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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

FUZILAMENTO NOS EUA SERÁ TRANSMITIDO AO VIVO


O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que a execução do ex-major Nidal Hasan, prevista para 3 de dezembro, será pública e transmitida ao vivo. Hasan matou 13 soldados americanos desarmados na base militar de Fort Hood, no Texas, em 5 de novembro de 2009. O Pentágono anunciou nesta semana a decisão de executar o ex-militar, na primeira execução de um integrante das Forças Armadas americanas em mais de 60 anos. Hegseth defendeu a publicidade da execução, argumentando que a população precisa compreender as consequências de crimes dessa gravidade. Em entrevista ao canal conservador Real America's Voice, declarou que Hasan receberá um pelotão de fuzilamento. Questionado sobre possíveis pedidos finais do condenado ou contato com o presidente Donald Trump, Hegseth respondeu que não estava interessado e mencionou a data prevista. Segundo um funcionário do Departamento de Defesa, a execução deverá ser transmitida ao vivo. A BBC procurou a Casa Branca para esclarecer se Trump apoia a transmissão pública de uma execução. O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que Hegseth recomendou a medida e que o presidente a aprovou. Hasan era psiquiatra do Exército americano, natural da Virgínia, e admitiu em julgamento ter realizado o ataque. O massacre ocorreu em um edifício médico lotado, onde militares que seriam enviados ao exterior aguardavam exames e vacinação. O episódio ficou conhecido como o ataque a tiros mais mortal contra uma instalação militar americana fora de uma situação de combate.

Durante o julgamento, Hasan pediu desculpas por eventuais erros e alegou acreditar que protegia muçulmanos e o Talebã no Afeganistão. A possibilidade de uma execução pública provocou questionamentos jurídicos e críticas de especialistas. John Mills, advogado que trabalha com condenados à morte, afirmou que não existe precedente semelhante na era moderna. Para ele, a iniciativa parece transformar a execução em um espetáculo grotesco, cercado de incertezas legais. A legislação americana exige autorização presidencial para execuções militares e revisão judicial em segunda instância. Entretanto, o processo de apelação de Hasan ainda não foi concluído. Mills avalia que a defesa deverá buscar a revisão da condenação e da sentença em um tribunal federal. Esse procedimento provavelmente suspenderia a execução enquanto os recursos fossem analisados. Por isso, o advogado afirmou que ficaria surpreso se a execução realmente ocorresse na data anunciada. Ele também criticou a intenção de transmitir o procedimento ao vivo. Segundo Mills, a iniciativa parece uma tentativa do governo Trump de chamar a atenção pública. Na avaliação do advogado, a proposta dificilmente será concretizada e não contribuirá para a realização da Justiça.

 

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