O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, afirmou ontem, 4 que as investigações sobre possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras devem ser conduzidas com cuidado. Segundo ele, o caso deve ser apurado sem “alarde”, mas também sem desprezar informações relevantes. A Polícia Federal (PF) analisa preliminarmente denúncias de que o governo de Donald Trump teria financiado grupos de extrema-direita no Brasil. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o procedimento ainda não se transformou em inquérito oficial. A investigação foi solicitada pela Advocacia-Geral da União (AGU), após reportagem do jornal britânico The Guardian. Segundo a publicação, cerca de R$ 5,2 milhões teriam sido destinados a grupos de extrema-direita. Os recursos seriam provenientes do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado americano. A verba teria como objetivo combater o chamado “lawfare” e a censura no Brasil. Lima e Silva afirmou que a apuração está sob responsabilidade da Diretoria de Inteligência Policial. Antes disso, o caso passou pela Corregedoria da Polícia Federal. O ministro disse que os resultados serão divulgados conforme o avanço das investigações. Andrei Rodrigues também negou a existência de riscos concretos contra embaixadas estrangeiras em Brasília. Representações dos Estados Unidos e da Austrália haviam suspendido serviços na sexta-feira (2).
As embaixadas alegaram preocupações relacionadas à segurança durante o período eleitoral. Segundo Rodrigues, a PF não encontrou qualquer plano de ataque contra representações diplomáticas. “Não havia plano, não havia nada que tenhamos identificado”, afirmou o diretor-geral. A PF também realizou operações para investigar possíveis interferências no processo eleitoral. Em Roraima, agentes apreenderam mais de R$ 300 mil em dinheiro vivo. Rodrigues afirmou que os valores apreendidos apresentavam possível vínculo com a eleição. A Polícia Federal também divulgou um balanço das investigações sobre crimes eleitorais. Até aquele momento, havia 1.292 inquéritos relacionados a crimes eleitorais. Outros 97 procedimentos investigavam casos de violência política de gênero. A PF instaurou inquéritos em oito estados e no Distrito Federal. Entre os crimes investigados estão propaganda eleitoral irregular e corrupção eleitoral. A compra de votos aparece entre as principais ocorrências identificadas pela corporação. Até o fim da manhã de sábado, 28 pessoas haviam sido detidas e foram apreendidos bens avaliados em mais de R$ 45,6 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 30,2 milhões correspondiam a dinheiro em espécie. As autoridades afirmam que as investigações continuam para esclarecer eventuais irregularidades.
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