sábado, 19 de setembro de 2026

CIENTISTAS PROPÕEM NOVA EXPLICAÇÃO PARA ORIGEM DO CÉREBRO


Uma pesquisa liderada por cientistas da Stanford Medicine propõe uma nova explicação para a origem do cérebro. 
O estudo, publicado na revista Nature Neuroscience, questiona o modelo de uma única estrutura embrionária. Segundo os pesquisadores, o cérebro teria surgido da integração de dois sistemas nervosos distintos. Esses sistemas originaram-se separadamente há centenas de milhões de anos. Os cientistas identificaram duas populações celulares ainda nos primeiros estágios do desenvolvimento embrionário. Uma delas dá origem ao prosencéfalo e ao mesencéfalo. A outra forma o rombencéfalo, região associada ao tronco cerebral. A descoberta contraria a ideia de que todas as regiões cerebrais surgem de uma única população de células progenitoras. “Demonstramos, pela primeira vez”, afirmou Kyle Loh, autor principal do estudo. Segundo ele, a parte frontal do cérebro tem origem celular diferente da parte posterior. O prosencéfalo está ligado à linguagem, consciência e raciocínio abstrato. Já o rombencéfalo controla funções automáticas, como respiração, sono, batimentos cardíacos e fome. Também abriga neurônios responsáveis pelo controle dos músculos da face, língua e garganta. Para investigar a origem dessas estruturas, os pesquisadores analisaram embriões de camundongos. Uma população celular apresentava o gene Otx2, associado ao prosencéfalo e ao mesencéfalo. A outra expressava Gbx2, relacionado ao desenvolvimento do rombencéfalo. Diferenças na cromatina indicaram que as células já estavam programadas para destinos distintos. Apesar das origens diferentes, especialistas ressaltam que o cérebro continua sendo um único órgão integrado.

A descoberta também ajudou os cientistas a produzir neurônios motores do rombencéfalo a partir de células-tronco humanas. Em laboratório, essas células apresentaram atividade elétrica e proteínas características. O mesmo padrão foi identificado em outras espécies, como galinhas e peixes-zebra. Para os pesquisadores, isso sugere que a divisão pode ter raízes profundas na evolução. A hipótese é que a evolução tenha aproximado dois sistemas nervosos anteriormente independentes. A descoberta pode ampliar os estudos sobre doenças que afetam o tronco cerebral. Entre elas estão a atrofia muscular espinhal (AME) e a esclerose lateral amiotrófica (ELA). Essas doenças podem comprometer neurônios envolvidos na deglutição e na respiração. Especialistas afirmam que o estudo ainda não altera diagnóstico ou tratamento dessas enfermidades. Sua importância está na ampliação do conhecimento sobre o desenvolvimento do sistema nervoso. A possibilidade de cultivar neurônios do rombencéfalo cria novos modelos para estudar doenças e testar terapias. Os pesquisadores esperam que esses avanços contribuam futuramente para tratamentos regenerativos.

 

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