A família do brasileiro Marcelo Alexandre da Silva Pereira, de 29 anos, afirma que ele foi atraído para a Rússia por uma proposta de trabalho como motorista. Ao chegar ao país, porém, teria sido obrigado a servir no Exército russo. Os parentes pedem ajuda do governo brasileiro para trazê-lo de volta a Roraima. Marcelo vivia em Boa Vista com a esposa grávida e três filhos pequenos. O Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil em Moscou acompanha o caso e presta assistência consular ao cidadão brasileiro. A esposa, Gisele Pereira, suspeita que Marcelo seja vítima de tráfico humano. Segundo ela, a promessa era de emprego civil, não militar. Ao perceber a situação, ele pediu ajuda para retornar ao Brasil. Em mensagens, Marcelo relatou dificuldade de comunicação e disse que autoridades russas ignoraram seus pedidos de saída. A Rússia está em guerra com a Ucrânia desde fevereiro de 2022. A embaixada brasileira já alertou sobre riscos do alistamento de brasileiros. Marcelo chegou a Moscou em 3 de dezembro e afirma ter sido forçado a assinar contrato militar no dia 9. Ele não tem experiência militar nem fala russo ou inglês. A proposta teria sido feita por um amigo brasileiro de Boa Vista. O passaporte e a passagem foram providenciados por uma empresa de assessoria. Essa empresa se apresenta nas redes como intermediária para o Exército russo.A família acredita que haja pagamento para aliciar brasileiros. A mãe só soube da viagem quando Marcelo já estava em São Paulo. No contrato em russo, ele aparece como atirador com fuzil AK-74. A família desconhece salário e diz que ele não recebeu dinheiro. O cartão bancário teria ficado com a empresa intermediária. Atualmente, Marcelo estaria em Luhansk, em treinamento militar. Ele mantém contato esporádico com a esposa por Telegram. Em todas as mensagens, afirma que quer voltar para casa. Gisele procurou o Itamaraty, que informou que pedirá a extradição. A família pede intervenção das autoridades brasileiras.
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