A velocidade dos ônibus em São Paulo cai para 12,37 km/h no pico da tarde, segundo dados da SPTrans. O índice foi registrado às quartas-feiras, pior dia da semana, entre 17h e 19h30. Nesse ritmo, os coletivos são mais lentos que uma galinha e muito abaixo dos patinetes elétricos. Fora do horário de pico, a maior velocidade chega a 28,84 km/h durante a madrugada. Na comparação com 2019, os ônibus também circulam mais lentamente em alguns trechos. No pico da manhã, a média atual é de 15 km/h, contra 16 km/h antes da pandemia. Nos corredores, a velocidade caiu de 22 km/h para 20 km/h no mesmo período. Especialistas apontam a falta de prioridade ao transporte coletivo como uma das causas. Ciro Biderman, da FGV Cidades, defende mais corredores eficientes e faixas exclusivas. Segundo ele, maior velocidade reduziria custos e permitiria aumentar a frequência dos ônibus. Paris registra média de 8,85 km/h nos horários de pico, enquanto Barcelona chega a 10,8 km/h. Londres apresenta média de 14,76 km/h, pouco acima da registrada na capital paulista. A Prefeitura afirma ter entregue 54 km de faixas exclusivas e novos trechos de corredores. Também estão em obras os BRTs Radial Leste e Aricanduva e outros corredores importantes. Em Curitiba, o BRT alcança média de 20 km/h em faixas prioritárias nos horários de pico. A lentidão e a irregularidade dos ônibus têm contribuído para a perda de passageiros. Segundo dados da SPTrans, o sistema transportou 166,5 milhões de passageiros em julho de 2026. No mesmo mês de 2019, foram quase 212 milhões, uma redução de aproximadamente 22%. A frota também diminuiu, passando de 14.151 para 13.573 veículos.
Especialistas apontam um ciclo de queda de passageiros, ônibus e velocidade. O congestionamento e a falta de infraestrutura agravam os atrasos no transporte coletivo. Além da lentidão, investigações apontam suspeitas de infiltração do PCC em empresas de ônibus. A Operação Vectura Corrupta afirma que 12 empresas da Grande São Paulo seriam controladas pela facção. Uma das companhias investigadas é a Transwolff, que atua na zona sul e nega irregularidades. A investigação levou à prisão do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Milton Leite. Outras 15 pessoas tiveram mandados de prisão expedidos e 18 endereços foram alvo de buscas. A Prefeitura afirma que analisa contratos e possíveis vínculos com os fatos investigados. O município também diz que não compactua com irregularidades e colabora com as autoridades. A gestão destaca ainda investimentos em ônibus elétricos, ar-condicionado, USB e internet. O desafio permanece melhorar a velocidade, a frequência e a segurança do transporte coletivo.
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