Uma nova análise de DNA do Sudário de Turim sugere que a relíquia pode ter sido produzida na Índia antes de passar pelo Oriente Médio. O estudo preliminar foi divulgado no repositório bioRxiv e identificou vestígios genéticos de plantas, animais e microrganismos no tecido. Guardado na Catedral de Turim, o pano de linho mede 4,4 m por 1,1 m e traz a imagem de um homem com marcas de crucificação, associadas por muitos a Jesus Cristo. A datação por carbono-14 indica origem entre 1260 e 1390, próxima de seu primeiro registro na França, em 1354, levantando hipóteses de falsificação medieval. Ao longo do tempo, a peça foi analisada com diversas técnicas científicas, como raios X e reconstruções 3D. A nova pesquisa encontrou o haplogrupo H33, comum no Oriente Médio, além de microrganismos típicos de ambientes salinos. Esses dados sugerem que o sudário esteve em regiões como o entorno do Mar Morto. Também foram identificados vestígios de plantas e animais variados, como trigo, milho, bananas, gado e aves.
Segundo os pesquisadores, essa diversidade reflete contaminações acumuladas ao longo dos séculos. Eles apontam que a circulação histórica da relíquia, inclusive após viagens de Marco Polo e Cristóvão Colombo, contribuiu para isso. A possível origem indiana já havia sido sugerida em estudos anteriores, com forte presença de DNA ligado ao Oriente Próximo e à Índia. Uma explicação histórica indica que tecidos indianos eram usados em rituais no Templo de Jerusalém. Os autores também citam a possível importação de linho do Vale do Indo pelos romanos. Há ainda uma conexão linguística: “sudário” vem do grego “sindôn”, possivelmente ligado a Sindh, região famosa por tecidos finos. Em conjunto, os resultados apontam para uma trajetória complexa da relíquia por diferentes regiões e populações ao longo da história.
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