Muitos pais relatam que os principais obstáculos para ter filhos não são financeiros, mas a qualidade da saúde pública, das creches e da educação. Mulheres entrevistadas afirmam que os auxílios foram vistos como ganhos pontuais, sem garantir segurança para criar os filhos no longo prazo. Experiências semelhantes em países como Coreia do Sul e Suécia mostram que incentivos financeiros, isoladamente, não conseguem sustentar o aumento da natalidade. Fatores como estabilidade econômica, confiança no futuro, igualdade de gênero, creches acessíveis e divisão equilibrada das tarefas familiares têm papel decisivo. Após gastar cerca de 5% do PIB em políticas familiares, a Hungria segue enfrentando baixa natalidade. O novo governo revisa os programas, enquanto milhares de casais, como Barbara e Levi, convivem com a frustração de não terem formado a família desejada e com o risco de dificuldades financeiras.
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domingo, 21 de junho de 2026
HUNGRIA ESTIMULA NATALIDADE, MAS CONTINUA ENFRENTANDO BAIXA NATALIDADE
A Hungria investiu bilhões em políticas para estimular a natalidade, oferecendo empréstimos sem juros, subsídios habitacionais e benefícios fiscais a casais que prometessem ter filhos. O objetivo era reverter a queda populacional e reduzir a dependência da imigração. Entre os beneficiados estão Barbara Elek e o marido, Levi, que contraíram empréstimos condicionados ao nascimento de filhos. Após sucessivas tentativas de fertilização in vitro, o casal corre o risco de ter que devolver os recursos com juros e multas caso não consiga comprovar uma gravidez. A taxa de fecundidade do país subiu de 1,25 filho por mulher em 2010 para 1,59 em 2020, mas voltou a cair e chegou a 1,31 em 2025, distante do nível de reposição populacional de 2,1. Especialistas divergem sobre os resultados. Alguns defendem que as medidas evitaram uma queda ainda maior dos nascimentos. Outros afirmam que os incentivos apenas anteciparam gestações que ocorreriam de qualquer forma. Pesquisadores apontam que os benefícios funcionaram melhor entre famílias do interior e da classe média baixa, mas tiveram impacto limitado nas grandes cidades, onde o custo de vida é mais elevado.
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