O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou seu discurso na Assembleia-Geral da ONU para ameaçar o uso de força militar nas Américas, criticou a ONU, destacou a guerra contra o Irã e aumentou a pressão sobre países latino-americanos. Ao abordar os cartéis, comparou-os ao Estado Islâmico, classificando-os como inimigos da civilização, porque os grupos utilizam assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror. Ele afirmou que os EUA não permitirão ameaças aos seus interesses em qualquer parte do hemisfério Ocidental, ameaçou usar seu poderio militar para proteger interesses nacionais. O presidente também mencionou a capacidade militar da Venezuela, mas afirmou que isso não deteve os EUA. Ele declarou que pretende combater o tráfico de drogas e designou cartéis como organizações terroristas. Ele não citou diretamente o Brasil nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas em maio, o governo americano havia designado PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Trump foi o segundo chefe de Estado a discursar no primeiro dia da Assembleia-Geral. Lula falou antes dele, seguindo a tradição de o Brasil abrir o debate geral e os EUA virem em seguida. O discurso ocorre menos de dois meses antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e Trump enfrenta uma guerra em curso com o Irã e índices de aprovação em baixa. Sobre o conflito, iniciado no fim de fevereiro, disse ter uma decisão importante a tomar e poderá buscar um acordo com Teerã ou destruir rapidamente a República Islâmica. Trump afirmou acreditar que os dois países poderão chegar a um acordo após as eleições de novembro e justificou a guerra alegando que ofereceu ao Irã oportunidades para negociar, mas afirmou que não permitirá que o país desenvolva uma arma nuclear. Mesmo diante das ameaças, Trump voltou a afirmar que solucionou oito conflitos internacionais. No ano passado, ele havia feito declaração semelhante sobre sua atuação em guerras.
O discurso também ocorreu em meio à pressão sobre Cuba, afetada por apagões e sanções americanas e declarou que o secretário de Estado, Marco Rubio, tenta negociar um acordo com o governo cubano. A situação cubana continua sendo acompanhada pelo governo americano. O discurso marcou uma mudança de tom em relação à fala de Trump na ONU no ano anterior. Desta vez, o presidente priorizou segurança, ameaças externas e demonstrações de força. As declarações reforçaram a pressão americana sobre governos e grupos considerados ameaças. Trump também relacionou sua política externa à proteção dos interesses estratégicos dos Estados Unidos. O discurso ocorreu em um cenário de conflitos internacionais e disputas políticas internas. As eleições de meio de mandato acrescentam pressão sobre o governo americano. A política para o Irã, a América Latina e Cuba deve continuar entre os principais temas da administração.
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