quinta-feira, 1 de outubro de 2026

SEGURANÇA ALIMENTAR E BIODIVERSIDADE NECESSÁRIAS PARA MUDANÇAS CLIMÁTICAS


A janela de oportunidade para restaurar florestas e paisagens está se fechando, alerta a FAO. 
O relatório Estado das Florestas do Mundo 2026 destaca a urgência de investimentos. Segundo o documento, a restauração é essencial para segurança alimentar e biodiversidade e é fundamental para enfrentar as mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável. As florestas cobrem 4,14 bilhões de hectares, cerca de 32% da superfície terrestre.
Elas armazenam 714 gigatoneladas de carbono e abrigam até 80% da biodiversidade terrestre. Quase um terço da população mundial depende das florestas para alimentação e subsistência. Entre 1990 e 2025, cerca de 489 milhões de hectares de florestas foram perdidos. Outros 460 milhões de hectares estão degradados em diferentes regiões do planeta. Ao todo, 1,56 bilhão de hectares de terras estão comprometidos pela degradação. O crescimento populacional e a pressão por recursos naturais agravam esse cenário. Incêndios atingem anualmente cerca de 127 milhões de hectares de florestas. Insetos, doenças e eventos climáticos extremos também ampliam os danos ambientais. A FAO defende uma restauração em larga escala e alerta para o custo da inação. O relatório aponta quatro caminhos para acelerar a recuperação das áreas degradadas. Entre eles estão fortalecer direitos, restaurar paisagens e ampliar o financiamento, além de políticas, instituições e leis coerentes com os objetivos ambientais.

A restauração de mais de 1 bilhão de hectares poderia gerar US$ 1,8 trilhão por ano. O documento estima ainda retorno social de oito para um em determinados investimentos. Governos de 91 países e regiões prometeram restaurar mais de 190 milhões de hectares. Atualmente, 206,5 milhões de hectares de florestas estão em processo de restauração. Entre os exemplos está o Pacto Trinacional da Mata Atlântica, envolvendo três países. A iniciativa prevê restaurar 1 milhão de hectares até 2030 e 15 milhões até 2050. Especialistas destacam que a recuperação exige planejamento, recursos e ações de longo prazo. O processo envolve coleta de sementes, produção de mudas, plantio e manutenção, além controle de pragas e combate a espécies invasoras. A FAO defende uma implementação centrada nas pessoas e baseada na ciência. Para especialistas, a natureza deve ser incorporada às estratégias de desenvolvimento econômico. Florestas, água, solo, biodiversidade e clima precisam ser tratados como infraestrutura essencial. A mobilização de governos, empresas, bancos e investidores é considerada fundamental. 

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