domingo, 1 de novembro de 2026

HACKERS ROUBAM US$ 6.3 BILHÕES EM CRIPTOMOEDAS


O ataque hacker à Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, começou na tarde de quinta-feira (29), quando transações suspeitas retiraram bilhões de dólares das contas da empresa. O episódio foi considerado o maior roubo de criptomoedas da história, com prejuízo estimado em US$ 6,3 bilhões. 
Executivos da Binance montaram uma sala de crise virtual, reunindo cerca de cem funcionários, especialistas em segurança e rastreamento de moedas digitais. A copresidente He Yi, grávida de sete meses, trabalhou durante toda a noite em Abu Dhabi. Segundo analistas, o ataque foi realizado por hackers norte-coreanos ligados ao grupo TraderTraitor. A empresa suspendeu depósitos e saques e prometeu cobrir todas as perdas dos clientes. O fundador da Binance, Changpeng Zhao, acompanhou a crise publicamente pela rede X, tranquilizando investidores e afirmando que os fundos dos usuários estavam seguros. “Dói, mas vamos sobreviver”, declarou. O ataque provocou repercussão internacional, mobilizou empresas do setor e levou autoridades a abrir investigações. A apuração se baseia em entrevistas, documentos e análises de especialistas em criptomoedas. Fundada em 2017 por Zhao, a Binance tornou-se a maior corretora mundial, principal plataforma para negociar ativos como Bitcoin e Ether. Apesar da popularidade, a empresa acumula controvérsias. Em 2023, declarou-se culpada por violações das leis americanas de combate à lavagem de dinheiro e pagou US$ 4,3 bilhões em multas. Zhao foi condenado a quatro meses de prisão.

A plataforma principal da Binance é proibida nos Estados Unidos. Entretanto, a empresa estabeleceu parceria comercial com a World Liberty Financial, ligada à família Trump. Em outubro passado, Donald Trump concedeu perdão a Zhao, favorecendo a expansão da corretora no mercado americano. A invasão ocorreu meses depois de outro grande ataque, quando hackers norte-coreanos roubaram US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit, em fevereiro de 2025. Ainda não se sabe exatamente como os invasores conseguiram superar as defesas da Binance. Uma investigação inicial apontou o comprometimento de um laptop, mas a empresa identificou posteriormente outros possíveis pontos de invasão. As movimentações foram acompanhadas em tempo real por especialistas, graças ao blockchain, sistema público que registra transações com criptomoedas. As empresas Chainalysis e TRM Labs identificaram a participação do grupo norte-coreano TraderTraitor. Segundo autoridades ocidentais, a Coreia do Norte utiliza recursos obtidos nesses ataques para financiar seu programa nuclear. Os hackers realizaram milhares de operações em pouco tempo, utilizando métodos sofisticados para esconder a origem do dinheiro. Tether e Circle, duas grandes emissoras de moedas digitais, conseguiram congelar mais de US$ 2 bilhões em reservas roubadas. A Binance tenta recuperar esses valores. Entretanto, segundo a TRM Labs, cerca de US$ 2,4 bilhões já estavam fora do alcance dos emissores. A Binance declarou ter reservado US$ 6,34 bilhões para cobrir os prejuízos. Não foram divulgados detalhes sobre o volume total de suas reservas.

 

ELEIÇÕES NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA NOS EUA


As eleições de meio de mandato (midterms) dos Estados Unidos, na próxima terça-feira, 3 de novembro, poderão influenciar decisivamente o restante do governo de Donald Trump, que termina em janeiro de 2029. 
Os americanos escolherão os 435 integrantes da Câmara dos Representantes e 35 dos 100 senadores. Também haverá eleições estaduais, incluindo disputas para governador na Califórnia, Flórida, Geórgia e Michigan. As midterms acontecem a cada dois anos e são realizadas na metade do mandato presidencial. O resultado determinará se republicanos ou democratas controlarão o Congresso, responsável pela aprovação das leis federais. A economia é um dos principais temas da campanha. Os americanos enfrentam preços elevados de combustíveis, alimentos, saúde e moradia. A inflação permanece acima da meta do Federal Reserve, em parte devido à guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irã, em fevereiro. Os democratas também atribuem às tarifas impostas por Trump o aumento dos preços. Já os republicanos destacam o reforço da segurança nas fronteiras e o combate à imigração ilegal como realizações do presidente. A regulamentação da inteligência artificial também ganhou importância. Parlamentares dos dois partidos defendem regras para o setor, enquanto Trump rejeita propostas de leis para controlar o desenvolvimento da tecnologia. Atualmente, os republicanos controlam as duas casas do Congresso, mas possuem maioria apertada: 218 cadeiras na Câmara e 53 no Senado. Os democratas precisam conquistar pelo menos uma dessas casas para dificultar a aprovação das propostas presidenciais. Pesquisas indicam queda na popularidade de Trump. Segundo o site Silver Bulletin, sua aprovação passou de pouco mais de 50% no início do segundo mandato para aproximadamente 37% no início de outubro, enquanto 61% desaprovavam sua gestão.

Entre as disputas mais acompanhadas estão dez vagas no Senado e 42 na Câmara, em estados como Iowa, New Hampshire, Arizona e Ohio. A definição dos distritos eleitorais também provoca disputas entre republicanos e democratas, que procuram ampliar suas vantagens. Uma vitória democrata em qualquer das casas legislativas dificultaria a aprovação de leis por Trump e permitiria investigações parlamentares sobre seu governo. Parlamentares poderiam convocar autoridades, solicitar documentos e investigar denúncias de corrupção, a construção do salão de baile da Casa Branca e as operações do serviço de imigração ICE. Também existe, dentro do Partido Democrata, um debate sobre a possibilidade de iniciar um processo de impeachment contra o presidente. Se conquistarem o Senado, os democratas poderão dificultar as indicações de Trump para cargos importantes, inclusive na Suprema Corte. Caso os republicanos mantenham o controle do Congresso, o presidente terá maior facilidade para aprovar sua agenda no restante do mandato. As eleições também servirão como termômetro da avaliação dos americanos sobre o governo Trump e poderão influenciar as articulações para a disputa presidencial de 2028. Trump não poderá concorrer novamente, pois a Constituição americana proíbe que uma pessoa exerça mais de dois mandatos presidenciais. Após as midterms, deverão ganhar força as discussões sobre seus possíveis sucessores republicanos e os candidatos democratas à Casa Branca.

 

A IA PODE COMPROMETER A CONFIANÇA NAS DESCOBERTAS CIENTÍFICAS


A
inteligência artificial (IA) promete revolucionar a ciência, mas seu uso crescente também levanta preocupações sobre a confiabilidade das pesquisas. A empresa Basecamp Research coleta bilhões de genes para desenvolver uma IA capaz de compreender a linguagem da biologia. A iniciativa segue a estratégia das empresas que utilizam grandes volumes de dados para treinar modelos de inteligência artificial. Recentemente, a OpenAI anunciou ter resolvido um complexo problema matemático relacionado às equações de Navier-Stokes. O anúncio provocou questionamentos de pesquisadores sobre a possível utilização de informações de trabalhos armazenados em ferramentas da empresa. A OpenAI negou que tenha acessado ou utilizado pesquisas de outros cientistas. O episódio evidencia um problema crescente: a IA pode comprometer a confiança na originalidade e na precisão das descobertas científicas. Outro risco são as chamadas alucinações, quando sistemas inventam informações, referências e resultados inexistentes. Apesar disso, a tecnologia já demonstrou enorme potencial, como no desenvolvimento do AlphaFold, do Google DeepMind. Em 2020, o sistema conseguiu prever a estrutura tridimensional de 200 milhões de proteínas, trabalho que exigiria milhões de anos de experimentos. A descoberta revolucionou a biologia e rendeu o Prêmio Nobel de Química aos responsáveis pelo projeto. Entretanto, outros resultados da IA são questionados por exagerarem a importância de descobertas ou apresentarem materiais pouco inovadores.

Cientistas também alertam para a multiplicação de artigos de baixa qualidade, escritos ou modificados por inteligência artificial. Uma pesquisa identificou indícios de uso de IA em quase 90% dos artigos biomédicos analisados. Outro estudo encontrou referências científicas inventadas, comprometendo a credibilidade das publicações. O processo de revisão por pares também enfrenta dificuldades, pois avaliadores utilizam ferramentas de IA na elaboração de pareceres. Editoras científicas começam a adotar mecanismos para identificar irregularidades e exigir avaliações humanas mais rigorosas. O problema preocupa porque pesquisas falsas podem desperdiçar recursos, atrasar descobertas e prejudicar o desenvolvimento de medicamentos e novas tecnologias. Há ainda o risco de a IA descartar resultados inesperados que poderiam representar descobertas importantes. A penicilina, a radioatividade e os pulsares são exemplos de descobertas que dependeram da percepção e da intuição humanas. Especialistas defendem que a inteligência artificial seja utilizada como instrumento de apoio, sempre com supervisão dos pesquisadores. Experiências bem-sucedidas mostram que a tecnologia pode ajudar a solucionar questões científicas antes consideradas difíceis. A pesquisadora Andrea Pauli, por exemplo, utilizou IA em estudos sobre o mecanismo de entrada do espermatozoide no óvulo. Já Oliver Vince pretende desenvolver sistemas capazes de contribuir para a descoberta de tratamentos contra o câncer. A grande questão é garantir que os avanços tecnológicos fortaleçam a ciência, em vez de comprometer seus fundamentos. A inteligência artificial oferece oportunidades extraordinárias, mas não substitui a responsabilidade, a criatividade e o julgamento dos cientistas. Sem controle humano e rigor científico, a multiplicação de informações falsas poderá destruir a confiança na pesquisa.