sábado, 19 de setembro de 2026

MAIORIA DA POPULAÇÃO DE CUBA VIVE EM SITUAÇÃO DE POBREZA


Quase 70% da população cubana vive em situação de pobreza, segundo estudo privado publicado na internet, em meio à profunda crise econômica enfrentada pela ilha. O país sofre com inflação, escassez de produtos, dificuldades energéticas e frequentes apagões. A situação é agravada pela pressão dos Estados Unidos, cujo governo, Donald Trump, mantém desde janeiro um bloqueio de fato às importações de petróleo para Cuba. A pesquisa foi realizada pelo Centro Cristão de Reflexão e Diálogo (CCRD). Segundo o estudo, cerca de 6,45 milhões de pessoas, ou 66% da população, vivem em condição de pobreza econômica. A renda desse grupo não é suficiente para cobrir a cesta alimentar mínima e outras necessidades essenciais. O governo cubano não divulga estatísticas oficiais sobre pobreza. Por isso, o estudo busca estimar a dimensão do problema com base em dados econômicos recentes. A pesquisa considera uma população de 9,7 milhões de habitantes, acima dos 9,4 milhões registrados oficialmente. A socióloga Mayra Espina, coordenadora do levantamento, afirmou que o índice pode ser um pouco maior ou menor e o cálculo oferece uma indicação do crescimento da pobreza no país. A estimativa anterior, feita em meados de 2025, apontava 45% da população em situação de pobreza. O aumento está relacionado, entre outros fatores, à alta do custo da cesta básica de alimentos. O salário médio mensal em Cuba é de cerca de 7 mil pesos, aproximadamente R$ 51,50.

Já o economista Omar Everleny Pérez estima em R$ 191 o custo de uma cesta alimentar para uma pessoa. Durante décadas, o governo cubano destacou os serviços sociais gratuitos como conquistas do sistema socialista. Entre eles estão a saúde pública e a distribuição subsidiada de alimentos por meio da cartilha de racionamento. A crise econômica dos últimos cinco anos, porém, reduziu significativamente a capacidade desses programas. A deterioração econômica tornou a pobreza um fenômeno cada vez mais visível nas ruas. O estudo aponta que a situação social se agravou diante da falta de alimentos e das dificuldades para garantir serviços básicos.
Em agosto, relatores especiais da Organização das Nações Unidas alertaram para a gravidade da crise humanitária cubana. Eles pediram que a comunidade internacional adotasse medidas urgentes para evitar um agravamento da situação. O cenário combina dificuldades internas e os efeitos das sanções e restrições impostas pelos Estados Unidos. Washington afirma manter forte pressão sobre Havana e não esconde a intenção de promover mudanças políticas na ilha.
O governo cubano, por sua vez, enfrenta uma economia debilitada e crescente deterioração das condições de vida. Os dados do CCRD não são estatísticas oficiais, mas indicam a dimensão do problema social. A pesquisa reforça o quadro de pobreza crescente e de agravamento da crise econômica em Cuba. 

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