Há um paradoxo na relação de Donald Trump com a imprensa: ele a ataca constantemente, mas também recorre a ela em momentos de চাপ político. A guerra no Irã intensificou esse comportamento, com aumento de entrevistas e declarações públicas. Apesar de ameaçar emissoras críticas e ofender jornalistas, Trump concedeu ao menos 25 entrevistas em 20 dias de conflito, muitas por telefone e com pouco espaço para questionamentos. Logo no início da guerra, ele falou com veículos como The New York Times, The Atlantic e a ABC News, projetando o fim do conflito em quatro semanas — previsão que não se confirmou. Mesmo assim, Trump acusa a imprensa de divulgar “notícias falsas” e atacar o país, mantendo discurso agressivo contra veículos críticos. Especialistas apontam falta de coerência na comunicação do governo. Para Allison Prasch, não há justificativa clara ou mensagem consistente sobre a guerra. Essa postura se repete entre aliados. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que não há prazo para o fim do conflito e também criticou a imprensa, apesar de declarar que os EUA “estão vencendo”. O Pentágono restringiu o acesso de fotojornalistas e tentou impor regras prévias para publicação de reportagens, rejeitadas por grandes veículos.
A retórica contra a mídia se intensificou com ameaças do chefe da Federal Communications Commission, Brendan Carr, que sugeriu retirar licenças de emissoras por cobertura considerada inadequada. Casos recentes envolveram pressões sobre programas de TV e conteúdos políticos, levantando preocupações sobre liberdade de imprensa. Analistas, como Tom Jones, do Poynter Institute, veem nessas ações traços de intimidação típicos de regimes autoritários. Segundo ele, o objetivo seria forçar uma cobertura mais favorável ao governo, semelhante a uma mídia estatal. Apesar da estratégia, Trump enfrenta alta rejeição: 58% de desaprovação, segundo pesquisas Reuters/Ipsos. Além disso, 55% dos americanos desaprovam os ataques ao Irã, indicando baixa popularidade da guerra. Especialistas apontam que o conflito também serve como distração para problemas internos, como o custo de vida e tensões políticas. No entanto, o aumento do preço dos combustíveis já impacta a população, dificultando o desvio de foco. Assim, a guerra tende a pressionar ainda mais o governo, tanto no cenário externo quanto no doméstico.
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