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segunda-feira, 6 de abril de 2026

ALIMENTOS VENCIDOS: MULTA


A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido do Assaí Atacadista para anular multa de cerca de R$ 300,7 mil aplicada pelo Procon-SP por vender alimentos vencidos. 
A autuação ocorreu em dezembro de 2021, em uma unidade da rede em Caraguatatuba, no litoral paulista. Segundo a fiscalização, havia 36 unidades de salame com validade expirada desde setembro daquele ano. Também foram encontrados produtos deteriorados e itens com data de validade ilegível. O escritório que representa o Assaí não respondeu à reportagem. A empresa ainda pode recorrer da decisão. Na ação, a Sendas Distribuidora afirmou que houve falha operacional pontual, sem intenção de prejudicar consumidores. A rede alegou que, diante de milhares de produtos expostos, apenas pequena quantidade tinha irregularidades. Sustentou ainda que falhas podem ocorrer mesmo com controles internos. Segundo a empresa, isso não indica descuido generalizado, mas erro humano ou técnico. O Assaí também afirmou que os produtos não chegaram a ser consumidos. Atribuiu ao fabricante possíveis falhas de impressão nas embalagens. 

A empresa argumentou que não é viável verificar item por item a legibilidade dos rótulos. Classificou essa exigência como irrazoável e desproporcional. A juíza Juliana Molina rejeitou os argumentos apresentados. Na sentença, apontou grave violação ao dever de informação e segurança do consumidor. Destacou que vender produtos vencidos ou deteriorados compromete a saúde pública. Também criticou a oferta de itens com validade ilegível ou ausente. Segundo a decisão, essas práticas impedem o consumo seguro. A magistrada afirmou que a responsabilidade é do comerciante. Cabe ao varejista conferir as informações antes da venda. Ela reforçou o dever de garantir produtos adequados ao consumo. A decisão mantém a multa aplicada pelo Procon-SP. O caso envolve normas de proteção ao consumidor. A sentença reforça a obrigação de controle de qualidade no varejo. A empresa segue com possibilidade de recurso judicial. O episódio destaca a importância da fiscalização sanitária.

 

LANÇADORES DE MÍSSEIS E DRONES DO IRÃ SEGUEM INTACTOS


Cerca de metade dos lançadores de mísseis e drones do Irã segue intacta após cinco semanas de guerra contra Estados Unidos e Israel, segundo avaliação da inteligência americana divulgada pela CNN. 
Fontes afirmam que o país ainda tem capacidade de causar grandes danos na região, apesar das ofensivas militares. Parte dos armamentos pode não estar pronta para uso imediato, como lançadores soterrados, mas não foi totalmente destruída. Os dados também apontam que milhares de drones permanecem operacionais, assim como uma parcela relevante de mísseis de cruzeiro de defesa costeira. Esse arsenal é considerado estratégico por permitir ameaças ao tráfego no Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo e que segue fechada desde o início do conflito no Oriente Médio. A Casa Branca contestou a análise, dizendo que ela não reflete os impactos reais das operações militares. Segundo o governo americano, grande parte das instalações de produção iranianas foi destruída. Autoridades também afirmam que a marinha do Irã foi neutralizada e que os EUA garantiram superioridade aérea. A porta-voz Anna Kelly criticou fontes anônimas, acusando-as de tentar desacreditar o governo e as forças armadas. A avaliação da inteligência contrasta com declarações do presidente Donald Trump. 

Em discurso recente, Trump afirmou que a força aérea iraniana está em ruínas e que restam poucos mísseis. Ele também declarou que os principais objetivos estratégicos estão próximos de serem alcançados. Segundo o presidente, as forças americanas obtiveram vitórias rápidas e decisivas nas últimas semanas. Apesar disso, Trump indicou que o conflito deve continuar por mais tempo. Ele afirmou que, nas próximas semanas, os EUA pretendem intensificar ainda mais os ataques. Até quarta-feira, os EUA haviam atingido mais de 12.300 alvos dentro do Irã. O Comando Central dos EUA confirmou a escala das operações militares. Israel, por sua vez, anunciou a morte de dezenas de líderes militares e políticos iranianos. Entre eles estaria o líder supremo Ali Khamenei. O cenário indica que, apesar das perdas, o Irã ainda mantém capacidade relevante de reação. A divergência entre inteligência e governo evidencia incertezas sobre o real impacto da guerra. O conflito segue sem perspectiva imediata de encerramento. A tensão permanece elevada em toda a região do Oriente Médio.

 

IA GANHA ESPAÇO PARA ESCUTA


Assuntos ligados à intimidade ainda são cercados por silêncio, mesmo em uma sociedade mais aberta ao debate sobre sexo. Para muitas pessoas, expor dúvidas, inseguranças ou desejos segue sendo desconfortável, e é nesse cenário que a inteligência artificial começa a ganhar espaço como alternativa de escuta. 
Dados do relatório anual de 2026 da Lovehoney, com base em pesquisa de 2025, mostram que 15% dos mais de 2 mil participantes já conversaram com IA sobre sexo. Entre eles, 52% buscaram conselhos sexuais diretamente com chatbots. A preferência chama atenção: 32% recorrem a amigos e apenas 20% a parceiros. O movimento sugere uma migração gradual para a IA como uma espécie de “terapeuta sexual”, vista como mais acessível e menos constrangedora. O uso vai além de dúvidas íntimas. Chatbots também atuam como apoio em interações afetivas, oferecendo sugestões em tempo real durante conversas e ajudando a interpretar mensagens ou formular respostas. Esse fenômeno ganhou o nome de “chatfishing”, mistura de “catfishing” com chats automatizados. Em alguns casos, a IA participa da criação de perfis e conduz interações completas. Há ainda situações em que usuários desenvolvem relações afetivas ou sexuais com esses sistemas. O impacto aparece no mercado: segundo a Appfigures, os gastos com aplicativos como Replika, Nomi.ai e Kindroid cresceram 200% no primeiro semestre de 2025, alcançando US$ 78 milhões.

Apesar do avanço, especialistas não recomendam o uso da IA como ferramenta terapêutica. As respostas tendem a ser genéricas e não consideram as particularidades individuais. A própria IA reconhece que pode ajudar a esclarecer dúvidas e organizar pensamentos, mas não substitui o acompanhamento de profissionais qualificados, como psicólogos ou sexólogos. A Organização Mundial da Saúde aponta a saúde sexual como parte essencial do bem-estar, o que inclui acesso a cuidado especializado em casos de sofrimento ou dificuldades persistentes. Outro ponto de atenção é a origem das informações. Sistemas de IA podem se basear em conteúdos populares na internet, nem sempre confiáveis cientificamente. Isso aumenta o risco de interpretações equivocadas e limita a compreensão de questões emocionais mais complexas. Além disso, a tendência da IA de validar o usuário sem confronto pode prejudicar processos mais profundos de reflexão e elaboração emocional. 

IRÃ DERRUBA DOIS AVIÕES E DOIS HELICÓPTEROS AMERICANOS


O Exército do Irã afirmou ontem, 5, ter usado um “novo” sistema de defesa aérea para derrubar um caça dos EUA e outras quatro aeronaves envolvidas em uma operação de resgate. Segundo o porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari, o sistema foi desenvolvido pela Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária e seria capaz de atingir alvos com rapidez e precisão. Ele declarou que as defesas iranianas atingiram caças, helicópteros, drones e outras aeronaves, abatendo um número significativo deles. Entre os alvos citados estariam dois aviões de carga C-130, dois helicópteros Black Hawk e drones MQ-9 e Hermes. Um A-10 Thunderbolt II também teria sido atingido, segundo o porta-voz. Zolfaqari voltou a afirmar que o Irã derrubou um F-35, embora relatos anteriores indiquem que o jato abatido seria um F-15E. Os dois pilotos conseguiram se ejetar e foram resgatados posteriormente. Há ainda a alegação de que outro F-35 teria sido atingido em 19 de março. A Guarda Revolucionária divulgou um vídeo com destroços que afirma serem das aeronaves americanas. Um analista forense ouvido pela Reuters disse que os restos são compatíveis com esses modelos. Os destroços teriam sido encontrados em Isfahan, no território iraniano. O governo dos EUA não comentou oficialmente as declarações iranianas. No entanto, autoridades militares americanas confirmaram que algumas aeronaves foram atingidas durante a operação. Dois helicópteros Black Hawk foram alvo de fogo iraniano, mas conseguiram deixar o espaço aéreo.

Ainda não há informações sobre danos ou possíveis feridos nesses helicópteros. Uma aeronave de transporte em solo iraniano precisou ser destruída após apresentar falha. O presidente Donald Trump elogiou o resgate dos pilotos e afirmou que ninguém ficou ferido. Segundo ele, a operação foi bem-sucedida apesar dos riscos envolvidos. Zolfaqari classificou o episódio como um fracasso dos Estados Unidos. Ele disse que o confronto demonstra a capacidade defensiva do Irã. A operação de resgate mobilizou dezenas de aeronaves e centenas de soldados. De acordo com a imprensa americana, houve troca de ataques durante a missão. O jornal The New York Times relatou confrontos com forças iranianas no local. As aeronaves americanas teriam atacado comboios iranianos para afastá-los da área. Vídeos divulgados mostram disparos durante a operação. O caso ocorre em meio à guerra entre Irã e Estados Unidos, que já dura mais de um mês. A situação reforça a escalada de tensões entre os dois países. As informações ainda são parciais e seguem sendo apuradas por autoridades e pela imprensa. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 6/4/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

IA avança sem regras no direito

Especialistas destacam a importância do uso da inteligência artificial, mas alertam que é preciso regulação para o Judiciário

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Trump coleciona ameaças de cometer crimes de guerra no Irã, avaliam especialistas

Presidente disse que bombardearia o Irã “de volta à Idade da Pedra”. Até esta administração, os líderes americanos insistiam que estavam tentando seguir o direito internacional na guerra

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

STF e PGR preveem dilema se delação de Vorcaro implicar Toffoli e Moraes

Mendonça disse a auxiliares que rechaça prejulgamentos, mas não vai ignorar provas Ex-banqueiro negocia acordo com Polícia Federal e Ministério Público

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Toffoli usou aviões de empresários para três viagens ao Tayayá, indica documentos

Um deles era da Prime Aviation, empresa que tinha participação de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Preços do petróleo superam 110 dólares após ameaças de Trump

Valor do barril aumenta com tensão no Oriente Médio e advertências do presidente dos EUA contra o Irã

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Vida de Marcelo depois de Belém tem livros e escolas, enquanto a política fica à porta fechada 

Antigo Chefe de Estado tem agenda “bastante preenchida”, mas continuam a surgir solicitações dentro e fora de Portugal. Focado nos jovens e na cultura, reserva comentários para o Conselho de Estado.

domingo, 5 de abril de 2026

RADAR JUDICIAL


ISRAEL DESTRUIU GAZA E QUER O MESMO DESTINO PARA LÍBANO

O presidente do Joseph Aoun reiterou neste domingo (5) o apelo por negociações com Israel para evitar a destruição no sul do Líbano, semelhante à vista na Faixa de GazaEm pronunciamento, Aoun alertou que Israel pode repetir no sul libanês o cenário de Gaza, devastada por ataques. Ele citou mais de 70 mil mortos em Gaza e questionou por que não negociar antes de maior destruição. Ataques israelenses e ofensivas terrestres contra o Hezbollah já destruíram aldeias no sul do Líbano. O Exército libanês informou a morte de um soldado em ataque israelense. Em Kfar Hatta, sete pessoas morreram, seis da mesma família, segundo a Defesa Civil. As vítimas aguardavam resgate após ordem de retirada israelense. O parente que iria buscá-las também morreu no ataque. Israel afirmou atingir alvos do Hezbollah na capital BeiruteAs Forças de Defesa disseram atacar infraestrutura do grupo. Um prédio no sul de Beirute foi atingido após alerta de evacuação. Testemunhas relataram míssil e aviões israelenses em baixa altitude sobre a cidade. 


PILOTO AMERICANO RESGATADO ESTÁ FERIDO

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o piloto resgatado no Irã neste domingo (5) está gravemente ferido, mas destacou sua coragem por sobreviver até a chegada das forças americanas. Segundo Trump, o militar, um coronel respeitado, foi localizado nas montanhas após intensa busca das forças iranianas, que quase o capturaram. A operação de resgate durou dois dias e envolveu centenas de militares e dezenas de aeronaves, sendo considerada rara pelo alto risco. O piloto estava em um caça F-15E abatido na sexta-feira (3) por defesas aéreas iranianas; outro tripulante foi salvo no mesmo dia. Inicialmente, Trump havia dito que o militar ficaria bem, mas depois indicou que seu estado é grave, sem novos detalhes oficiais. Após o resgate, ele foi levado ao Kuwait para receber tratamento médico. A missão ocorreu sob “tiroteio pesado”, segundo agências internacionais, com relatos iranianos de danos a aeronaves dos EUA, negados por Washington. Havia temor de que o piloto fosse capturado, o que acelerou a operação. O Irã mobilizou tropas e ofereceu recompensa para quem ajudasse a encontrá-lo. Helicópteros americanos foram alvo de disparos durante a busca, mas conseguiram retornar em segurança. O episódio marca a primeira vez na guerra que aviões tripulados dos EUA são abatidos dentro do território iraniano. A crise aumenta a tensão, com Trump ameaçando novos ataques caso não haja acordo.


JAPÃO IMPÕE REGRAS PARA CICLISTAS

Após anos de tolerância, o Japão endureceu regras para ciclistas, proibindo práticas como usar sombrinhas, pedalar com carga mal acomodada e condução instável. Desde 1º de abril, entrou em vigor uma emenda à lei de trânsito que prevê multas para 113 infrações relacionadas ao ciclismo. Antes, ciclistas circulavam com pouca fiscalização, embora cerca de 8 milhões usem bicicletas no dia a dia. Agora, a polícia pode aplicar multas imediatas que variam de ¥3.000 a ¥12.000, conforme a infração. Medidas reforçam regras já aplicadas a carros, antes ignoradas por ciclistas. Também surgem novas infrações, como uso de fones, pedalar com uma mão e bicicletas sem freios. As multas valem para maiores de 16 anos. Casos como o de um ciclista advertido por usar guarda-chuva ilustram a mudança. Uma regra polêmica exige que ciclistas usem a via, não a calçada, com exceções. Apesar de ciclovias, muitas são insuficientes ou bloqueadas. Acidentes com bicicletas caíram, mas ainda envolvem principalmente carros. Mesmo com críticas, 64,5% apoiam as novas regras, embora poucos entendam seus detalhes.

LOJAS DE LUXO EM DUBAI SEM MOVIMENTO

No Mall of the Emirates, em Dubai, lojas de luxo como Louis Vuitton e Dior seguem abertas, mas quase sem movimento após um mês de guerra no Oriente Médio. Os corredores, antes cheios, agora estão vazios, com vendedores aguardando clientes. Uma cliente da Chanel afirmou que o momento é perigoso devido ao conflito. Funcionários evitam falar, mas admitem queda no fluxo, sobretudo de turistas. Apesar disso, clientes locais ainda frequentam os shoppings. Ataques iranianos com mísseis e drones abalaram a imagem de Dubai como refúgio seguro. O turismo despencou, impactando fortemente o setor de luxo. Entre 6% e 8% das vendas globais dessas marcas vêm do Oriente Médio. Analistas estimam queda de até 50% nas vendas em março. Aeroportos operando parcialmente agravaram o cenário. Lojas seguem abertas por determinação oficial, evitando prejuízos à imagem do emirado. O setor aposta que a crise será temporária, mas teme um conflito prolongado.

PLACA REJEITA AMERICANOS E ISRAELENSES

Um bar na Lapa, no centro do Rio de Janeiro, foi multado em R$ 9.520 ontem, 4, por exibir uma placa rejeitando cidadãos dos Estados Unidos e de Israel. A imagem, publicada nas redes do próprio Partisan Bar, viralizou durante o feriado de Páscoa. O aviso dizia, em inglês, que esses cidadãos “não são bem-vindos”. O estabelecimento não respondeu aos contatos da reportagem. A autuação foi feita pela Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor. Segundo o órgão, a conduta é abusiva e discriminatória, proibida pelo Código de Defesa do Consumidor. A legislação veda recusa de atendimento sem justificativa e práticas que constranjam consumidores. A fiscalização ocorreu após denúncia do vereador Pedro Duarte (PSD). Ele classificou o caso como xenofobia. O parlamentar afirmou que bares podem ter estilo próprio, mas não podem discriminar pessoas. A Federação Israelita do Estado do Rio disse acompanhar o caso. A entidade afirmou atuar junto às autoridades competentes. O episódio gerou ampla repercussão nas redes sociais.

Salvador, 5 de abril de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.






SLOWJAMASTAN, O MAIS NOVO PAÍS


Entre fazendas de tâmaras no vale de Coachella, na Califórnia, e a fronteira com o México, surge a inusitada República de Slowjamastan. 
Localizada em um deserto árido, a micronação ocupa cerca de 4,5 hectares e costuma passar despercebida por quem cruza a região. Ao entrar no território, porém, visitantes encontram um “país” com leis próprias e clima excêntrico. Entre as regras curiosas estão a proibição de crocs e de e-mails em “responder a todos”. O animal símbolo é o guaxinim, estampado na bandeira nacional. O criador é Randy Williams, autodenominado “Sultão”. Fora dali, ele é radialista em San Diego e apresenta o programa Sunday Night Slow Jams. A ideia surgiu na pandemia de COVID-19, quando decidiu criar seu próprio país. Ele comprou o terreno em 2021 e começou a estruturar a micronação. Logo surgiram placas, posto de fronteira, bandeiras, passaportes e moeda própria. O local passou a imitar um país real, com “imigração” e cargos oficiais. Hoje, Slowjamastan tem cerca de 25 mil “cidadãos” de mais de 120 países.

A cidadania é gratuita, mas alguns títulos e cargos são pagos. Parte dos membros interage online, enquanto outros visitam o local. O país também promove eventos e cerimônias, como o lançamento de um submarino simbólico. Para muitos, a micronação funciona como diversão ou fuga da polarização política. Existem centenas de micronações no mundo, e Slowjamastan ganhou destaque global. O território sediará a MicroCon 2027, encontro internacional dessas nações autoproclamadas. Mesmo sem infraestrutura completa, visitantes são bem-vindos ao deserto. Williams afirma que o projeto vai além da brincadeira. A ideia é criar conexões entre pessoas de diferentes culturas. Após visitar todos os países reconhecidos pela ONU, ele concluiu sua jornada em 2023. Ainda assim, Slowjamastan seguiu como projeto independente. Segundo o “Sultão”, o país pertence a todos que se identificam com ele. 

TRUMP NÃO AVALIA A VIDA HUMANA PARA PROMOVER GUERRAS


Há cerca de um ano, líderes europeus contornavam as bravatas de Donald Trump com gestos diplomáticos. Nas últimas semanas, porém, o presidente americano passou a somar insultos às ameaças. 
A postura cautelosa da Europa diante da guerra no Irã levou Trump a chamá-la de covarde. Em um dos momentos mais delicados da relação transatlântica, a tendência é de agravamento. Do lado europeu, há hesitação. Cinco semanas após o início dos bombardeios, o continente evita entrar em um conflito visto como caro, inoportuno e impopular, posição compartilhada até por setores populistas. Na Alemanha, a AfD, mesmo liderando pesquisas, optou por não apoiar publicamente Trump. Ao mesmo tempo, a ultradireita sofreu reveses eleitorais na França e na Itália. A Europa tem priorizado impactos econômicos e riscos internos, como alta dos combustíveis, imigração e terrorismo, mais do que reagir às provocações americanas. O premiê britânico Keir Starmer evitou confrontos diretos, enquanto Emmanuel Macron elevou o tom após comentários pessoais feitos por Trump. Macron criticou a falta de consistência do americano e destacou a gravidade da guerra, envolvendo vidas civis e militares.

Até então, líderes europeus buscavam apenas conter Trump, alertando para os custos geopolíticos de aderir ao conflito liderado pelos EUA e Israel. Apesar da aparente ausência, a Europa segue apoiando indiretamente operações, com bases no Reino Unido, Açores e Alemanha sendo usadas por forças americanas. Essas ações vão além de medidas defensivas e mostram a dependência estratégica entre Europa e EUA. Diplomatas avaliam que “administrar” Trump tem sido a principal estratégia, diante do temor de uma Otan sem os EUA frente à Rússia. Nesse contexto, cresce a influência indireta de Vladimir Putin, que se beneficia de ajustes no mercado de petróleo e alívio de sanções. Moscou ainda tentou negociar apoio ao Irã em troca de vantagens na Ucrânia, sem sucesso. A eleição na Hungria, em 12 de abril, adiciona tensão, podendo encerrar o longo governo de Viktor Orbán, aliado de Putin. A possível vitória de Péter Magyar preocupa Washington, que acompanha de perto o cenário político húngaro. No tabuleiro geopolítico, a relação entre Europa e EUA enfrenta um distanciamento raro, marcado por desconfiança e interesses divergentes. 

STF ENFRENTE CRISE INSTITUCIONAL


O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma das crises institucionais mais intensas de sua história recente, pressionado pelo escândalo de fraudes do Banco Master, que passou a envolver ministros da Corte. Diante das denúncias, o tribunal sinaliza a criação de um código de conduta, ainda alvo de resistências internas. 
A crise de credibilidade é alimentada por revelações de supostas conexões entre os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Nunes Marques com o banco ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso em março na Operação Compliance Zero. O caso mais recente envolve Nunes Marques, que admitiu viagem em jatinho de empresa associada a Vorcaro, a convite da advogada Camilla Ramos, para um evento privado. O ministro afirmou que declara suspeição em processos envolvendo pessoas próximas, como forma de preservar a imparcialidade. Outras revelações atingem Moraes, cuja esposa, a advogada Viviane Barci, teria mantido contrato com o banco. Também vieram à tona trocas de mensagens entre Moraes e Vorcaro no contexto da prisão do empresário. Já Toffoli teria ligação indireta com recursos oriundos de fundo relacionado ao banco e deixou a relatoria do caso, declarando-se suspeito. O processo foi redistribuído ao ministro André Mendonça.

Reportagens também apontam uso de aeronaves privadas ligadas ao grupo empresarial, o que foi contestado por Moraes. Sua defesa classificou as acusações como ilações, enquanto o escritório de sua esposa afirmou contratar regularmente serviços de táxi aéreo. A repercussão impactou a imagem pública do STF. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg indica que a maioria dos brasileiros vê o tribunal envolvido no escândalo. No Congresso, já existem dezenas de pedidos de impeachment contra ministros. Em resposta, o presidente do STF, Edson Fachin, tenta aprovar ainda em 2026 um código de conduta, relatado por Cármen Lúcia, com regras éticas inspiradas em padrões internacionais. Especialistas apontam que o momento exige reflexão sobre a postura do tribunal. O advogado Francisco Zardo destaca que a confiança pública é essencial para garantir a independência judicial. Ele ressalta que, embora a Lei Orgânica da Magistratura imponha deveres claros, sua aplicação ao STF é limitada, já que não há órgão acima da Corte para fiscalizar diretamente seus ministros, o que amplia os desafios em meio à crise. 

EDITORIAL DA FOLHA DE SÃO PAULO DE HOJE

 
 O QUE A FOLHA PENSA

Duvidar de eleições é golpismo de Flávio Bolsonaro

  • Filho do ex-presidente mostrou mais uma vez que bolsonarismo moderado é um oxímoro
  • Nos Estados Unidos, declarou que a disputa presidencial deste ano só será justa se os votos levarem a sua vitória; direita populista degrada debate
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Homem de terno escuro e gravata vermelha fala em púlpito com microfone, com fundo desfocado exibindo texto e imagem ampliada dele.
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursa na CPAC -  LEANDRO LOZADA/AFP

Em maio de 2022, durante as tentativas do então presidente Jair Bolsonaro (PL) de desacreditar as eleições brasileiras por meio de ataques às urnas eletrônicas e outras teorias conspiratórias vazias, a Folha registrou neste espaço:

"[Jair Bolsonaro] atiça os ânimos de alguns poucos dispostos a participar de seus ensaios golpistas, que alternam intimidações e recuos enquanto se mantém elevado o risco de derrota em outubro. Trata-se de uma ofensiva estúpida contra uma valiosa conquista nacional e, ao fim e ao cabo, contra todos os eleitores e eleitos do país".

O peelista não somente perdeu o pleito daquele ano para o petista Luiz Inácio Lula da Silva como acabou condenado e, inelegível, cumpre prisão domiciliar por, entre outros crimes, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito.

O fato de o jornal voltar ao tema da lisura das eleições brasileiras reforça a indigência do debate público advinda da ascensão da direita populista com Donald Trump, em 2016, e, no Brasil, com Bolsonaro, dois anos depois.

Mas o faz provocado por discurso de outro Bolsonaro, o primogênito Flávio, na extremista Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), nos Estados Unidos.

Segundo o senador pelo Rio, ele será o escolhido desde que haja "eleições livres e justas": "Se o nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente, nós venceremos".

Flávio Bolsonaro pede ainda que os EUA "monitorem a liberdade de expressão" do povo brasileiro e "apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem corretamente".

Desde 1989, o Brasil tem tido eleições diretas para presidente, todas elas livres e justas. Há quase 40 anos, os votos são contados de modo correto, principalmente depois da adoção da urna eletrônica, em 1996, uma conquista brasileira que ainda hoje serve de modelo mundial.

O pré-candidato de ultradireita deveria deixar de perseguir fantasmas e tratar de explicar aspectos nebulosos de seu passado —como as rachadinhas e as ligações perigosas com milicianos— e dirimir preocupações concretas sobre seu futuro —e o do país, caso venha a ser eleito.

Poderia começar esclarecendo o que quis dizer, em entrevista à Folhano ano passado, quando falou de "possibilidade e de uso da força", se o STF derrubar um hipotético indulto a seu pai. E apresentar propostas para um país que iniciará 2027 com uma necessidade inadiável de ajuste fiscal.

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