Embora o trumpismo combata a imigração, os conservadores prosperam em Miami, onde cerca de 70% da população tem origem latina. Muitos cubanos e venezuelanos emigraram e adotaram o discurso antimarxista, fortalecido desde a revolução cubana de 1959 e a ascensão de Hugo Chávez. Em janeiro, Miami-Dade registrava quase 350 mil eleitores hispânicos republicanos, contra 180 mil democratas. Esse ambiente favoreceu a trajetória de Marco Rubio, secretário de Estado de Trump, que intensificou a intervenção americana na América Latina. A operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro é apontada como exemplo do retorno da Doutrina Monroe. Na sexta-feira (30), deputados democratas questionaram Rubio sobre eventual ajuda para Flávio conseguir visto e fugir para os Estados Unidos. Miami também concentra cerca de 40 mil brasileiros. No segundo turno, Flávio recebeu 76,7% dos votos na cidade, contra 23,3% de Lula. Em 2022, Jair Bolsonaro havia alcançado 81,2%.
O deputado republicano Carlos Giménez, filho de cubanos, afirma conhecer os riscos do socialismo por experiência própria. A família deixou Cuba após a reforma agrária de Fidel Castro. Desde 1999, os democratas não vencem eleições para o governo da Flórida. Pesquisa da Universidade Internacional da Flórida aponta que 68% dos cubanos do sul do estado pretendem votar nos republicanos em novembro. Miami, tradicional reduto democrata até 2020, passou a apoiar Trump nas eleições seguintes. Entretanto, as deportações promovidas pelo governo americano ameaçam esse apoio: 76% dos cubanos entrevistados desaprovam a expulsão de compatriotas que não cometeram crimes nos Estados Unidos.

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