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sábado, 31 de outubro de 2026

IA E AUTOMAÇÃO TRANSFORMAM O MERCADO DE TRABALHO


A inteligência artificial e a automação estão transformando o mercado de trabalho brasileiro e mundial, mas seus efeitos são desiguais. Enquanto aumentam a produtividade e os rendimentos em setores tecnológicos, ameaçam empregos tradicionais e dificultam a entrada dos jovens no mercado. O livro “Trabalho e Emprego Onde?”, organizado por Fabio Giambiagi, Letícia Magalhães e Paulo Faveret, reúne estudos sobre os impactos das novas tecnologias no campo, nas empresas, no serviço público e na economia global. No agronegócio, a modernização reduziu a necessidade de trabalhadores braçais, mas elevou significativamente a produtividade. Entre 2012 e 2025, o número de trabalhadores diretos na produção agrícola caiu 23,8%, passando de 10,2 milhões para 7,8 milhões. Em contrapartida, a produtividade por hora trabalhada cresceu 444% entre 1995 e 2024, passando de R$ 7,50 para R$ 40,80. A contratação de profissionais com ensino superior no setor aumentou 107,6%, contribuindo para elevar em 33% o rendimento médio real dos trabalhadores. O crescimento do agronegócio também beneficiou as cidades do interior. Nas regiões agrícolas, o desemprego caiu para 5,1% em 2025, enquanto o setor de serviços alcançou 53,4 milhões de ocupados. Os especialistas observam, porém, que a inteligência artificial ainda tem aplicação limitada nas lavouras, concentrando-se principalmente na gestão e no comércio. Nas empresas e na administração pública, a IA generativa já substitui tarefas rotineiras, como elaboração de relatórios e análises preliminares. Isso ameaça principalmente os cargos de entrada e dificulta a formação profissional dos jovens.

Enquanto os trabalhadores experientes continuam valorizados, os novos contratados precisam apresentar competências como pensamento sistêmico e capacidade de liderança. No serviço público federal, aproximadamente 104 mil cargos, equivalentes a 20% do total, apresentam elevada possibilidade de automação, sobretudo nas áreas administrativas, de saúde e educação. Como a estabilidade impede demissões em massa, a redução do quadro deverá ocorrer gradualmente, principalmente pela não reposição de servidores aposentados. Outro problema é a falta de profissionais especializados em tecnologia e a idade média dos servidores, próxima de 50 anos. A modernização exigirá investimentos em capacitação e governança algorítmica. No cenário internacional, a inteligência artificial, a transição ecológica e as disputas geopolíticas aumentam a necessidade de políticas públicas preventivas. A qualificação profissional e a regulamentação tecnológica tornaram-se prioridades para os países, inclusive por razões de segurança nacional.

 

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