terça-feira, 3 de novembro de 2026

TRUMP PODE SER AFASTADO DO CARGO

Andrew Johnson, Bill Clinton e Donald Trump: presidentes dos EUA que já sofreram impeachment 
Os eleitores americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para renovar toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado. A eleição é decisiva para Donald Trump, que corre o risco de perder o controle do Congresso. Pesquisas indicam que o Partido Democrata pode conquistar a maioria na Câmara e tem chances de vencer também no Senado. Com isso, surge a possibilidade de um terceiro processo de impeachment contra Trump. Durante seu primeiro mandato, o republicano enfrentou dois processos, mas foi absolvido pelo Senado em ambos. Segundo analistas ouvidos pelo g1, uma Câmara controlada pelos democratas poderia aprovar novas acusações contra o presidente. Entretanto, seu afastamento é considerado altamente improvável. A colunista Sandra Cohen avalia que um terceiro impeachment não está descartado, mas seria precipitado. Isso porque a condenação depende de dois terços dos votos do Senado. O cientista político Carlos Gustavo Poggio, professor do Berea College, explica que a maioria simples não é suficiente para retirar um presidente do cargo. São necessários 67 votos entre os 100 senadores, exigência que torna a condenação extremamente difícil. Para Poggio, somente uma crise profunda e uma forte queda na popularidade de Trump poderiam criar condições para seu afastamento. Ainda assim, considera esse cenário distante. O professor Maurício Santoro, da Uerj, compartilha dessa avaliação. Segundo ele, os democratas precisariam conquistar o apoio de uma parcela significativa dos republicanos. Isso exigiria a ocorrência de um grande escândalo envolvendo Trump. 

Na projeção mais favorável aos democratas, eles teriam 53 cadeiras no Senado, contra 47 dos republicanos, número insuficiente para condenar o presidente. A história americana também demonstra a dificuldade de afastar um presidente por impeachment. Andrew Johnson e Bill Clinton tiveram processos aprovados pela Câmara, mas foram absolvidos pelo Senado. Richard Nixon chegou mais perto de perder o cargo, em 1974, durante o escândalo Watergate, mas renunciou antes da votação formal do impeachment. Como funciona o impeachment nos EUA? As acusações são apresentadas à Câmara dos Representantes, onde precisam ser aprovadas por maioria simples dos 435 deputados. Se aprovadas, o processo segue para julgamento no Senado. Diferentemente do Brasil, o presidente americano não é afastado durante essa etapa e permanece no cargo até a decisão final. Para condená-lo e removê-lo da Presidência, são necessários dois terços dos votos dos senadores. Andrew Johnson sofreu impeachment em 1868, acusado de tentar afastar seu secretário da Guerra sem autorização do Congresso. Após três semanas de julgamento, escapou da condenação por apenas um voto. Bill Clinton foi acusado de perjúrio e obstrução da Justiça, em razão do relacionamento com Monica Lewinsky. A Câmara aprovou o impeachment em 1998, mas o Senado o absolveu em fevereiro de 1999. Richard Nixon enfrentaria acusações de obstrução da Justiça, abuso de poder e desrespeito ao Congresso. Entretanto, renunciou em 9 de agosto de 1974, antes que a Câmara votasse formalmente seu impeachment.

 

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