segunda-feira, 21 de setembro de 2026

AMERICANOS BOICOTAM ALIMENTOS E MEDICAMENTOS PARA CUBA


Milhares de contêineres com alimentos, medicamentos e outros produtos destinados a Cuba estão retidos em portos do Caribe após grandes empresas marítimas suspenderem entregas para evitar sanções dos Estados Unidos. 
Entre as cargas estão painéis solares, medicamentos, bolsas de colostomia e outros materiais de ajuda humanitária fornecidos por agências da ONU. As sanções também afetaram o transporte aéreo e dificultaram a chegada de medicamentos contra o câncer e contra a tuberculose. A interrupção das entregas agravou a escassez de alimentos, combustível e medicamentos e aumentou as filas de pacientes à espera de cirurgias. O governo de Donald Trump ampliou a pressão econômica sobre Cuba, incluindo medidas contra empresas estrangeiras que negociem com determinadas entidades estatais cubanas. Em consequência, as empresas Hapag-Lloyd e CMA CGM reduziram ou suspenderam serviços para a ilha. Organizações humanitárias afirmam que o chamado “cumprimento excessivo” das sanções leva empresas a evitar operações mesmo quando os produtos não são diretamente proibidos. A ONU ainda aguardava a entrega de dezenas de contêineres com antibióticos, contraceptivos, testes de gravidez e equipamentos para tratamento de água. A falta de combustível e de voos também prejudicou o envio de medicamentos por via aérea.

Segundo autoridades cubanas, mais de 7.000 contêineres destinados ao país estariam retidos. O governo americano afirma que as sanções são dirigidas ao governo cubano e a entidades ligadas às forças de segurança, responsabilizando-as pela crise econômica. Cuba, por sua vez, acusa Washington de agravar deliberadamente as dificuldades enfrentadas pela população. A Hapag-Lloyd classificou sua decisão como comercial, enquanto a CMA CGM informou ter retomado serviços limitados para cargas autorizadas. Especialistas estimam que meses serão necessários para normalizar o transporte e liberar os contêineres acumulados. As exportações brasileiras e mexicanas para Cuba caíram mais de 90% em julho, na comparação anual. México e Brasil adotaram medidas para enviar ajuda, incluindo alimentos e leite em pó, diante da dificuldade de transporte comercial. O assessor de Lula, Celso Amorim, afirmou que o Brasil gostaria de ampliar o fornecimento de combustível e ajuda humanitária, mas teme possíveis consequências diante da política americana. 

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