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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

HACKERS INVADIRAM SISTEMAS DE EMAILS DA AFD E DIVULGARAM INFOMAÇÕES RESERVADAS


Hackers invadiram os sistemas de email da AfD, partido de extrema direita da Alemanha, e divulgaram 280 gigabytes de informações reservadas. 
O material reúne cerca de 420 mil mensagens e 50 mil documentos, incluindo dados pessoais e manifestações neonazistas. A legenda confirmou a invasão, mas afirmou que apenas algumas caixas de email foram afetadas. Entre os conteúdos vazados estão mensagens da colíder do partido, Alice Weidel, e extratos bancários que revelam nomes de doadores. Apesar da popularidade eleitoral, a AfD continua enfrentando resistência de setores empresariais e políticos alemães. Fundado em 2013, durante a crise do euro, o partido começou com posições eurocéticas e posteriormente radicalizou seu discurso, especialmente contra a imigração. Os emails revelam discussões internas sobre integrantes acusados de racismo e ligações com grupos neonazistas. O parlamentar Matthias Helferich, alvo de acusações racistas, teve apenas uma suspensão temporária, apesar da recomendação de expulsão. Outro caso envolve Laurens Nothdurft, integrante de um grupo neonazista proibido em 2009, que agora pode assumir um cargo de secretário estadual. A possibilidade de sua nomeação reflete o avanço da AfD em Saxônia-Anhalt, onde o partido obteve quase 44% dos votos em setembro. A legenda pode chegar ao governo estadual, algo inédito para a extrema direita alemã desde a Segunda Guerra Mundial.
As mensagens também registram episódios de exaltação nazista, incluindo a tentativa de vender uma bandeira com a suástica durante uma campanha eleitoral. Em outro caso, um grupo de WhatsApp utilizou uma fotografia de Adolf Hitler acompanhada de uma saudação ao ditador. O vazamento expôs ainda discussões sobre doações ilegais recebidas durante as eleições de 2017 e o uso de recursos partidários para pagar despesas jurídicas.

A AfD inicialmente questionou a veracidade dos documentos, mas depois classificou a invasão como um ataque ao partido e à democracia. A revista Der Spiegel encontrou no material solicitações de entrevistas feitas por seus jornalistas, indicando a autenticidade de parte dos arquivos. Veículos de comunicação alemães estão examinando os documentos por considerarem o conteúdo de interesse público. Os supostos responsáveis pelo ataque afirmaram que pretendem revelar irregularidades financeiras e justificaram a ação como uma resposta ao populismo. O episódio ocorre enquanto a AfD busca ampliar sua influência internacional e lidera pesquisas nacionais alemãs com 27% das intenções de voto. O partido pretendia apresentar em Estrasburgo um plano para reduzir a burocracia da União Europeia, propondo mudanças profundas em suas instituições. A legenda defende um Parlamento Europeu composto por representantes indicados pelos países, em vez de eleitos, e uma Comissão Europeia limitada a funções administrativas. Também pretende bloquear políticas europeias consideradas prejudiciais à Alemanha e, caso fracasse, promover um plebiscito sobre a saída do país do bloco. A estratégia de Weidel acompanha movimentos de outras lideranças de extrema direita europeias, como Marine Le Pen, que anunciou a intenção de cortar contribuições francesas ao esforço de guerra da Ucrânia.

 

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