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domingo, 1 de novembro de 2020

"A FÁBRICA DE CRETINOS DIGITAIS"

Capa: "A Fábrica de Cretinos Digitais
Em comentário anterior, dissertamos sobre o filme "O Dilema das Redes", mostrando as facilidades trazida pelo mundo digital na comunicação, principalmente com as redes sociais, mas mostramos as agressões à inocência dos menores ou os abusos à boa-fé dos maiores; anotamos que essas telas não visam o bem-estar das pessoas, mas buscam somente o lucro com a atividade, através da venda ilegal aos seus anunciantes do "produto", que é o usuário, conseguindo "mudar o que você faz, o que você pensa, quem você é". Eles rastreiam, através de eficientes algoritmos a vida do usuário, seus gostos e opiniões pessoais, antecipando seus desejos nas redes sociais. Um dos técnicos afirma que a inteligência artificial já domina o homem, através das redes sociais.     

Neste oportunidade, trazemos sucinto comentário sobre a obra do escritor francês Michel Desmurget, neurocientista e diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, que trata dos males causados pelo apego desenfreado à linguagem digital, principalmente nas crianças e jovens, porque responsável pelo emperramento no desenvolvimento neural. O livro do escritor, "A Fábrica de Cretinos Digitais," é best-seller na França no qual ele assevera que a descoberta dos danos nas mentes situa-se nos testes de QI, diminuindo a inteligência com o passar do tempo. Desmurget diz que "o tempo gasto em frente a uma tela para fins recreativos atrasa a maturação anatômica e funcional do cérebro em várias redes cognitivas relacionadas à linguagem e à atenção." Assegura que o empobrecimento do uso da rede digital situa-se nos "usos recreativos", a exemplo da televisão, os videogames, principalmente os de ação e violentos e as redes sociais.   

O escritor fala sobre o tempo que se perde "em frente às telas" e informe que, em média, as crianças de dois anos estão em frente às telas por três horas, cinco horas, oito anos e mais de sete horas para adolescentes. Nos cálculos do escritor, somando todo o tempo que um menino, entre 2 e 18 anos, diante de uma tela, equivale a 30 anos escolares. Considera "simplesmente insano e irresponsável." Além de tudo que já se disse, essa conduta danifica o cérebro, prejudica o sono, a linguagem e "enfraquecem o desempenho acadêmico." Desmurget orienta para crianças acima de seis anos, o tempo de até uma hora por dia ou sem telas pela manhã, nem à noite e nunca no quarto. A dificuldade, segundo o autor, é que os pais estão sempre conectados e não têm condições de fazer essas recomendações. A afirmativa de que os videogames ajudam na obtenção de bons resultados acadêmicos não é correta, mas é "obra-prima de propaganda" e essas crianças "se assemelham às descritas por Aldous Huxley em seu famoso romance distópico Admirável Mundo Novo: atordoadas por entretenimento bobo, privadas de linguagem, incapazes de refletir sobre o mundo, mas felizes com sua sina".

Alguns países já legislam sobre o assunto, a exemplo de Taiwan na Ásia,  para considerar excessivo o uso de telas como abuso infantil e lei foi aprovada para fixar multas pesadas para os pais que não fixas limite de tempo de tela para crianças e jovens de dois a dezoito anos. Na China, crianças e adolescentes não podem usar os videogames entre 22h até 8h, nem ultrapassar a 90 minutos de uso diário, durante a semana ou 180 minutos nos finais de semanas  e nas férias escolares. Se continuar esta "orgia digital", certamente haverá aumento das desigualdades sociais, porque possuirão "ferramentas cognitivas e culturais limitadas", sem condições de compreender o mundo e desempenhar seu papel de cidadãos. 

Salvador, 31 de outubro de 2020.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados. 



Um comentário:

  1. Ratoeiras digitais.
    Assim eu defino essa questão.
    Empresas, escolas e família, três importantes células do organismo social, todas gravemente contaminadas pelo “vírus digital”.

    Poderia bem haver uma simbiose nessa relação, no entanto os vírus estão longe de tal evolução.

    Quando as três instituições, empresas, escolas e família, forem tratadas com o mesmo grau de desenvolvimento, tecnológico e filosófico, quando a família puder contar com um padrão similar de desenvolvimento intelectual, assim como os gerentes corporativos, gerações futuras poderão ter maiores chances de não se tornarem vítimas do mundo digital.

    O mesmo argumento deve ser aplicado às escolas, intermediando finalmente, a inserção de seres humanos moralmente educados, ao universo corporativo.

    Creio que essa possa ser uma boa trilha a se percorrer.

    Heneias Oliveira
    Cirurgião Dentista
    PALESTRANTE

    Diamantina MG
    38/9/9963-1879

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