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domingo, 13 de agosto de 2023

COLUNA DA SEMANA

A Polícia da Bahia desembestou: em uma semana, 28 de julho a 4 de agosto, matou 31 pessoas, nos municípios de Salvador, Camaçari e Itatim. Durante o mês de julho, foram registradas 64 mortes em ações policiais, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado. No ano de 2022, a polícia da Bahia despontou como a que mais mata em todo o Brasil. Em uma ação policial, em Jauá, praia de Camaçari, no final de junho, sete pessoas morreram e a informação foi de que eles pertenciam à facção criminosa e, portanto, no raciocínio da Polícia, devem morrer. No município de Itatim, distante 200 quilômetros de Salvador, com população de 15 mil habitantes, a Polícia Militar, também no final de junho, matou oito pessoas, incluindo três adolescentes. Em Salvador, no IAPI, no dia 4 de agosto, cinco pessoas foram mortas, pela polícia do bairro; nesse bairro e no Pau Miúdo, na semana que se finda, as aulas foram suspensas por alguns dias e parte do comércio fechou as portas, além de ônibus incendidos, face às investidas policiais contra traficantes e a verdadeira guerra travada; em outro bairro, em Águas Claras, foram assassinados pela Polícia mais cinco homens. 

Todas essas mortes, são seguidas de ferimentos em outras pessoas, a exemplo do jogador de futebol, Alessandro Miranda Santos, que foi baleado na perna, em Lauro de Freitas. As balas perdidas também são causas de morte, de conformidade com o que aconteceu com uma criança de dez anos, no final de julho, no mesmo município de Lauro de Freitas. Desde 2019, a Bahia lidera em matança, por  mortes violentas, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A polícia do estado superou o Rio de Janeiro, entre os anos de 2015 a 2022, figurando como a que mais mata em todo o país. No governo Rui Costa, entre 2015 e 2022, as ocorrências policiais com mortes pularam de 354 para 1.464 por ano. No mesmo governo, em fevereiro/2015, foi registrada a Chacina no Cabula, quando foram mortos 12 jovens. A imprensa noticiou a triste comparação do governador entre a polícia e "um artilheiro na frente do gol". 

O município de Jequié, com 158 mil habitantes, tornou-se a cidade mais violenta, anotando-se até como "zona de guerra", na periferia. É que o tráfico de drogas tomou conta do município, desde o ano de 1990. O anuário registrou, em 2022, a maior média de mortes do país, proporcionalmente à população; foram 88,8 morte para cada 100 mil habitantes. É que a cidade enfrenta cenário de guerra entre facções criminosas, Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital, PCC, desde o ano passado. Mas além das facções, a situação, ao invés de aliviar, agrava-se com a intervenção da polícia. A partir daí, o número de mortes violentas subiu de 57, em 2020, para 85, em 2021 e 141, em 2022. As ordens para matar originam-se do interior da penitenciária de Jequié, de onde são apreendidos, em média 30 telefones por dia. Através dos celulares partem as ordens para as execuções.   

Há movimento amplo para implantação de câmeras nos uniformes de policiais, mas no novo governo de Jerônimo Rodrigues ainda não se conseguiu finalizar a licitação para a compra dos equipamentos. A operação deflagrada pela Polícia Civil, buscando operações financeiras, vinculadas aos traficantes, em Jequié, que durou 16 meses, descobriu 541 contas bancárias com movimentação de R$ 116 milhões; nesta operação, estão envolvidos dois advogados.     

Enfim, a Bahia, nesses últimos anos, tem sido palco de verdadeira carnificina!

Salvador, 13 de agosto de 2023.

Antonio Pessoa Cardoso 
Pessoa Cardoso Advogados.

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