, porém, contestam essa narrativa. Com base em documentos paraguaios, brasileiros, argentinos, uruguaios e ingleses, historiadores como Doratioto, Ricardo Salles e Moniz Bandeira concluíram que não há provas de envolvimento direto do governo britânico no conflito.

Segundo Doratioto, o Paraguai era um país predominantemente agrícola, com industrialização limitada e modernização voltada principalmente para fins militares. O conflito teria sido motivado por disputas regionais, interesses geopolíticos e pela busca paraguaia de acesso ao mar. O historiador também reconhece que houve atrocidades cometidas durante a guerra, mas afirma que algumas acusações difundidas contra o Duque de Caxias carecem de sustentação documental ou apresentam inconsistências históricas. Para ele, muitas interpretações surgidas na ditadura tinham forte conteúdo ideológico e buscavam desmoralizar os símbolos do regime militar. Mais de 160 anos após o fim da guerra, suas causas e consequências continuam sendo objeto de controvérsia histórica e sensibilidade política, especialmente nas relações entre Brasil e Paraguai. 

VÍCIO EM APOSTAS ESPORTIVAS AFETA AMBIENTE DE TRABALHO


O vício em apostas esportivas já afeta o ambiente de trabalho e preocupa empresas de diferentes setores. Empresários relatam funcionários que desaparecem após receber o salário, acumulam dívidas, pedem adiantamentos e apresentam queda de produtividade. Segundo entidades patronais e sindicais, o problema também provoca crises familiares, ansiedade, depressão e dificuldades financeiras. Sem preparo para lidar com a situação, empregadores têm buscado orientação para acolher trabalhadores e encaminhá-los ao tratamento. O SUS oferece teleatendimento especializado, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do aplicativo Meu SUS Digital. Grandes empresas, como Ypê, Gerdau e Whirlpool, passaram a promover campanhas educativas sobre os riscos das apostas, com palestras, orientação financeira e programas de apoio psicológico. Em 2025, primeiro ano do mercado regulado de apostas, os afastamentos por ludopatia cresceram 59,8%, passando de 425 para 679 casos, segundo o INSS. Embora o número ainda seja pequeno, especialistas alertam que o transtorno costuma estar associado à depressão, ansiedade e dependência de álcool e drogas, fatores que aumentam faltas e afastamentos.

A Organização Mundial da Saúde define a ludopatia como um transtorno em que o jogo passa a dominar a vida da pessoa, comprometendo relações familiares e profissionais. No trabalho, isso pode causar desatenção, erros e acidentes. A Femaco relata casos de trabalhadores que perderam salários, recorreram a empréstimos ilegais e chegaram ao suicídio. A Abrasel elaborou uma cartilha para orientar empresários sobre acolhimento e prevenção de conflitos trabalhistas. O Tribunal Superior do Trabalho analisa se a ludopatia deve receber tratamento jurídico semelhante ao da dependência química em casos de demissão. Especialistas recomendam que empresas priorizem o encaminhamento para avaliação médica e tratamento, em vez de punições imediatas.

 

DÍVIDA PÚBLICA ATINGE 81,9% DO PIB


A poucos meses do fim do terceiro mandato do presidente Lula (PT), confirmou-se o pior cenário para a dívida pública brasileira. Em junho, a dívida bruta atingiu 81,9% do PIB, maior nível desde a pandemia, segundo o Banco Central. O percentual já havia sido projetado, há dois anos, por técnicos do Tesouro Nacional para 2026, em documentos enviados ao Congresso junto à proposta do Orçamento de 2025. A previsão indicava uma trajetória explosiva da dívida, mas foi considerada alarmista por integrantes do governo. Os números atuais mostram que a projeção era até conservadora, pois previa cumprimento das metas fiscais, o que não ocorreu. Na época, Executivo e Legislativo poderiam ter adotado medidas para conter o avanço das despesas obrigatórias, mas preferiram priorizar interesses políticos. O pacote de contenção de gastos foi reduzido pelo governo e ainda mais desidratado no Congresso, inclusive com apoio da oposição. Além disso, a economia obtida acabou abrindo espaço para novas despesas. A falta de ações elevou a desconfiança do mercado e contribuiu para juros de longo prazo entre 7% e 8% ao ano, prejudicando empresas, investimentos e a economia.

O crescimento da dívida também coloca em xeque o arcabouço fiscal. Integrantes da equipe econômica defendem reforços nas regras, mas enfrentam resistência dentro do próprio governo. Em 2023, o então secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmava que o governo evitaria que a dívida superasse 80% do PIB. O patamar foi ultrapassado, reacendendo o debate sobre a sustentabilidade das contas públicas. Embora o tema dificilmente decida a eleição, especialistas defendem que os candidatos apresentem propostas claras para controlar a dívida e garantir o equilíbrio fiscal do país. 

CONTRABANDO DO PARAGUAI GERA LUCROS SUPERIORES A 500%


O contrabando de mercadorias do Paraguai para o Brasil gera lucros superiores a 500%, tornando-se uma das principais fontes de renda do crime organizado na fronteira de Foz do Iguaçu (PR). Segundo estudo do Idesf, a atividade movimenta cerca de R$ 60 bilhões por ano e é dominada por facções como PCC e Comando Vermelho. A margem média de lucro chega a 507%, impulsionada pela sonegação de impostos e pelo baixo índice de fiscalização. Apenas entre 5% e 10% das cargas ilegais são apreendidas, enquanto a fiscalização cobre menos de 2% do fluxo na Ponte da Amizade. O cigarro paraguaio lidera a lucratividade, seguido por medicamentos e smartphones. Também são comuns perfumes, agrotóxicos, brinquedos, eletrônicos, pneus e cigarros eletrônicos. 

O esquema envolve transporte, motoristas, laranjas, lavagem de dinheiro e até custos com perdas em operações policiais. Em junho, Receita Federal e Polícia Federal deflagraram a Operação Sicarius contra uma quadrilha que movimentou R$ 375 milhões com contrabando de cigarros e agrotóxicos. Entre janeiro e abril, a PRF apreendeu 6,3 milhões de maços de cigarros no Paraná, quase metade do total nacional. Mercadorias apreendidas são encaminhadas à Receita Federal e podem ser doadas, leiloadas, incorporadas ao patrimônio público ou destruídas, conforme sua natureza e condições de uso.

 

FEDERAL RESERVE (FED) PODE AUMENTAR JUROS


Um dirigente do Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, alertou que a recente venda de títulos do Tesouro americano mostra a necessidade de reforçar a credibilidade da instituição no combate à inflação, inclusive com novos aumentos dos juros. Alberto Musalem, presidente do Fed de St. Louis, afirmou ao Financial Times que os mercados enviaram um recado claro e que o banco central deve responder com comunicação eficiente e ações quando necessário. Os rendimentos dos títulos de 30 anos atingiram 5,28%, maior nível desde 2007, refletindo preocupações com a inflação agravada pela guerra entre EUA e Irã. Apesar disso, o Fed manteve os juros entre 3,5% e 3,75% pela quinta reunião consecutiva, mesmo com a inflação acima da meta de 2%. Musalem disse que preferia uma alta de 0,25 ponto percentual e defendeu uma reação antecipada para evitar medidas mais drásticas no futuro.

Outros dirigentes regionais do Fed também apoiaram um aumento dos juros e alertaram que adiar decisões pode exigir ajustes maiores adiante. O mercado espera uma elevação de 0,25 ponto em setembro. Embora a inflação medida pelo índice PCE tenha recuado de 4,1% para 3,7%, a alta do petróleo, das tarifas de importação, dos investimentos em IA e do consumo continua pressionando os preços. Musalem rejeitou a ideia de que o Fed esteja deixando os mercados conduzirem a política monetária e ressaltou que a responsabilidade pela estabilidade de preços é exclusiva do banco central. Ele também defendeu maior clareza na comunicação das decisões para que empresas, famílias e investidores compreendam a estratégia adotada pelo Fed. 

TRUMP QUER CONTINUAR NO GOVERNO EM 2028


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a sugerir a possibilidade de disputar um terceiro mandato, apesar de a Constituição americana proibir que uma pessoa seja eleita presidente mais de duas vezes. Ontem, 1º, ele publicou na Truth Social uma imagem gerada por inteligência artificial com a frase "Trump 2028 – Make America Great Again", reforçando especulações sobre sua permanência no poder. Trump, que governou entre 2017 e 2021 e foi reeleito em 2024, já havia usado um boné com o slogan "Trump 2028" e, em eventos recentes, afirmou em tom de brincadeira que "a terceira vez será ainda melhor". A Trump Organization também vende bonés com esse slogan.

O republicano disse que ainda não decidiu se tentará convencer a Suprema Corte a declarar inconstitucional a 22ª Emenda, que limita os mandatos presidenciais. Outra hipótese levantada por aliados seria concorrer como vice-presidente e assumir o cargo após uma renúncia do titular, mas Trump descartou essa possibilidade por considerá-la "ridícula". Especialistas afirmam, porém, que a 12ª Emenda também impediria essa manobra. Já uma mudança na Constituição é considerada improvável, pois exige aprovação de três quartos dos estados, número que os republicanos não possuem. Ao deixar a Presidência em 2029, Trump terá 82 anos e sete meses, tornando-se o presidente mais velho da história dos EUA.

 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 2/8/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Flávio contraria lei eleitoral e pede votos na convenção do PL em SC

A Lei nº 9.504/1997 estabelece que atos de pré-campanha são permitidos desde que não envolvam pedido explícito de voto

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

‘Milei atua como porta-voz da Casa Branca’, diz opositora argentina que desponta para a eleição presidencial de 2027

Apontada como a política mais bem avaliada da Argentina, Myriam Bregman lança livro no Brasil; ao GLOBO, advogada defende alternativa da esquerda na América Latina

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Contrabando do Paraguai rende lucro de até 500% ao crime organizado no Brasil

Mercado movimenta R$ 60 bilhões ao ano à margem da economia formal e financia operação de facções Cigarro é o item mais lucrativo, mas remédios, celulares e brinquedos também geram altas margens

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Operação Perjúrio: entenda como fraude de R$ 723 milhões mira advogados na Bahia

Com acesso do Aratu On, dados da Operação Perjúrio revelam esquema milionário que usava documentos falsos em processos judiciais

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Saiba como será o clima em agosto sob um El Niño cada vez mais intenso

Neste ano, o clima em agosto terá a forte influência do fenômeno, que favorece excesso de chuva

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Trump recua nos ataques ao Irão após telefonema saudita e fala em perspetiva de acordo de paz

Príncipe herdeiro saudita terá manifestado a Trump preocupação com a possibilidade de Teerão responder com ataques às infraestruturas energéticas do reino e de outros países do Golfo.

sábado, 1 de agosto de 2026

RADAR JUDICIAL


PIX EM OITO PAÍSES

Brasileiros já podem usar o Pix para pagar compras em estabelecimentos de oito países: Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha e França. O sistema funciona por meio de parcerias entre bancos, fintechs e empresas de pagamento, sem necessidade de cartão ou dinheiro em espécie. O comerciante gera um QR Code, que é lido pelo aplicativo do banco brasileiro. Antes da confirmação, o cliente visualiza o valor em reais, com câmbio e tarifas. O Banco Central esclarece que não existe um Pix internacional oficial; as operações são feitas por instituições autorizadas a operar câmbio. O serviço está disponível apenas em estabelecimentos parceiros, principalmente em destinos turísticos. As transações estão sujeitas ao IOF e ao spread cambial, mas costumam ser mais vantajosas que o cartão de crédito por utilizarem o câmbio comercial. A modalidade já é aceita em hotéis, restaurantes, lojas e atrações turísticas.


FLAMENGO TEM A MAIOR TORCIDA

Pesquisa Datafolha mostra que o Flamengo segue com a maior torcida do Brasil, preferido por 22% dos brasileiros, enquanto o Corinthians aparece em segundo lugar, com 14%. Na sequência estão Palmeiras (7%), São Paulo (6%), Cruzeiro (4%), Vasco e Grêmio (3% cada). Outros clubes registraram entre 1% e 2% da preferência. Entre os entrevistados, 22% afirmaram não torcer por nenhum time. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios, nos dias 22 e 23 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais. Regionalmente, o Flamengo lidera no Nordeste e no Centro-Oeste/Norte, enquanto o Corinthians aparece numericamente à frente no Sudeste, em empate técnico. No Sul, Grêmio e Internacional ocupam as primeiras posições. A vantagem rubro-negra sobre o Corinthians cresceu na série histórica iniciada em 1993, impulsionada pelos títulos conquistados nos últimos anos. Atualmente, o Flamengo disputa a Libertadores e ocupa a vice-liderança do Campeonato Brasileiro.


EX-DEPUTADO GEORGE SANTOS, FILHO DE BRASILEIROS, É MULTADO 

O ex-deputado americano George Santos, filho de brasileiros, foi multado em US$ 35 mil (R$ 177 mil) por manipular apostas em um mercado de previsões sobre sua presença no discurso do Estado da União de Donald Trump. Segundo a CFTC, Santos publicou mensagens nas redes sociais sugerindo que compareceria ao evento, enquanto apostava contra sua própria presença. A estratégia enganou usuários da plataforma Kalshi e lhe rendeu cerca de US$ 18 mil em lucro. Além da multa, ele concordou em devolver o dinheiro obtido. A Kalshi afirmou ter identificado as negociações suspeitas e comunicado o caso às autoridades. Santos não comentou a decisão. O episódio amplia o escrutínio sobre mercados de previsões e possíveis casos de uso de informações privilegiadas. Na mesma sexta-feira, a procuradoria-geral de Nova York processou a Kalshi por suposta violação das leis estaduais sobre jogos de azar. Santos já havia sido expulso do Congresso após escândalos envolvendo fraude e mentiras sobre sua biografia. Condenado à prisão em 2025, ele foi libertado após receber perdão do presidente Donald Trump.

HOMEM TENTA MATAR UMA PESSOA COM FOGO

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, ontem, 31, um homem investigado por tentar matar uma pessoa em situação de vulnerabilidade social ao atear fogo nela, na quadra 310 Sul, em Brasília. O crime ocorreu em 14 de julho. Segundo a 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), o suspeito, que também vivia em situação de rua, atacou a vítima após desavenças. A vítima sofreu queimaduras em cerca de 40% do corpo e foi socorrida ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran). A investigação começou em 25 de julho. Com base nas provas reunidas, a Justiça autorizou a prisão preventiva do suspeito, que foi localizado e permanece à disposição da Justiça. 

ISRAEL MATA MESMO DEPOIS DE CESSAR-FOGO

Ataques aéreos de Israel na Faixa de Gaza deixaram ao menos dois mortos neste sábado (1º), apesar das negociações para ampliar o cessar-fogo. Um bombardeio atingiu depósitos de suprimentos médicos e uma clínica do Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, no centro de Gaza. Israel afirmou que o local era usado pelo Hamas para armazenar armas, acusação negada por autoridades palestinas. Outro ataque, em Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza, matou dois palestinos. As ações ocorreram após anúncio de um acordo para avançar a trégua e discutir o desarmamento do Hamas. O grupo, porém, condicionou a entrega das armas ao fim dos ataques israelenses e à retirada das tropas. Israel insiste que não deixará suas posições sem o desarmamento efetivo do Hamas. O premiê Binyamin Netanyahu ainda não comentou oficialmente o acordo. Os EUA esperam que a proposta leve ao fim da guerra iniciada em outubro de 2023. Desde a trégua firmada em 2025, Israel manteve bombardeios quase diários em Gaza. Atualmente, o Exército israelense controla mais de 60% do território da Faixa de Gaza. Analistas avaliam que divergências sobre desarmamento e retirada das tropas ainda ameaçam o avanço do acordo.

Salvador, 1º de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

EXPORTAÇÕES PARA ARGENTINA CAEM


As exportações brasileiras para a Argentina caíram 19,4% no primeiro semestre de 2026, revertendo o crescimento registrado no mesmo período do ano passado. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o Brasil vendeu US$ 7,4 bilhões ao país vizinho, ante US$ 9,1 bilhões em 2025, reduzindo sua participação nas exportações brasileiras de 5,5% para 4%. Mesmo com a queda, a Argentina segue como o terceiro principal destino das vendas externas do Brasil, atrás de China e Estados Unidos. O recuo foi puxado principalmente pelo setor automotivo. As exportações de veículos de passageiros caíram 28,2%, enquanto autopeças e acessórios recuaram 28,7%. Em junho, automóveis, autopeças e veículos de carga continuaram liderando a pauta exportadora brasileira. Especialistas apontam que oscilações no comércio bilateral refletem a instabilidade da economia argentina, a demanda da indústria automobilística e as variações cambiais.

Além disso, o governo de Javier Milei ampliou a abertura comercial, facilitando a entrada de veículos elétricos e híbridos importados, sobretudo da China. A Casa Rosada criou uma cota anual de 50 mil veículos com tarifa zero e flexibilizou a importação de autopeças. Com isso, a China voltou a superar o Brasil como principal fornecedor da Argentina no primeiro semestre, com US$ 7,98 bilhões em exportações, contra US$ 7,35 bilhões do Brasil. A expansão das montadoras chinesas reforça essa mudança. A BYD já ocupa a oitava posição entre as marcas mais vendidas na Argentina, com mais de 8 mil veículos comercializados em 2026, superando fabricantes tradicionais como Honda e Nissan. O governo Milei afirma que a maior abertura às importações aumenta a concorrência, reduz preços e amplia as opções para os consumidores, embora o setor argentino de autopeças enfrente maior pressão com o avanço dos produtos chineses. 

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM ARTIGOS JORNALÍSTICOS


Um estudo da The Economist analisou como identificar textos produzidos por inteligência artificial comparando artigos escritos por jornalistas com versões geradas pelos principais modelos de IA, como ChatGPT, Claude, Gemini e Grok. Foram examinadas 55.940 frases e 1,2 milhão de palavras, além de comparações com textos da CNN, New York Times, Washington Post e romances publicados entre 1950 e 2022. A pesquisa concluiu que a escrita de IA apresenta padrões próprios de vocabulário, pontuação e estrutura. Os modelos tendem a usar palavras longas e abstratas, como “significativo”, “consequências”, “interdependência” e “metodologia”, além de excesso de nominalizações e termos científicos. Essa linguagem lembra a “dicção pretensiosa” criticada por George Orwell, marcada por palavras de origem latina para dar aparência de sofisticação.

Na pontuação, a crença de que IAs abusam dos travessões já não é totalmente verdadeira. Apenas o Claude mantém esse padrão; o ChatGPT passou a usar menos travessões que escritores humanos. Os LLMs também empregam menos vírgulas, ponto e vírgulas e parênteses, preferindo frases longas e poucos cortes de ritmo. Outra característica é o uso frequente de estruturas como “não X, mas Y”, “não apenas..., mas também” e a chamada “regra de três”. Apesar dessas marcas, os pesquisadores destacam que a escrita de IA evolui rapidamente e se aproxima cada vez mais da prosa humana. Por isso, detectar textos gerados por IA tende a se tornar uma tarefa cada vez mais difícil, mesmo com ferramentas especializadas.

 

TRUMP APROVEITA POLÍTICA MIGRATÓRIA PARA CRITICAR DEMOCRATAS


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou ontem, 31, o governo da Espanha pela chegada de milhares de imigrantes à cidade de Ceuta. O republicano classificou o episódio como uma “invasão” e usou o caso para reforçar seu discurso contra a imigração ilegal. Em publicação na rede Truth Social, Trump compartilhou um vídeo do desembarque de migrantes e comparou a situação à ocorrida nos EUA durante o governo de Joe Biden. Segundo ele, o cenário poderá se repetir caso os democratas retornem ao poder. O posicionamento foi reforçado pelo Departamento de Estado dos EUA, que atribuiu a crise à política migratória espanhola e afirmou avaliar medidas para enfrentar a migração ilegal, além de apoiar aliados europeus interessados em ações semelhantes. O vice-presidente JD Vance também comentou o episódio, afirmando que as imagens de Ceuta demonstram as consequências da migração em massa e de políticas de esquerda.

A crise repercutiu entre líderes da direita europeia. Alice Weidel, da Alternativa para a Alemanha, afirmou que Ceuta foi devastada e alertou para novas ondas migratórias. Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni defendeu a exclusão da Espanha da área europeia de livre circulação. A Finlândia manifestou posição semelhante. O primeiro-ministro tcheco Andrej Babis também criticou a política migratória espanhola, acusando o governo de substituir a população local por imigrantes. 

CRISE ENTRE POLÍCIA FEDERAL E MINISTRO MENDONÇA


A abertura de uma nova frente de investigação no caso do INSS, envolvendo um pedido da Polícia Federal para apurar Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, ampliou a crise entre setores da PF e o gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. A PF solicitou a abertura de um novo inquérito, que passou por Alexandre de Moraes durante o plantão, recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e foi distribuído a Mendonça, responsável pelo inquérito principal. Nos bastidores, o gabinete do ministro demonstra insatisfação com a condução das investigações. Assessores cobram informações sobre o andamento do caso, questionam a demora em diligências e manifestam preocupação com mudanças na equipe responsável. A Polícia Federal nega qualquer irregularidade e afirma que todos os procedimentos seguiram critérios técnicos.

O clima de tensão aumentou quando a PF acionou a Advocacia-Geral da União para avaliar restrições impostas por Mendonça ao compartilhamento de informações da investigação com superiores dos delegados. Segundo interlocutores do ministro, há indícios de problemas na condução das apurações. A PF rejeita essa avaliação e afirma que decisões judiciais não podem interferir em suas atribuições. A corporação diz que os questionamentos à AGU começaram em janeiro, antes mesmo da investigação sobre Lulinha, e foram formalizados em maio e junho. Outro foco de tensão surgiu com a retirada parcial do sigilo do caso envolvendo o senador Jaques Wagner, que levantou suspeitas de vazamento de informações. Com isso, o caso do INSS passou a expor também uma disputa institucional entre a Polícia Federal e o gabinete de André Mendonça sobre o controle das investigações.