Pioneiro da guerra moderna, o marechal prussiano Helmuth von Moltke escreveu em 1871 que nenhum plano resiste ao primeiro contato com o inimigo. A guerra iniciada por Donald Trump e Israel contra o Irã, que completa três semanas, entra em fase mais perigosa. Na sexta (20), Trump afirmou que pode desacelerar o conflito, alegando proximidade de seus objetivos, sem citar mudança de regime em Teerã. Ele também indicou que a reabertura do Estreito de Hormuz caberia a países compradores de energia. A fala reflete pressão interna, embora Israel sinalize intensificação dos ataques. A superioridade militar inicial dos EUA e aliados parece seguir o esperado, apesar da capacidade de reação iraniana. Há dúvidas sobre os resultados, mas indícios apontam avanços reais. Entre eles, a eliminação de lideranças do regime, incluindo Ali Khamenei. Também houve neutralização de defesas aéreas e redução de capacidades ofensivas. Seguiu-se a destruição de forças navais e de estruturas ligadas ao programa nuclear. Esse ponto sustenta o principal argumento de guerra de Trump e Binyamin Netanyahu. Ainda assim, há divergências entre os dois, como em ataques a instalações de gás iranianas. A ação gerou impacto global no mercado de energia.
Israel busca enfraquecer a teocracia e estimular mudança interna no Irã. No curto prazo, porém, apenas a redução da ameaça parece viável. Os EUA focam em garantir a segurança do fluxo energético no Golfo. Já iniciaram ataques diretos a posições iranianas. Mesmo assim, persistem riscos como minas marítimas e mísseis. A nova fase pode incluir ações terrestres limitadas. Não seria uma invasão ampla, mas operações estratégicas pontuais. Alvos possíveis incluem o próprio estreito ou a ilha de Kharg. Essa ilha escoa grande parte do petróleo iraniano. Há mobilização de milhares de fuzileiros navais para a região. Isso amplia as opções e os riscos para Trump. Para Netanyahu, a continuidade da guerra é central. Trump pode optar por encerrar o conflito alegando vitória. Fatores imprevisíveis incluem reação de países árabes. Também pesa o papel dos houthis do Iêmen. Eles podem afetar rotas pelo mar Vermelho. Para o Irã, a estratégia é resistir e preservar o regime. A sobrevivência, mesmo com perdas, já seria considerada vitória.
Nenhum comentário:
Postar um comentário