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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

DUAS ASSOCIAÇÕES DA BAHIA COM CARTEIRA DE R$ 1 BILHÃO


Duas associações de servidores da Bahia ligadas a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, tinham mais de 103 mil autorizações de desconto em contracheques em 2025. 
A carteira tinha valor estimado em R$ 1 bilhão, segundo investigação da Polícia Federal. Os dados constam de inquérito que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master. O sigilo dos documentos foi suspenso pelo ministro do STF André Mendonça e as associações Asteba e Asseba foram alvo de busca e apreensão em novembro de 2025. Augusto Lima chegou a ser preso e atualmente usa tornozeleira eletrônica. As entidades entraram na investigação após o Master informar ao Banco Central que originavam créditos consignados. Esses créditos integravam uma carteira de R$ 6,7 bilhões vendida ao BRB. Posteriormente, o Master mudou a versão e atribuiu os créditos à empresa Tirreno. A PF atribui a Lima a elaboração de carteiras consideradas fraudulentas. Uma auditoria estimou em pelo menos R$ 5 bilhões o prejuízo ao banco público. A defesa de Lima nega as acusações e afirma que não há provas contra ele ou as associações. Segundo os advogados, o Master informou equivocadamente ao Banco Central a origem dos créditos. Dados do governo baiano indicaram que os descontos eram mensalidades e serviços associativos. Em 2025, a Asteba tinha 52.176 autorizações e a Asseba, 51.111, com valor estimado das carteiras de R$ 1 bilhão, bem abaixo dos R$ 6,7 bilhões atribuídos às entidades.

Os investigadores apontaram que as associações não tinham movimentação financeira compatível com as cessões. Também foram identificadas operações envolvendo CPFs de diferentes estados. Após questionamentos do BC, o Master passou a indicar a Tirreno como originadora dos créditos. A nova versão também apresentou inconsistências, segundo os investigadores, porque o BC não encontrou movimentação financeira compatível com uma operação desse porte na Tirreno. Mesmo assim, o Master revendeu as carteiras ao BRB entre janeiro e maio de 2025 por R$ 12,2 bilhões e neste valor estava incluído um prêmio de R$ 5,5 bilhões. O Ministério Público Federal também investiga a relação entre Lima e as duas associações. Relatório do MPF afirma que as entidades foram criadas e controladas por Lima. As associações utilizavam o mesmo e-mail da empresa Terra Firme da Bahia, de propriedade dele. Lima foi presidente da Asteba e, segundo o relatório, teria mantido influência após deixar o cargo e figuraria como procurador da Asseba, com poderes para movimentar recursos. A defesa afirma que Lima deixou o Banco Master em maio de 2024 e não movimentava as contas das entidades. Os advogados sustentam que os contratos eram regulares e dizem confiar na comprovação de sua inocência.

 

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