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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

EUA APRESENTOU PROPOSTA, MISTURANDO QUESTÕES COMERCIAIS E POLÍTICA INTERNA


O governo dos Estados Unidos apresentou ao Brasil, em outubro de 2025, uma proposta que misturava questões comerciais e temas da política interna brasileira. 
O documento chegou ao Itamaraty em 16 de outubro, durante reunião do chanceler Mauro Vieira com Marco Rubio e Jamieson Greer. Entre as exigências estavam garantias para a participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026; foi sugerida também a compra de aeronaves Boeing por companhias aéreas brasileiras. Outra condição envolvia preferência a empresas americanas em negócios com minerais críticos, mas o governo brasileiro rejeitou integralmente as propostas. Segundo interlocutores, os pontos mais sensíveis sequer foram levados à mesa nas conversas com Rubio e Greer. A diplomacia brasileira classificou reservadamente a iniciativa como uma espécie de “bullying”. Para integrantes do Itamaraty, parte das exigências extrapolava as atribuições do Executivo brasileiro. A referência a “dissidentes políticos” foi imediatamente rechaçada. O entendimento era de que a expressão não possui respaldo jurídico no sistema eleitoral brasileiro. O Executivo também não poderia interferir nas regras de elegibilidade ou garantir a participação de candidatos. A exigência relacionada à Boeing foi considerada inviável. As companhias aéreas são responsáveis por definir os aviões que integrarão suas frotas. A minuta ainda tratava do Pix e da atuação do Banco Central na regulação dos meios eletrônicos de pagamento. Washington defendia o chamado princípio da “neutralidade competitiva”.

Os americanos também pediam a retirada de tarifas sobre produtos como etanol, químicos, máquinas, veículos e itens tecnológicos. Nos minerais críticos, os EUA queriam ser informados previamente sobre transferências de controle de ativos brasileiros e defendiam preferência para empresas americanas em eventuais negócios do setor. A questão ganhou importância devido à disputa internacional por matérias-primas estratégicas. Apesar das exigências, elas não apareceram no comunicado oficial sobre a reunião. Brasil e EUA classificaram as conversas como “muito positivas”. Os dois países concordaram em estabelecer uma agenda de trabalho em diversas áreas. A nota também mencionou a intenção de organizar um encontro entre Lula e Trump. Não houve referência a eleições brasileiras ou a “dissidentes políticos”. Na época, o governo brasileiro avaliou o encontro como início de uma negociação para reduzir as sobretaxas americanas. Vieira voltou a defender a retirada das tarifas impostas aos produtos brasileiros. Greer ficou responsável pela frente comercial e pelo cronograma das negociações. Para interlocutores brasileiros, a rejeição das exigências políticas manteve o diálogo concentrado na área econômica. O Itamaraty avaliou que a recusa à proposta não interrompeu o canal de negociação com Washington.

 

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