Agentes federais fazem operação na casa da deputada democrata Ilhan Omar
Autoridades dos Estados Unidos realizaram uma operação de busca na casa da deputada democrata Ilhan Omar, na região de Washington, ontem, 12. A parlamentar, representante de Minnesota, é uma das principais críticas do presidente Donald Trump. Segundo o Departamento de Justiça, a ação integra uma investigação em andamento. A apuração envolve suspeitas de fraude imigratória relacionadas a documentos da família de Omar. Nascida na Somália, a deputada teve documentos de imigração preenchidos por seu pai, já falecido, quando ainda era criança. Omar acusou o governo de instrumentalizar instituições federais para perseguir adversários políticos. Ela afirmou que Trump a ataca há dez anos com mentiras e campanhas difamatórias. A congressista declarou que não pretende se calar diante daquilo que considera intimidação política. Outros democratas também condenaram a operação e denunciaram possível abuso de poder. Aos 44 anos, Omar disputa um quinto mandato na Câmara dos Representantes, nas eleições de 3 de novembro. Agentes da Investigação de Segurança Interna cumpriram um mandado judicial, segundo o Departamento de Justiça. A agência integra o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas, conhecido como ICE. No mês passado, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, antecipou possíveis desdobramentos da investigação. Ele afirmou que, se fosse comprovado que Omar não deveria ter entrado nos EUA, poderia haver deportação. A operação ocorreu pouco mais de três semanas antes das eleições legislativas de meio de mandato. O Partido Republicano tenta manter o controle do Congresso, enquanto os democratas buscam ampliar sua representação.
Omar integra a ala progressista democrata e representa um distrito eleitoral considerado seguro para o partido. Em 2024, ela foi reeleita com uma vantagem de 50 pontos percentuais. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, classificou a operação como profundamente perturbadora. Em declaração conjunta, dirigentes democratas questionaram o uso do governo federal contra adversários de Trump. Eles acusaram os republicanos de perseguir implacavelmente a deputada e prometeram cobrar responsabilização. O governador de Minnesota, Tim Walz, também criticou a ação e acusou Trump de abuso de poder. As normas do Departamento de Justiça proíbem ações investigativas destinadas a influenciar resultados eleitorais.Tradicionalmente, a pasta evita medidas contra candidatos nos 60 dias anteriores a uma votação. Durante seu segundo mandato, Trump viu o Departamento de Justiça investigar diversos adversários políticos. Entre eles estão o ex-diretor do FBI James Comey e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James. Também foram investigados John Bolton, Adam Schiff e Lisa Cook, diretora do Federal Reserve. Omar considera assustadora a atenção que recebe do presidente, a quem acusa de manter uma obsessão contra ela. Trump também tem feito declarações hostis contra a comunidade somali-americana e os muçulmanos. Na semana passada, chamou o democrata Abdul El-Sayed de extremista radical e simpatizante de terroristas. O candidato disputa uma vaga no Senado por Michigan, e Trump declarou apoio ao adversário republicano Mike Rogers.
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