O ex-banqueiro Daniel Vorcaro terá de apresentar provas inéditas e indicar a recuperação de valores desviados para que sua delação premiada seja aceita. Reforçar o que já foi apurado não garante benefícios, como evitar prisão. Apesar do interesse inicial dos investigadores, a homologação no STF não é certa e exige critérios rigorosos. A negociação envolve defesa, PGR e Polícia Federal, exigindo consenso entre os órgãos — um primeiro obstáculo. A expectativa é de que as tratativas avancem por cerca de três meses, antes da decisão do relator André Mendonça. Atalhos, como repetir dados já apreendidos no caso Master, podem levar à rejeição do acordo. A PF apreendeu 111 celulares, oito de Vorcaro, mas apenas um foi periciado até agora. Inicialmente, aliados indicaram que ele não envolveria ministros do STF, o que desagradou investigadores. Depois, advogados afirmaram que ele não pouparia ninguém, destravando a negociação. Interlocutores indicam que o acordo será conduzido com rigor, dada a posição central de Vorcaro no esquema. Os benefícios dependerão do grau de colaboração e detalhamento das informações. Como apontado líder da organização, perdão judicial ou pena leve são descartados. As vantagens devem se limitar à redução de pena ou melhores condições de cumprimento.
Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli aparecem em suspeitas ligadas ao caso, mas negam irregularidades. Mensagens entre Vorcaro e Moraes foram registradas no dia da prisão, em novembro. Reportagem apontou contratação de escritório ligado à esposa de Moraes pelo Master. Toffoli deixou a relatoria após revelação de vínculo indireto com fundo ligado ao banco. Vorcaro assinou termo de confidencialidade na última quinta-feira (19). Antes, sua defesa rejeitava a ideia de delação, apostando na defesa no mérito. Agora, ele terá de confessar crimes, explicar fatos e apresentar provas. Mesmo assim, parte das evidências seguirá sendo apurada de forma independente. Investigadores avaliam que só ele pode esclarecer pontos centrais do esquema. O rombo do caso Master supera R$ 57 bilhões, segundo dados disponíveis. O FGC deve ressarcir cerca de R$ 51,8 bilhões aos clientes. Outros prejuízos ainda são apurados, inclusive em bancos e fundos. O termo de confidencialidade impede uso das declarações se o acordo fracassar. Vorcaro passou a se reunir com advogados para organizar sua versão dos fatos. Após essa fase, o material será apresentado às autoridades para validação. Só então poderão ocorrer depoimentos formais e avanço do acordo.
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