Na segunda-feira (16), um juiz dos Estados Unidos bloqueou temporariamente medidas das autoridades federais de saúde que pretendiam reduzir o número de vacinas recomendadas para crianças. O magistrado afirmou que o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., provavelmente violou procedimentos federais ao reformular um importante comitê consultivo de imunização. A decisão suspende uma ordem anunciada em janeiro que pretendia acabar com recomendações gerais para vacinação infantil contra gripe, rotavírus, hepatite A, hepatite B, algumas formas de meningite e o vírus sincicial respiratório (VSR). Grupos médicos expressaram forte preocupação com as mudanças propostas pela gestão Kennedy, afirmando que elas poderiam enfraquecer a proteção contra diversas doenças. A American Academy of Pediatrics (AAP) e outras entidades reapresentaram uma ação judicial pedindo que a Justiça impedisse a redução do calendário nacional de vacinação infantil. O processo original, analisado em um tribunal federal de Boston, questionava a decisão de Kennedy de deixar de recomendar a vacina contra a COVID-19 para a maioria das crianças e mulheres grávidas.
A ação foi atualizada após novas medidas adotadas pelo secretário, consideradas alarmantes por sociedades médicas. Os autores pediram ao juiz Brian E. Murphy que analisasse também as mudanças feitas no Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização (Acip), responsável por orientar autoridades de saúde sobre vacinas. Kennedy, conhecido por posições críticas às vacinas antes de assumir o cargo, demitiu todos os 17 membros do comitê no ano passado e os substituiu por um novo grupo. Segundo o juiz, a reestruturação do Acip provavelmente violou a lei federal, determinando a suspensão das nomeações e das decisões tomadas pelo novo comitê. O porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, Andrew Nixon, afirmou que o governo espera reverter a decisão judicial. Uma reunião do Acip prevista para esta semana, que discutiria vacinas contra covid-19, foi adiada. O advogado Richard Hughes IV, que representa a AAP, disse que o comitê não pode se reunir na atual configuração. Segundo ele, “um comitê não pode funcionar sem quase todos os seus membros”.
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