O ataque dos Estados Unidos às instalações nucleares do Irã, na noite de ontem, 21, está gerando reações; a China criticou hoje, 22, a medida arbitrária de Donald Trump. O ministro das Relações Exteriores da China assegura que a ação americana violou a Carta da ONU, vez que são estabelecidos "princípios das relações internacionais a serem cumpridos pelos Estados-membros"; afirmou que o ataque "agrava as tensões no Oriente Médio". A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, declarou que "a mesa de negociações é o único lugar para acabar com esta crise". Na verdade, a maior crise foi instalada pelo presidente americano que, sem está envolvido no desentendimento ou na guerra, partiu para despejar suas bombas mortíferas ao território iraniano e a condenação deve ser da arbitrariedade de Donald Trump. O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvedev, criticou severamente a ignorância americana. Disse: "Trump, que entrou como um presidente pacificador, iniciou uma nova guerra para os EUA. Com esse tipo de sucesso, Trump não ganhará o Prêmio Nobel da Paz", escreveu no Telegrama.
O ministro das Relações Exteriores da Franca, Jean-Noel Barrot, não condenou o ato insensato de Trump, mas pediu "solução negociada," O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, de certa forma, apoiou a insensibilidade de Trump, quando diz que "o programa nuclear do Irã é uma grave ameaça à segurança internacional". Venezuela e Cuba condenaram a ofensiva americana e o presidente do Chile, Gabriel Boric, foi o único democrata da América Latina a reprovar a ação trumpista: "Atacar usinas nucleares é proibido pelo direito internacional. O Chile condena o ataque americano. Defenderemos o respeito ao direito internacional humanitário em todos os momentos. Ter poder não o autoriza a usá-lo em violações às regras que estabelecemos como humanidade. Mesmo que você seja os Estados Unidos". Países do Oriente Médio, como Emirados Árabes Unidos e Qatar não insurgiram contra o destempero de Trump.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, ONU, António Guterres, condenou os ataques desferidos pelos Estados Unidos, com autorização do presidente Donald Trump, contra o Irã; ele declarou "gravemente alarmado" com a ação de Trump. Guterres investiu contra o militarismo e insistiu de que "o único caminho a seguir é a diplomacia". Disse mais o Secretário-geral: "Trata-se de uma perigosa escalada numa região já no limite - e uma ameaça direta à paz e à segurança internacionais. Há um risco crescente de que este conflito possa sair rapidamente do controle - com consequências catastróficas para os civis, a região e o mundo". O criminoso Netanyahu, em comunicado oficial, aplaudiu o gesto impensado de Donald Trump: "A América superou a si mesma". O presidente americano arrotou poder de guerra, dizendo que os Estados Unidos "podem fazer mais ofensivas caso o país não entre em acordo de paz. O Oriente Médio vai ter que aceitar a paz. Ou haverá paz ou haverá tragédia no Irã".
O presidente Donald Trump omite que a tragédia da qual ele fala não é no Irã, mas no mundo; ele agiu como um ditador dos mais arbitrários, porquanto desrespeitou o poder do Congresso americano, a quem ele teria de consultar antes da ofensiva contra as instalações de Fordow, Natanz e Esfahan. O papa Leão 14 afirmou que a "humanidade pede paz", depois dos ataques dos Estados Unidos às instalações nucleares do Irã". Por outro lado, o Irã atacou com mísseis, na manhã de hoje, 22, três áreas de Tel Aviv, deixando pelo menos 23 feridos, além de danificação em vários prédios na região de Ramat Aviv, na capital. O prefeito da cidade, Ron Huldai, assegurou que "as casas aqui foram atingidas com muita, muita gravidade.
EUA entram na guerra: Trump confirma ataque a instalações nucleares no Irã
Trump informou que uma carga completa de bombas foi lançada na instalação principal, Fordow, e disse que agora "é a hora da paz". Imprensa iraniana confirma
O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ
Irã diz que EUA decidiram 'explodir' diplomacia com ataques e que vai se defender 'por todos os meios necessários'
Segundo chanceler, EUA e Israel cruzaram 'uma grande linha vermelha'
FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/ST
Irã lança mísseis contra Israel após EUA atacarem instalações nucleares do país persa
Explosivos atingem região de Tel Aviv na manhã de hoje, deixando ao menos 23 feridos, de acordo com serviços de resgate e polícia
A TARDE - SALVADOR/BA
ONU fala em 'consequências catastróficas' após ataque do EUA ao Irã
Irã pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU
CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS
Democrata pede impeachment de Trump após ataque não autorizado ao Irã
Estados Unidos atacaram três instalações nucleares iranianas neste sábado
DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT
Irão alerta que EUA lançaram uma "guerra perigosa" e que ataques terão consequências "duradouras"
Após ataque dos EUA contra três instalações nucleares iranianas, ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano afirma que Teerão está a reservar "todas as opções para defender a sua soberania".
Juliana Marins, 26 anos, caiu durante uma trilha ao vulcão Rinjani, em Lombok, na Indonésia; esperou socorro por 16 horas até que por volta das 21.00 horas, os montanhistas chegaram com a equipe de resgate. A região estava encoberta por neblina e pouca visibilidade, daí porque a operação será recomeçada na manhã de domingo, noite de sábado, no Brasil. A irmã de Mariana informa que "o montanhista chegou lá e o resgate conseguiu descer até ela. Deram comida e água. Ela está estabilizada e viva, é o que temos de informação. Vão colocá-la na maca assim que possível". Juliana é natural de Niterói, publicitária e fazia mochilão pela Ásia. Na trilha no Rinjani ela contou com apoio de uma empresa de turismo da Indonésia. A moça levou uma queda e foi parar 300 metros da trilha original. Havia possibilidade de ela escorregar em direção a um precipício.
BALÃO MATA 8 PESSOAS
Em Praia Grande/SC, no lugar denominado Capadócia, 270 quilômetros de Florianópolis, destino do balonismo, um balão tripulado com 21 pessoas, despencou, após pegar fogo, na manhã de hoje, e matou 8. As imagens mostram pessoas pulando do balão, em desespero, e o balão cai às margens da Rodovia SC-108, nas proximidades de um posto de saúde. Os 13 sobreviventes, entre os quais o piloto, foram conduzidos para hospitais próximos, pelo Corpo de Bombeiros e pelo Samu. A empresa que atua com balonismo, em Praia Grande, a Sobrevoar tinha autorização para a empreitada. A Prefeitura de Praia Grande emitiu nota oficial de pesar e informou que são dezenas de empresas credenciadas e mais de 7 mil pousos e decolagens por mês. Em outro caso, uma semana atrás, Juliana Alves Prado, 27 anos, morreu em passeio de balão em Capela do Alto, no interior de São Paulo. No passeio estavam o marido, Leandro de Aquino Pereira, mais 30 pessoas, das quais 11 ficaram feridas.
ANTIGAS PRISÕES TORNARAM-SE HOTÉIS
Antigas prisões que abrigaram criminosos foram transformadas em hotéis, alguns sofisticados, pelo mundo afora. Algumas dessa novas hospedagens são destinadas a turistas com beliche e banheiro no corredor, outras são suítes de luxo com vista para a cidade. Na Finlândia, tem o hotel Kakola, na cidade de Turku, antes a prisão Kakolanmaki, uma das mais temidas na época. Foi desativada em 2007, originando um hotel de luxo, com suítes admiráveis, com quatro piscinas, cinco saunas e espaços para massagens. Uma diária para duas pessoas neste novo hotel custa 219 euros, ou seja, R$ 1.392,00. Em Boston/EUA, o The Liberty Hotel, da rede Marriott, era a prisão Charles Street Jail, de 1851. Esse hotel conta com quatro restaurantes, bar e quartos confortáveis. O valor de uma diária, no último andar, situa-se em US$ 813, correspondente a R$ 4.467,00.
ASSESSORA POSTOU FOTO E É EXONERADA
A assessora comissionada da Secretaria do Estado de Administração do Estado de Goiás foi exonerada do cargo, porque postou foto ao lado do ex-governador Marconi Perigo, que deverá ser candidato em 2026, contra o nome indicado pelo atual governador, Ronaldo Caiado. Nara Batista trabalhava no Vapt Vupt, versão goiana do Poupatempo, em Pirenópolis. A assessora disse surpresa, porque não teve "condutas errôneas" no trabalho. Ela buscou informações sobre a motivação de sua dispensa, mas não obteve explicação alguma. Uma colega de Nara informou ter ouvido o motivo de sua saída, consistente nas fotos com o ex-governador Perillo, publicadas nas redes sociais. A foto ao lado do ex-governador aconteceu em 10 de junho, na festa das Cavalhadas, e três dias depois saiu sua exoneração, mas só tomou conhecimento quando retornou ao trabalho.
FRAUDE AUTORIZADA
O juiz Ricardo Palacin Pagliuso, da 2ª Vara do Juizado Especial Cível de São José do Rio Preto/SP, condenou um banco na indenização de R$ 18 mil, por falha na prestação dos serviços. Trata-se do recebimento por uma cliente de um boleto pelo Whatsapp, com informação de que deveria quitar o financiamento no valor de R$ 15 mil; a mulher procurou atendimento no mesmo aplicativo e o banco orientou que deveria pagar. A mulher insistiu e buscou informação com seu gerente antes de efetuar o pagamento, mas também recebeu orientação para pagar e só depois descobriu a fraude, motivando ingresso da ação judicial. O juiz pediu imagens das câmeras da agência, mas não recebeu. Escreveu o magistrado: "A não apresentação das imagens, quando expressamente determinada pelo juízo, gera presunção de veracidade do fato que se pretendia comprovar. Assim, concluo que a autora compareceu à agência bancária e que o gerente lhe orientou a efetuar o pagamento do boleto fraudulento". A instituição bancária foi condenada também a R$ 3 mil por danos morais, importando no total de R$ 18 mil.
O mecânico Antônio Cláudio Alves Ferreira, condenado pelo ataque golpista do 8 de janeiro, que tinha sido liberado por decisão do juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, da Vara de Execuções Penais de Uberlândia, retornou à prisão por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ferreira foi reconduzido à prisão, ontem, 20, encontrado em Catalão/GO, e sua condenação prende-se ao fato de ter quebrado um relógio histórico, por ocasião da invasão e depredação dos edifícios dos Três Poderes, em Brasília. O magistrado liberou Ferreira, determinando progressão para o regime semiaberto, entendendo que ele faria jus à mudança, vez que cumpriu a fração necessária para receber o benefício, não cometeu falta grave e tem "boa conduta carcerária". O ministro assegurou que o juiz não tinha competência para decidir, além do fato de que o mecânico não cumpriu o tempo suficiente para migrar de regime. Ferreira foi condenado pelo STF, em junho/2024, a 17 anos de prisão pelos crimes de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e dano qualificado pela violência e grave ameaça, com uso de substância inflamável contra o patrimônio da União e considerável prejuízo para a vítima.
O ministro rebateu a decisão do juiz, alegando que ele "proferiu decisão fora do âmbito de sua competência" e sem autorização do STF; afirmou também que o mecânico não cumpriu a pena por tempo suficiente, porque condenado por crimes de violência e grave ameaça, reclamando, no caso, percentual maior no regime fechado. Moraes entende que Ferreira deve cumprir 25% do tempo total de condenação para merecer o benefício, diferente do tempo que ele cumpriu, 16%. O ministro escreveu que "a conduta do juiz deve, portanto, ser devidamente apurada pela autoridade policial no âmbito deste Supremo Tribunal Federal". Ontem, a Corregedoria-geral do Tribunal de Justiça de Minas Gerais abriu procedimento para investigar a decisão do juiz.
Israel e Estados Unidos podem explodir o mundo e matar bilhões, o Irã não
Começa um tempo resumido numa frase por Nikita Kruschev a John Kennedy: 'Os sobreviventes invejarão os mortos'
Tulsi Gabbard, a diretora nacional de Informação nomeada por Trump, foi taxativa em 25 de março: "A Comunidade de Informação avalia que o Irã não está construindo uma arma nuclear e o supremo líder Khamenei não autorizou a retomada do programa de armas nuclearesque suspendeu em 2003."
Contudo, a pretexto de que o Irã estaria prestes a ter uma arma atômica —seria uma questão de dias— Israel despeja bombas na República Islâmica. Como não há intersecção entre o discurso da ministra e a realidade do bombardeio, foi com uma franqueza bestial que Trump disse: "Não ligo para o que Tulsi Gabbard disse."
As armas nucleares são uma desculpa para que Tel Aviv invada uma nação ao arrepio da lei, alveje usinas nucleares e mate civis intencionalmente, três violações evidentes de tratados internacionais—da Carta da ONU à Convenção de Genebra.
Ao longo da semana, Trump e Netanyahu lustraram sua cara de pau com óleo de peroba e disseram que o toró de bombas visaria dizimar o governo de Khamenei —ilegalidade que os "faria limers" chamam de "regime change".
Esse filme já passou no Afeganistão e no Iraque, lembra? Um bando de caubóis acabaria com as armas de destruição em massa, chacinaria o mulá Omar e Saddam Hussein, e enfiaria a democracia dos "founding fathers" —como se fala nos Jardins— no reto de uma gentalha que come com a mão.
Ilustração de Bruna Barros para a coluna de Mario Sergio Conti de 20 de junho de 2025 - Bruna Barros
Resultado em Cabul: Rambo fugiu de rabo entre as pernas e o Talibãvoltou ao poder. E em Bagdá: entre 2003 a 2021, Bush 2º, Obama, Trump e Biden sepultaram 1 milhão de iraquianos; o que era uma nação virou uma colcha de retalhos étnicos e religiosos; Estados Unidos, Rússia, Inglaterra e China dividiram entre si reservas e usinas de petróleo.
Israel apregoa que o Irã não pode ter armas atômicas por ser um Estado bandido ("rogue state", diz-se no Harmonia): tortura adversários, reprime mulheres, censura a imprensa, não respeita leis nem tem bons modos. Ou seja, Teerã faz o que Pequim e Pyongyang fizeram e fazem —mas que juntaram seus arsenais atômicos sem serem molestados.
Israel, por sua vez, também tem traços de Estado pária: é autocrata em Gaza na Cisjordânia; entrou na marra na Síria, que nem de longe é uma "ameaça existencial"; matou 17 mil crianças; é acusado de crimes de guerra; fomenta a fome palestina.
Reza a lógica israelense que, como o Irã de Khamenei —"psicopata", "novo Hitler"— quer extinguir Israel, é legítimo obliterá-lo. Mas, igualmente, como Israel não aceita um Estado dos palestinos, eles podem exterminar quem os impede de tê-lo?
Quanto às armas atômicas, a questão é: por que Israel, Estados Unidos, Rússia, Índia, Reino Unido, Paquistão, França e Coreia do Norte têm direito a elas, e o Irã não?
Saiu há pouco um livro que tangencia essa questão: o tétrico "Guerra Nuclear: Um Cenário", da pesquisadora americana Annie Jacobsen, pela editora Rocco. Com base em centenas de documentos oficiais, e dezenas de entrevistas com entendidos, ela conta o que aconteceria nos 72 minutos seguintes ao hipotético disparo de um míssil rumo a Washington.
No cenário de Jacobsen, a ogiva nuclear é norte-coreana e pode dizimar 1 milhão de pessoas. Ela relata, minuto a minuto, os procedimentos americanos reais: os atos da cadeia de comando, os protocolos de contra-ataque, as tomadas de decisões, o mecanismo de interceptação de mísseis, o que faz o presidente, onde o governo se esconde, o aviso a outros países.
"Guerra Nuclear" prova que os erros são mais prováveis que os acertos. Por exemplo, o presidente tem seis minutos para decidir, com base em informações fluidas, se revida o ataque, desencadeando uma catástrofe nuclear planetária, ou aceita a morte de 1 milhão de americanos.
Nesses minutos estoura uma briga entre os militares que querem levar o presidente para um abrigo e os que querem que decida o que fazer. De atraso em atraso, erro em erro, a Rússia pensa que é o alvo americano e contra-ataca. Dos 8 bilhões de terráqueos, 5 bilhões morrem.
Tal como o conhecemos, o mundo acaba e se inicia o inverno nuclear. O céu é coberto por nuvens indevassáveis; nada germina e a fome campeia. A anarquia vige. Começa um tempo que foi resumido numa frase por NikitaKruschev, o premiê soviético, na crise dos mísseis de 1961. Ele disse a John Kennedy, o presidente americano: "Os sobreviventes invejarão os mortos."
Então, pense bem e diga quem é mais maluco, mais capaz de deflagrar uma guerra nuclear: Trump, Netanyahu, Khamenei, Kim Jong-um?