O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, publicou vídeo ontem, 20, mostrando ativistas detidos com mãos amarradas e a testa no chão enquanto o hino israelense tocava em alto volume. As imagens geraram indignação internacional e ampliaram tensões dentro do governo de Binyamin Netanyahu. Os ativistas integravam uma flotilha humanitária interceptada por Israel no Mediterrâneo a caminho da Faixa de Gaza. O vídeo mostra os detidos em embarcação militar e já em território israelense. Ben-Gvir aparece agitando uma bandeira israelense. A publicação trazia as frases “Bem-vindos a Israel” e “É assim que recebemos apoiadores do terrorismo”. A França convocou o embaixador israelense em Paris para explicações. Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Itália, Irlanda e Turquia também criticaram Israel. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou o tratamento como degradante e inadequado para uma democracia. O chanceler israelense, Gideon Saar, acusou Ben-Gvir de prejudicar a imagem internacional do país. Netanyahu ordenou a deportação dos ativistas, mas disse que a atuação do ministro não condiz com os valores de Israel.
Cerca de 430 integrantes da flotilha começaram a ser transferidos para Israel antes da deportação. Quatro brasileiros estão entre os detidos. A flotilha, com quase 50 barcos, partiu do sul da Turquia na quinta-feira (14). Os organizadores afirmam que a missão levava ajuda humanitária e desafiava o bloqueio naval imposto por Israel a Gaza. Na segunda (18), ativistas relataram que militares israelenses subiram a bordo das embarcações. Vídeos mostram disparos em ao menos dois barcos. Israel afirmou que efetuou apenas tiros de advertência. Esta foi a terceira tentativa do grupo de chegar a Gaza em um ano. Missões anteriores também foram interceptadas por Israel. Entre os brasileiros estão Beatriz Moreira, Ariadne Teles, Thainara Rogério e Cássio Pelegrini. Itália e Espanha classificaram o tratamento como inaceitável e desumano. A Turquia acusou o governo Netanyahu de agir com violência e barbárie. O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, criticou Ben-Gvir e disse que ele traiu a dignidade do país. O Itamaraty informou que presta assistência consular aos brasileiros e pediu libertação imediata dos ativistas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário