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domingo, 1 de novembro de 2026

A IA PODE COMPROMETER A CONFIANÇA NAS DESCOBERTAS CIENTÍFICAS


A
inteligência artificial (IA) promete revolucionar a ciência, mas seu uso crescente também levanta preocupações sobre a confiabilidade das pesquisas. A empresa Basecamp Research coleta bilhões de genes para desenvolver uma IA capaz de compreender a linguagem da biologia. A iniciativa segue a estratégia das empresas que utilizam grandes volumes de dados para treinar modelos de inteligência artificial. Recentemente, a OpenAI anunciou ter resolvido um complexo problema matemático relacionado às equações de Navier-Stokes. O anúncio provocou questionamentos de pesquisadores sobre a possível utilização de informações de trabalhos armazenados em ferramentas da empresa. A OpenAI negou que tenha acessado ou utilizado pesquisas de outros cientistas. O episódio evidencia um problema crescente: a IA pode comprometer a confiança na originalidade e na precisão das descobertas científicas. Outro risco são as chamadas alucinações, quando sistemas inventam informações, referências e resultados inexistentes. Apesar disso, a tecnologia já demonstrou enorme potencial, como no desenvolvimento do AlphaFold, do Google DeepMind. Em 2020, o sistema conseguiu prever a estrutura tridimensional de 200 milhões de proteínas, trabalho que exigiria milhões de anos de experimentos. A descoberta revolucionou a biologia e rendeu o Prêmio Nobel de Química aos responsáveis pelo projeto. Entretanto, outros resultados da IA são questionados por exagerarem a importância de descobertas ou apresentarem materiais pouco inovadores.

Cientistas também alertam para a multiplicação de artigos de baixa qualidade, escritos ou modificados por inteligência artificial. Uma pesquisa identificou indícios de uso de IA em quase 90% dos artigos biomédicos analisados. Outro estudo encontrou referências científicas inventadas, comprometendo a credibilidade das publicações. O processo de revisão por pares também enfrenta dificuldades, pois avaliadores utilizam ferramentas de IA na elaboração de pareceres. Editoras científicas começam a adotar mecanismos para identificar irregularidades e exigir avaliações humanas mais rigorosas. O problema preocupa porque pesquisas falsas podem desperdiçar recursos, atrasar descobertas e prejudicar o desenvolvimento de medicamentos e novas tecnologias. Há ainda o risco de a IA descartar resultados inesperados que poderiam representar descobertas importantes. A penicilina, a radioatividade e os pulsares são exemplos de descobertas que dependeram da percepção e da intuição humanas. Especialistas defendem que a inteligência artificial seja utilizada como instrumento de apoio, sempre com supervisão dos pesquisadores. Experiências bem-sucedidas mostram que a tecnologia pode ajudar a solucionar questões científicas antes consideradas difíceis. A pesquisadora Andrea Pauli, por exemplo, utilizou IA em estudos sobre o mecanismo de entrada do espermatozoide no óvulo. Já Oliver Vince pretende desenvolver sistemas capazes de contribuir para a descoberta de tratamentos contra o câncer. A grande questão é garantir que os avanços tecnológicos fortaleçam a ciência, em vez de comprometer seus fundamentos. A inteligência artificial oferece oportunidades extraordinárias, mas não substitui a responsabilidade, a criatividade e o julgamento dos cientistas. Sem controle humano e rigor científico, a multiplicação de informações falsas poderá destruir a confiança na pesquisa. 

FORMA COISA JULGADA A PARTE DA SENTENÇA NÃO CONTESTADA


No
processo penal, o tribunal só pode julgar os pontos expressamente questionados em recurso. Os capítulos da sentença não contestados tornam-se imutáveis, formando coisa julgada. Com esse entendimento, a 3ª Câmara Criminal do TJ-SC anulou parte da condenação de um policial civil. O tribunal reconheceu que a reforma da sentença ultrapassou os limites do recurso e foi mantida a condenação por peculato digital, crime cometido por funcionário público que insere dados falsos em sistemas. Segundo o Ministério Público, o policial participava de um esquema de fraude envolvendo veículos. Dois homens compravam automóveis em leilões de seguradoras por preços abaixo do mercado e depois, revendiam os veículos a terceiros por valores superiores. O policial, supervisor da Ciretran, utilizava sua função para ocultar a procedência dos automóveis de por meio do sistema informatizado, retirava restrições de sinistro e indenização dos documentos. Na primeira instância, a Justiça de Concórdia reconheceu a prescrição das acusações, extinguindo a punibilidade de todos os envolvidos. O Ministério Público recorreu e conseguiu reverter a sentença e condenar o policial pelos três crimes. A pena foi fixada em 14 anos, nove meses e seis dias de prisão, além de 88 dias-multa. Posteriormente, a acusação também pediu aumento da pena e a defesa alegou prescrição retroativa. Os corréus recorreram, sustentando que os crimes de associação criminosa e falsidade ideológica já estavam alcançados pela coisa julgada.
 No julgamento, a desembargadora Andrea Cristina Rodrigues Studer, na condição de relatora, admitiu esse entendimento, assegurando que o Ministério Público não havia contestado especificamente a extinção da punibilidade desses dois delitos.

A conclusão foi de que o tribunal não poderia reexaminar capítulos da sentença que já haviam se tornado definitivos. Segundo a magistrada, a nova condenação ultrapassou os limites objetivos do recurso. A decisão anulou as condenações por associação criminosa e falsidade ideológica, permanecendo apenas a punição por peculato digital, fixada em dois anos e oito meses de reclusão e 13 dias-multa. O pedido de aumento da pena apresentado pelo Ministério Público foi rejeitadoe a relatora determinou que, após o trânsito em julgado para a acusação, os autos deveriam retornar para análise de eventual prescrição. A decisão foi tomada por maioria, com divergência do desembargador Júlio César Machado Ferreira de Melo.

DESENTENDIMENTO ENTRE UNIVERSITÁRIOS DE MARINGÁ


A UniCesumar, de Maringá (PR), expulsou estudantes de Medicina envolvidos em mensagens ofensivas contra colegas bolsistas, com referências ao nazismo. Os ataques foram dirigidos a alunos que ingressaram na universidade por programas sociais, como o ProUni. As mensagens foram compartilhadas em grupos de WhatsApp após o resultado das eleições de 2026, que reelegeram Lula à Presidência. A universidade concluiu, em 30 de outubro, uma sindicância interna e decidiu aplicar desligamentos, advertências e suspensões, conforme a gravidade das condutas. A instituição, porém, não revelou quantos estudantes receberam cada punição. Em uma das mensagens, um aluno afirmou que quem paga mensalidade é superior a quem conquistou a vaga por meio de programas sociais. Outro escreveu que os estudantes pagantes trabalharam para ter condições de desembolsar R$ 15 mil mensais. Uma aluna reagiu às ofensas, lembrando que todos receberão a mesma formação e poderão obter registro profissional para exercer a Medicina. Além dos ataques aos bolsistas, foram compartilhadas imagens e expressões associadas ao nazismo e à supremacia branca, incluindo fotografias do Exército nazista. O Ministério Público Federal (MPF) confirmou ter recebido denúncia e informou que investiga o caso.

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também condenou as manifestações, afirmando que elas violam os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina. Segundo o Conselho, atitudes discriminatórias são incompatíveis com os valores humanísticos e humanitários exigidos na formação médica. O órgão afirmou que adotará as providências cabíveis e acompanhará a investigação. Um estudante relatou ao g1 que o ambiente na faculdade se tornou hostil, tanto presencialmente quanto nos grupos de mensagens. Para ele, o contexto eleitoral serviu de pretexto para manifestações de ódio contra pessoas mais pobres. A UniCesumar repudiou qualquer forma de discriminação ou preconceito e informou que seu Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina permanece disponível para acolher e orientar os alunos envolvidos.



MANIFESTAÇÕES ESTUDANTIS NA FRANÇA


Quase 500 mil pessoas participaram de manifestações no sábado, 31, em toda a França, incluindo 200 mil em Paris, segundo organizações juvenis e sindicatos. O Ministério do Interior, porém, estimou 320 mil participantes no país, sendo 70 mil na capital. Mais de 290 pessoas foram presas. Os protestos começaram com estudantes do ensino médio contra a queda da qualidade do ensino e a deterioração das escolas, mas se ampliaram, incorporando críticas à alta do custo de vida e à piora dos serviços públicos. As manifestações foram majoritariamente pacíficas, mas ocorreram confrontos em cidades como Toulouse, Marselha e Paris. Segundo o governo, grupos radicais tentaram promover vandalismo e saques em diversas localidades. Diante do risco de violência, o governo mobilizou 70 mil policiais e militares. As autoridades também demonstraram preocupação com pessoas mascaradas que poderiam aproveitar as festividades de Halloween para esconder a identidade e provocar distúrbios. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, havia anunciado um esquema excepcional de segurança, após identificar nas redes sociais convocações para atos violentos atribuídos à esquerda radical e ao movimento dos Coletes Amarelos. Após as manifestações, Nuñez afirmou que os protestos transcorreram bem, apesar da atuação de grupos de vândalos, cuja violência classificou como sem precedentes. Organizações estudantis convocaram novas mobilizações para terça-feira (3) e quinta-feira (5), com bloqueios de escolas e universidades. Os estudantes exigem reformas no sistema educacional e melhores condições de aprendizagem.

Os protestos acontecem em meio às dificuldades econômicas francesas. O PIB recuou 0,1% no terceiro trimestre, contrariando a previsão de crescimento de 0,1%. Na Alemanha, dezenas de milhares de pessoas também foram às ruas, lideradas por jovens que reivindicam educação de qualidade e redução do custo de vida. As manifestações nos dois países integram uma onda de mobilizações da geração Z em diferentes partes da Europa. Na Sérvia, movimentos estudantis contribuíram para a derrota eleitoral do líder que governava o país havia anos. Na Alemanha, o grupo Gen Z regelt organizou protestos em 34 cidades, incluindo Berlim, Frankfurt e Munique. Os jovens se posicionam contra o serviço militar obrigatório e defendem maiores investimentos na educação. Embora os organizadores esperassem 182 mil participantes, a polícia estimou aproximadamente 18 mil manifestantes nas três principais cidades. As autoridades informaram que os atos foram, em sua maioria, pacíficos, mas alertaram para tentativas de grupos extremistas de explorar o movimento.