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sábado, 12 de setembro de 2026

O "11 DE SETEMBRO DE 2001" CONTINUA NA MEMÓRIA DO AMERICANO


Javed Ali dirigia para o trabalho em 11 de setembro de 2001 quando ouviu no rádio as primeiras notícias sobre o ataque ao World Trade Center. 
Meia hora antes de um avião sequestrado atingir o Pentágono, passou de carro perto do local e viu a fumaça subir. A memória daquele dia permanece viva para ele e para grande parte dos americanos. Pesquisa do Pew mostra que 83% dos adultos nascidos antes de 2001 lembram onde estavam quando souberam dos ataques. Os atentados provocaram medo, raiva e apoio à resposta militar contra os responsáveis, mas a percepção da ameaça mudou: hoje, o terrorismo doméstico preocupa mais que o estrangeiro. Pesquisa Reuters/Ipsos aponta 33% preocupados com terrorismo doméstico, contra 20% com o internacional. Para Ali, ataques recentes são praticados principalmente por americanos radicalizados, agindo sozinhos. Segundo ele, o 11 de Setembro rompeu a sensação de segurança existente após o fim da Guerra Fria. O país, protegido por dois oceanos e dominante militarmente, não esperava um ataque daquela dimensão. Ali, que trabalhou em órgãos de inteligência e segurança, acompanhou a transformação do combate ao terrorismo. Após os ataques, os EUA criaram estruturas como a TSA e o Departamento de Segurança Interna (DHS), além de ampliarem a proteção de infraestruturas consideradas possíveis alvos da Al Qaeda. Washington ainda recorreu à força militar, invadindo o Afeganistão e combatendo grupos jihadistas em outros países. Para Ali, a ausência de outro ataque estrangeiro de escala semelhante demonstra a eficácia de parte desse aparato, mas ele considera equivocadas algumas medidas adotadas depois de 2001, como a prisão de suspeitos em Guantánamo.

Vinte e cinco anos depois, os processos contra acusados de planejar os atentados ainda não foram concluídos. Ali também critica técnicas de interrogatório, como o afogamento simulado, usadas durante o governo George W. Bush. Questiona ainda os programas secretos de vigilância da NSA e a coleta em massa de registros telefônicos. Para ele, era preciso avaliar os resultados e os custos dessas medidas para a sociedade. O especialista também considera a invasão do Iraque um erro, pois não houve evidência de envolvimento nos atentados. As guerras posteriores provocaram milhares de mortes, feridos e graves consequências para veteranos e civis. Os conflitos também custaram trilhões de dólares aos Estados Unidos. Segundo Ali, a ameaça terrorista atual é diferente daquela enfrentada em 2001. O perigo vem menos de organizações estrangeiras e mais de indivíduos radicalizados dentro do próprio país. Isso explica a crescente preocupação americana com o terrorismo doméstico. Apesar dos avanços na segurança, Ali afirma que o terrorismo continua sendo um desafio permanente. A natureza da ameaça, porém, pode mudar novamente nas próximas décadas. “Ele apenas assume formas diferentes em períodos diferentes”, resume o especialista. 

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