Jornalistas do Politico, MS Now e CNN foram impedidos de entrar na Casa Branca nesta quinta-feira (24), apesar de uma decisão judicial determinar a restituição de suas credenciais. O juiz Timothy J. Kelly, de Washington, considerou provavelmente inconstitucional a proibição imposta pelo presidente Donald Trump. A medida cautelar, válida por 14 dias, ordenou à Casa Branca que restabelecesse imediatamente o acesso dos jornalistas.
Segundo Kelly, os veículos teriam boas chances de provar violação ao devido processo legal. As credenciais haviam sido revogadas sem aviso prévio e sem oportunidade de contestação. O juiz também rejeitou, inicialmente, o argumento de que a medida seria necessária por razões de segurança nacional. O advogado Theodore J. Boutrous, que representa as empresas, classificou a decisão como uma defesa da liberdade de imprensa. A decisão representa um revés temporário para Trump em sua disputa com veículos críticos ao governo. Trump havia anunciado a proibição na sexta-feira (18), por meio de uma publicação na Truth Social. No sábado, jornalistas dos três veículos foram barrados nas dependências da Casa Branca. As organizações recorreram à Justiça, alegando violação da Primeira Emenda da Constituição americana. Outras empresas de comunicação reduziram a cobertura de eventos presidenciais em solidariedade aos veículos impedidos. A Casa Branca afirmou que os jornalistas haviam descumprido padrões de conduta e divulgado informações falsas. Os advogados do governo também alegaram que determinadas reportagens poderiam ameaçar a segurança nacional.
O juiz Kelly baseou sua decisão em parte em um caso semelhante ocorrido em 2018. Na ocasião, Trump havia revogado as credenciais do jornalista da CNN Jim Acosta. Kelly entendeu que Acosta não havia recebido oportunidade adequada para contestar a decisão. O jornalista acabou recuperando o acesso à Casa Branca após recorrer à Justiça. Conflitos entre Trump e veículos de imprensa também ocorreram durante seu primeiro mandato. No segundo mandato, a Associated Press foi excluída de um grupo restrito de jornalistas que acompanham o presidente. Esse caso continua sendo discutido judicialmente. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, também adotou restrições ao acesso da imprensa ao Pentágono. O New York Times contestou parte dessas medidas e obteve decisões favoráveis na Justiça. O Pentágono recorreu das decisões judiciais. A disputa atual entre Trump e os veículos de comunicação ainda seguirá nos tribunais.
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