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domingo, 5 de abril de 2026

TRUMP NÃO AVALIA A VIDA HUMANA PARA PROMOVER GUERRAS


Há cerca de um ano, líderes europeus contornavam as bravatas de Donald Trump com gestos diplomáticos. Nas últimas semanas, porém, o presidente americano passou a somar insultos às ameaças. 
A postura cautelosa da Europa diante da guerra no Irã levou Trump a chamá-la de covarde. Em um dos momentos mais delicados da relação transatlântica, a tendência é de agravamento. Do lado europeu, há hesitação. Cinco semanas após o início dos bombardeios, o continente evita entrar em um conflito visto como caro, inoportuno e impopular, posição compartilhada até por setores populistas. Na Alemanha, a AfD, mesmo liderando pesquisas, optou por não apoiar publicamente Trump. Ao mesmo tempo, a ultradireita sofreu reveses eleitorais na França e na Itália. A Europa tem priorizado impactos econômicos e riscos internos, como alta dos combustíveis, imigração e terrorismo, mais do que reagir às provocações americanas. O premiê britânico Keir Starmer evitou confrontos diretos, enquanto Emmanuel Macron elevou o tom após comentários pessoais feitos por Trump. Macron criticou a falta de consistência do americano e destacou a gravidade da guerra, envolvendo vidas civis e militares.

Até então, líderes europeus buscavam apenas conter Trump, alertando para os custos geopolíticos de aderir ao conflito liderado pelos EUA e Israel. Apesar da aparente ausência, a Europa segue apoiando indiretamente operações, com bases no Reino Unido, Açores e Alemanha sendo usadas por forças americanas. Essas ações vão além de medidas defensivas e mostram a dependência estratégica entre Europa e EUA. Diplomatas avaliam que “administrar” Trump tem sido a principal estratégia, diante do temor de uma Otan sem os EUA frente à Rússia. Nesse contexto, cresce a influência indireta de Vladimir Putin, que se beneficia de ajustes no mercado de petróleo e alívio de sanções. Moscou ainda tentou negociar apoio ao Irã em troca de vantagens na Ucrânia, sem sucesso. A eleição na Hungria, em 12 de abril, adiciona tensão, podendo encerrar o longo governo de Viktor Orbán, aliado de Putin. A possível vitória de Péter Magyar preocupa Washington, que acompanha de perto o cenário político húngaro. No tabuleiro geopolítico, a relação entre Europa e EUA enfrenta um distanciamento raro, marcado por desconfiança e interesses divergentes. 

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