Após um fim de semana de protestos por moradia, Pedro Sánchez anunciou a dissolução do Parlamento espanhol. As eleições foram convocadas para 29 de novembro, em meio à crise habitacional do país. O primeiro-ministro aposta na insatisfação popular para superar um Congresso atualmente hostil. Na semana passada, a oposição derrubou dois decretos de seu governo relacionados à habitação. A crise ganhou força após o despejo de uma idosa de 87 anos, que repercutiu internacionalmente. Sánchez afirmou que precisa renovar o apoio popular e conquistar uma maioria progressista. Segundo ele, isso permitiria ampliar avanços sociais e enfrentar interesses estabelecidos. O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, comemorou a convocação das eleições, porque o pleito permitirá ao país encerrar o atual período político e iniciar uma nova etapa. Feijóo também criticou o governo socialista, associando-o a corrupção e dificuldades econômicas. A decisão de Sánchez é considerada uma estratégia de risco por analistas políticos. Pesquisas apontam enfraquecimento do bloco de esquerda espanhol, segundo o texto. Escândalos envolvendo pessoas próximas ao primeiro-ministro também afetaram sua imagem. A condução da crise migratória em Ceuta é outro fator de desgaste para o governo. Sánchez reconheceu que parte de sua base social está insatisfeita com sua administração. Ainda assim, defendeu a necessidade de manter a Espanha como referência de justiça social.
Entre as medidas propostas estava a proibição de despejos de inquilinos vulneráveis até 2030. O governo também queria prorrogar o congelamento de aluguéis por dois anos. Novas regras para contratos de locação de curto prazo estavam entre as propostas. A Puerta del Sol, em Madri, tornou-se o principal símbolo dos protestos por moradia. Mais de 1.200 tendas foram registradas no acampamento mantido no local. Os manifestantes exigem a aprovação dos chamados decretos Maricarmen, em homenagem à idosa despejada. As propostas foram rejeitadas pela oposição com apoio do partido separatista catalão Junts. O Junts havia apoiado Sánchez de forma intermitente após um acordo envolvendo anistia a seus dirigentes. O governo avalia reapresentar medidas habitacionais com alterações para tentar aprová-las. Os protestos atingem especialmente os jovens, afetados pela forte alta dos aluguéis na última década. O Sindicato de Inquilinos defende uma greve geral e a ampliação do movimento para outras categorias. A Justiça negou um pedido da prefeitura de Madri para retirar os manifestantes da Puerta del Sol. Sánchez também destacou sua atuação internacional em defesa da Ucrânia, da UE e da ONU. O líder do Vox, Santiago Abascal, afirmou que ainda não há favoritos para as eleições de novembro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário