Sem respostas definitivas, a China tenta conter os efeitos. Tribunais barraram demissões motivadas por IA e o governo criou mecanismos para monitorar a destruição de postos de trabalho. No Brasil, a FGV calcula que quase 30 milhões de trabalhadores atuam em funções expostas à IA generativa. Estudo da ESPM mostra que profissionais com ensino superior concentram a maioria das ocupações mais vulneráveis, incluindo contadores, juízes e economistas. Os próximos anos revelarão se os modelos educacionais conseguirão preparar as sociedades para essa transformação. A China aposta em planejamento centralizado; o Brasil deixa a adaptação mais nas mãos do mercado. A inteligência artificial enfraqueceu a antiga certeza de que apenas estudar garante proteção profissional. Resta saber como governos responderão a essa nova realidade.
sábado, 20 de junho de 2026
CHINA PROTEGE O DIPLOMA NO MERCADO
A segunda maior economia do mundo formou uma geração sob a promessa de que o diploma garantiria proteção no mercado. Agora, muitos desses jovens estão sendo direcionados para cursos técnicos. Nos últimos dias, ganhou força a notícia de que a China teria extinguido 12 mil cursos universitários para se adaptar à inteligência artificial. Na prática, foram 12.200 ofertas de cursos suspensas ou revogadas entre 2021 e 2025, enquanto 10.200 novas foram abertas. O movimento indica mais uma reorganização do que um desmonte do ensino superior. O Ministério da Educação chinês afirma que a medida busca alinhar as graduações ao 14º Plano Quinquenal, reduzindo áreas saturadas, como marketing e tradução, e ampliando vagas em robótica, biomanufatura e IA. Também promete requalificar trabalhadores afetados pela automação. Em 2018, estimativas apontavam que a automação eliminaria milhões de empregos, mas criaria ainda mais vagas. A previsão falhou porque se acreditava que o impacto seria maior sobre atividades manuais. O avanço da IA mostrou o contrário: empregos cognitivos e altamente qualificados tornaram-se os mais vulneráveis.
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