O aumento recente dos preços da gasolina nos Estados Unidos deve aparecer com mais força nos dados de inflação a serem divulgados na próxima semana. Economistas projetam alta de 1% no índice de preços ao consumidor (CPI) em março, o maior avanço mensal desde 2022, impulsionado pela guerra com o Irã, que elevou o preço da gasolina em cerca de US$ 1 por galão. O núcleo da inflação, que exclui energia e alimentos, deve subir 0,3% no mês, segundo pesquisa da Bloomberg. Antes do CPI, será divulgado o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), indicador preferido do Federal Reserve. O núcleo do PCE avançou 0,4% em fevereiro pelo terceiro mês seguido, indicando que a inflação já mostrava resistência mesmo antes do conflito. Com isso, cresce a expectativa de que o Fed enfrente dificuldades para cortar juros em 2026. Dados recentes do mercado de trabalho, com geração robusta de empregos e baixa taxa de desemprego, reforçam esse cenário. Relatório da Bloomberg Economics avalia que os números não justificam cortes de juros no curto prazo. A ata da última reunião do Fed também será divulgada e pode trazer sinais sobre preocupações com inflação e guerra. O relatório do PCE incluirá ainda dados de renda e gastos pessoais, com expectativa de crescimento moderado do consumo. Outros indicadores incluem o índice de serviços do ISM e a confiança do consumidor da Universidade de Michigan. No Canadá, a taxa de desemprego pode subir para 6,8% diante do impacto dos custos de energia. Globalmente, bancos centrais tendem a manter cautela diante das incertezas do conflito no Oriente Médio.
Na Ásia, Nova Zelândia, Índia e Coreia do Sul devem manter juros estáveis. Dados de inflação em países asiáticos devem refletir o impacto da alta da energia. Na China, a inflação pode acelerar após atingir pico recente, enquanto a deflação industrial tende a diminuir. O Japão divulgará dados salariais, com atenção ao ganho real. Na Europa, indicadores industriais ainda refletem período pré-guerra, limitando sua relevância. Dados da Alemanha, França, Espanha e Itália mostrarão o desempenho do setor manufatureiro. A inflação na zona do euro já registrou o maior aumento desde 2022. Países nórdicos e Hungria também podem apresentar aceleração inflacionária. No Egito, a inflação deve subir com energia mais cara e desvalorização cambial. Diversos bancos centrais, como os da Romênia, Quênia, Polônia e Sérvia, devem manter juros. Na América Latina, dados de inflação de março devem indicar pressão nos preços. Brasil, Chile, Colômbia e México devem registrar aceleração inflacionária. Na Colômbia, a taxa de juros subiu para 11,25% e pode chegar a 12%, sem previsão de cortes até 2027. No México, o banco central reduziu juros, mas elevou projeções de inflação. No Peru, a inflação mensal atingiu nível recorde, puxada pelo choque do petróleo. Ainda assim, a autoridade monetária peruana deve aguardar antes de elevar juros.
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