Em 2023, Natália Gachukova e o marido, Andrey, saíram da Rússia em uma viagem de lua de mel. O casal deixou Astracã de carro, passando pela Turquia, Ásia Central e região do Cáucaso. Durante o percurso, o filho Mikhail, então universitário em Moscou, decidiu acompanhá-los. A família recebeu convite de uma amiga brasileira para visitar o Distrito Federal. Desde então, eles não retornaram à Rússia e passaram a viver em Brazlândia. Natália é advogada e Andrey e Mikhail trabalham com atividades próprias no Brasil. A família abriu uma confeitaria especializada em doces típicos do leste europeu. Entre os produtos estão o oreshki, biscoito recheado em formato de noz, e o salame de chocolate. Eles planejam acrescentar doces do Cáucaso e da Ásia Central ao cardápio. Natália afirma que compartilhar alimentos é uma tradição importante de sua cultura. A diversidade de povos de Astracã influenciou os sabores que a família oferece aos brasileiros. Durante a infância soviética, eles conheceram diferentes culturas e variedades de doces. Agora, pretendem apresentar parte dessa experiência aos clientes no Distrito Federal. A adaptação ao Brasil, porém, trouxe dificuldades relacionadas ao trabalho e ao idioma. Natália já estudava português, enquanto Andrey e Mikhail aprenderam depois da mudança. Atualmente, a família não pretende retornar ao país de origem.
Outra história é a da professora de idiomas Yulia Mikheeva, natural de São Petersburgo. Ela chegou ao Brasil para trabalhar, morou em Salvador e depois se mudou para Brasília. Yulia vive no país há 18 anos e administra uma escola de línguas desde 2012. Após a pandemia, o negócio passou a funcionar principalmente pela internet. Há oito anos, ela também ensina russo no Instituto Rio Branco. Yulia diz ter encontrado no Brasil uma sociedade receptiva e muitas semelhanças culturais. Ela destaca que os russos também gostam de festas e podem ser bastante divertidos. Tatyana Kovaleva chegou a Brasília no fim de 2008, após conhecer um brasileiro na Rússia. Formada em engenharia eletrônica, ela veio inicialmente sem um grande projeto de imigração. No Brasil, tornou-se tradutora, estudou direito e também letras. Atualmente, é servidora da Terracap, advogada e tradutora, atendendo principalmente estrangeiros. Ela afirma que precisou reconstruir sua vida profissional e pessoal praticamente do zero. Depois de anos de adaptação, Tatyana diz considerar o Brasil seu país de escolha e pertencimento. As histórias mostram diferentes trajetórias de russos que reconstruíram suas vidas no Brasil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário