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terça-feira, 15 de setembro de 2026

A "IA" NA PROPAGANDA ELEITORAL


A inteligência artificial tornou-se recurso estético na propaganda eleitoral e já aparece nas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro. 
O uso, porém, é ainda mais intenso entre candidaturas menores, com baixo orçamento. Dirlene Ferreira, candidata do Novo à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, usa IA em praticamente todas as imagens de suas redes sociais. Até sua foto oficial para a urna passou por ferramentas de inteligência artificial. Segundo ela, a tecnologia foi utilizada para melhorar a qualidade das imagens e facilitar a produção de conteúdo. Na prestação de contas ao TSE, sua campanha não registrou receitas ou despesas e ela não declarou bens. Dirlene afirma que encontrou na IA uma maneira prática e acessível de divulgar seu trabalho. Questionada sobre a transparência de imagens artificiais, negou esconder sua identidade ou criar uma realidade diferente, afirmando que sua candidatura é real e que pretende demonstrar transparência por meio de ações e prestação de contas. Segundo a plataforma Pangram, todas as respostas dadas pela candidata à reportagem foram produzidas por IA. Para o professor Diogo Cortiz, da PUC-SP, a tecnologia permite produzir conteúdos audiovisuais de forma mais rápida e barata. Na campanha de Lula, a IA aparece principalmente em recursos visuais, como animações inspiradas em jogos. A estratégia busca dialogar especialmente com o público jovem. Na campanha de Flávio Bolsonaro, a tecnologia cria personagens e ambientes de computação gráfica, inclusive em favelas. Para Cortiz, esse uso é mais sensível porque pode construir representações de uma realidade inexistente.

A IA também permite testar rapidamente diferentes cenários, atores e representações de raça.
O especialista alerta que identificar imagens geradas artificialmente está cada vez mais difícil.
Para a professora Giselle Beiguelman, a tecnologia favorece uma produção seriada e de baixo esforço, voltada ao engajamento. Ela chama esse fenômeno de “slop”, caracterizado por imagens sintéticas produzidas em grande escala. Segundo Beiguelman, design não se limita a criar imagens de impacto, mas envolve contexto, informação e legibilidade. Características como iluminação exagerada e excesso de detalhes não comprovam que uma imagem foi feita por IA. As regras eleitorais do TSE dividem os usos da tecnologia em diferentes categorias. Aplicações meramente cosméticas, como correção de brilho ou timbre de voz, não exigem aviso. Já conteúdos que criam ou substituem elementos por uma realidade inexistente devem receber aviso explícito e acessível. Também são proibidos bots que se passam por humanos, desinformação e deepfakes realistas de pessoas reais. A norma não determina tamanho mínimo da letra ou duração específica para os avisos. Segundo o advogado Fernando Neisser, a intenção é evitar excesso de rótulos que banalize os alertas. A fiscalização ocorre principalmente a partir de representações apresentadas por adversários políticos. Isso pode contribuir para que candidaturas menores sejam mais frequentemente questionadas. A expansão da IA nas eleições amplia o debate sobre transparência, autenticidade e os limites da comunicação política digital. 

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