A informação de que o banqueiro Daniel Vorcaro negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a PGR elevou a tensão em Brasília diante de possíveis revelações sobre o escândalo do Banco Master. A avaliação nos meios político, jurídico e empresarial é de que a delação pode provocar impactos amplos, atingindo integrantes do governo Lula, do Congresso, do centrão, da oposição, do STF e outras instâncias do Judiciário. Entre políticos, há preocupação de que as investigações avancem durante o período eleitoral e influenciem o cenário da disputa. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, já sinalizou que não pretende suspender as apurações durante a eleição. No Congresso e no Judiciário, há críticas a supostos vazamentos seletivos de informações, vistos como estratégia para gerar apoio público às investigações. Parlamentares avaliam que lideranças do centrão, como Antônio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP), podem ser atingidas. Ambos admitem relações pessoais com Vorcaro, mas negam irregularidades. Eles argumentam que participação em eventos não configura crime, embora exista receio sobre vazamentos de fotos e mensagens que possam gerar desgaste político. Rueda afirma que não comenta especulações e nega qualquer relação negocial no caso. Nogueira não se manifestou.
Aliados do presidente Lula buscam protegê-lo e sustentam que o atual governo combateu esquemas herdados da gestão anterior. O presidente chegou a atribuir a origem do problema a Jair Bolsonaro e ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Integrantes do governo defendem que eventuais acusações contra aliados não anulariam a responsabilidade de figuras ligadas à administração passada. Apesar disso, há preocupação interna de que a delação possa causar danos eleitorais. Na direita, a possível colaboração de Vorcaro foi recebida com entusiasmo, com expectativa de atingir nomes do centrão, da esquerda e até ministros do STF. O pastor Silas Malafaia pediu publicamente que o banqueiro revele todos os envolvidos. Parte do bolsonarismo, porém, teme que ministros do STF sejam poupados ou que uma delação que os envolva não seja homologada. Parlamentares do PL veem na situação uma oportunidade de reforçar críticas ao Supremo e discursos favoráveis ao impeachment de ministros. Por outro lado, aliados da direita minimizam possíveis revelações envolvendo a Igreja Batista da Lagoinha e o deputado Nikolas Ferreira, que já se manifestou defendendo a ampla delação.
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