quarta-feira, 8 de abril de 2026

TRUMP DESTRÓI O CONCEITO DOS EUA


Se os 2.500 anos de civilização persa não foram apagados em horas, como prometido por Donald Trump, o presidente causou danos duradouros à imagem global dos EUA. 
Washington nunca foi totalmente benigna, apesar da narrativa construída após as guerras mundiais. A ação no Irã abalou a percepção dos EUA como força responsável no cenário internacional. Adversários, especialmente a China, observaram a agressividade e a falta de confiabilidade americana. Vladimir Putin vê avançar seu objetivo de enfraquecer a aliança euroatlântica. Trump afastou aliados e depois cobrou apoio para uma guerra não declarada. A ofensiva ocorreu sem plano claro, influenciada por interesses imediatos de Israel. O cessar-fogo após cinco semanas é positivo, mas não resolve as causas do conflito. O regime iraniano estava fragilizado desde 1979, mas a guerra reforçou sua sobrevivência no curto prazo. A ameaça de destruição total fortaleceu a coesão interna do Irã. O estoque de urânio enriquecido segue sem controle claro. O estreito de Hormuz pode reabrir, mas sob maior influência iraniana. Trump propôs negociações com termos que soam como vitória estratégica para Teerã. A ideia de reparações reforça a percepção de recuo americano. 

A retórica de destruição total teve impacto negativo global. Durante o conflito, Trump aplicou uma lógica empresarial de negociação. Houve sucessão de ultimatos e recuos, esperando concessões do adversário. O Irã sofreu perdas severas em liderança e capacidade militar. O custo humano e material foi elevado. Ainda assim, manteve vantagens táticas importantes. A geografia permitiu controlar o estreito de Hormuz. A capacidade de retaliação surpreendeu em relação a conflitos anteriores. No médio prazo, o Irã se consolida como ameaça regional. Isso pode redesenhar o equilíbrio geopolítico no Golfo. A crise atual tem raízes antigas, intensificadas por eventos recentes envolvendo o Hamas. O conflito ampliou tensões em toda a região. Trump tenta encerrar o episódio com um cessar-fogo temporário. Mas as pendências seguem abertas, incluindo o Líbano. Pressionado por mercados e eleitores, busca se distanciar dos efeitos da guerra. A tentativa de encerrar o tema como resolvido não parece convincente. 

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