
A China tornou-se o novo destino de empresários e executivos brasileiros em busca de inovação, substituindo gradualmente o Vale do Silício, nos Estados Unidos. Publicações no LinkedIn mostram visitas a empresas como Tencent, ByteDance e Alibaba, além de registros em cidades como Shenzhen, Xangai e Hangzhou. O número de missões empresariais à China cresceu, especialmente após a redução das exigências de visto para viagens curtas. Empresários visitam companhias, incubadoras de startups, centros de pesquisa e universidades para conhecer tecnologias e modelos de negócios. Para In Hsieh, empresário especializado em organizar essas viagens, o centro das novidades está migrando para o Oriente. Segundo ele, as visitas ao Vale do Silício perderam parte do apelo. Agências especializadas identificam uma procura crescente pela China, em um movimento que envolve executivos de diferentes setores. A StartSe organizou mais de 20 missões ao país em 2026, o dobro do número de viagens realizadas ao Vale do Silício. O aumento da demanda levou seu sócio Fabio Neto a se mudar para Xangai. As viagens custam a partir de R$ 36 mil e duram pelo menos seis dias, incluindo passagens, hospedagem, deslocamentos e visitas empresariais. Entre as empresas brasileiras participantes estão Ambev, Bradesco, McDonald's, iFood, Volkswagen e General Motors. Muitas delas enfrentam a crescente concorrência de companhias chinesas no mercado brasileiro. O vice-presidente da GM para a América Latina, Fabio Rua, afirma que é necessário aprender com os chineses. A montadora buscou conhecer o ecossistema de inovação do país.
As visitas incluíram empresas que utilizam inteligência artificial generativa, robótica e soluções avançadas de pagamento. Alibaba, ByteDance, Tencent, Xiaomi e Baidu estão entre os destinos mais procurados. Essas companhias atuam em diferentes áreas, combinando tecnologia, comércio, logística e serviços financeiros. Segundo os organizadores, a presença de gigantes chinesas no Brasil aumenta o interesse pelas viagens, pois elas podem ser concorrentes ou parceiras dos negócios locais. O movimento também se relaciona ao fenômeno chamado Chinamaxxing, expressão que define a crescente fascinação ocidental pela cultura, pelos hábitos e pelos avanços tecnológicos chineses. A tendência ganhou força nas redes sociais, com publicações sobre o cotidiano chinês e suas inovações. Nos Estados Unidos, a influência cultural chinesa também cresce, apesar da disputa tecnológica entre os dois países, especialmente na área de inteligência artificial. A velocidade dos avanços chineses levou a empresa de tecnologia Zup, adquirida pelo Itaú em 2019, a enviar 16 funcionários ao país em 2026. O vice-presidente Marco Bonas afirma que a equipe precisava observar de perto as novidades e entender como as empresas chinesas trabalham. Ele destaca a integração entre funcionários humanos e digitais e a rapidez na implementação de soluções. Antes, a companhia enviava executivos regularmente a feiras e missões nos Estados Unidos e na Europa. Agora, a China tornou-se destino obrigatório para conhecer novas tecnologias e modelos de negócio.
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