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domingo, 20 de setembro de 2026

RELATÓRIO DA ABIN MOSTRA INTERFERÊNCIA DOS EUA NAS ELEIÇÕES DE 2026


Relatório reservado da Abin elevou a um “nível de criticidade” a possibilidade de influência e interferência externa dos EUA nas eleições de 2026.
O documento foi enviado à Presidência, ao TSE e ao Ministério da Justiça no fim de agosto. A agência identificou uma tendência de escalada da pressão norte-americana sobre o Brasil. Segundo a Abin, o governo Donald Trump prioriza a reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina e o objetivo seria reduzir a influência de potências rivais, especialmente a China, na região. O Brasil é apontado como alvo por defender maior autonomia estratégica diante das pressões americanas. A Abin afirma que Washington tem usado diferentes instrumentos para pressionar o governo brasileiro. Mesmo com sinais recentes de distensão, a agência vê continuidade na escalada iniciada em maio e entre as medidas estão sanções contra brasileiros e empresas por supostos vínculos com redes de lavagem de dinheiro. Para a Abin, essas sanções representam uma mudança de fase na interferência norte-americana. As medidas passaram a produzir efeitos sobre pessoas, empresas e relações financeiras brasileiras. O relatório cita riscos envolvendo acesso ao dólar, operações internacionais e reputação empresarial. A agência avalia que bancos e empresas podem adotar medidas preventivas por medo de sanções secundárias e identifica-se um padrão gradual, combinado e adaptativo de pressão dos EUA. Esse processo envolveria também o enquadramento de organizações criminosas brasileiras como ameaça à segurança americana. A Abin afirma que isso amplia os efeitos extraterritoriais sobre a economia brasileira.

O relatório dedica atenção especial ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. Segundo a agência, Rubio atribuiu ao presidente Lula responsabilidade pela imposição de tarifas contra produtos brasileiros. Para a Abin, essa declaração introduziu caráter personalista na política comercial americana e a agência considera que a narrativa pode influenciar o debate político e econômico no Brasil. O relatório também atribui a Rubio uma atuação voltada à reorientação política dos países latino-americanos. Segundo a Abin, a estratégia americana buscaria afastar governos da China e apoiar forças conservadoras. Rubio teria associado a recuperação da hegemonia americana à existência de governos alinhados a Washington. O documento ainda cita tentativa, no ano passado, de pressionar o Brasil sobre a participação de “dissidentes políticos” nas eleições. Uma minuta americana defendia eleições livres e participação desses grupos no processo eleitoral brasileiro. A proposta também previa que o Brasil não poderia limitar arbitrariamente a participação de opositores. Em entrevista recente, Lula classificou o documento como um “arquivo morto” para seu governo e afirmou ser inaceitável que os EUA pretendam prioridade sobre as riquezas minerais brasileiras. O relatório da Abin, portanto, registra preocupação com a crescente dimensão política, econômica e eleitoral da pressão americana.  

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