Após dois meses de trégua aparente, os Estados Unidos retomaram ataques a lanchas suspeitas de transportar drogas na América do Sul. Na segunda-feira (24), o Comando Sul anunciou um ataque no Pacífico Oriental que matou duas pessoas. Segundo os EUA, os mortos seriam “narcoterroristas”, mas nenhuma evidência foi apresentada para comprovar a acusação. A operação ocorreu no domingo (23) e seguiu o mesmo padrão de mais de 60 ataques anteriores.
As ofensivas já teriam provocado ao menos 220 mortes. O último ataque havia sido registrado em 21 de junho, também com duas mortes. Especialistas destacam que a rota marítima não é a principal via de entrada de drogas nos Estados Unidos. A quantidade de fentanil transportada pelo Caribe, por exemplo, seria considerada pequena. Mesmo assim, o governo Trump usa o combate ao narcotráfico como justificativa para ampliar operações militares na região. A ofensiva começou em setembro, inicialmente concentrada no Caribe e próxima à Venezuela. Na época, Washington enviou o porta-aviões USS Gerald Ford para perto da costa venezuelana. Após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, houve uma pausa de três semanas nas operações. Posteriormente, a frequência dos ataques diminuiu.
Enquanto isso, a América do Sul passou por uma mudança política favorável aos interesses do presidente Donald Trump. Em março, a Casa Branca lançou o programa “Escudo das Américas”, voltado ao combate ao tráfico de drogas. Os Estados Unidos também ampliaram a cooperação militar com o Equador. A Venezuela, apesar da retórica anti-imperialista, também passou a aceitar operações americanas em seu território. Em junho, uma ação do Comando Sul matou Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua. O Peru, sob liderança de Keiko Fujimori, também demonstrou interesse em integrar o grupo de países parceiros dos EUA. Na Colômbia, o presidente Abelardo de la Espriella autorizou operações militares conjuntas com Washington. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, defende ampliar as ações para além do mar. Durante visita ao Panamá, ele afirmou que os ataques poderão alcançar organizações de narcotráfico em terra. Equador, Colômbia e outros países deverão participar dessas operações. A retomada dos ataques indica, portanto, uma nova fase da estratégia americana de combate às drogas na América Latina. A política também reforça a presença militar dos EUA e a aproximação com governos aliados na região.
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