domingo, 1 de novembro de 2026

OBAMA RETORNA AOS COMÍCIOS NOS EUA


“Sim, nós podemos” tornou-se o lema dos comícios democratas às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para terça-feira. A frase resgata a campanha de Barack Obama em 2008, quando ele revolucionou a política americana. Aos 65 anos, grisalho, Obama voltou aos palanques com o sorriso, a energia e a ironia que marcaram sua trajetória. Sua presença inspira uma nova geração de democratas, que busca renovar o partido e se preparar para o cenário político após Donald Trump, impedido de disputar a reeleição em 2028. Entre os novos nomes estão Jon Ossoff, na Geórgia, Abdul El-Sayed, no Michigan, James Talarico, no Texas, e Amy Acton, candidata ao governo de Ohio. Eles retomam o legado de Obama, denunciando desigualdades sociais e econômicas e a influência dos bilionários sobre a Casa Branca. Para o cientista político Jonathan Hanson, Obama representa uma liderança capaz de expressar claramente as críticas ao governo Trump. Sua participação fortalece candidaturas em estados onde os democratas enfrentam disputas difíceis. No Michigan, Obama criticou a corrupção, o capitalismo de compadrio e a incompetência do governo republicano. Também ironizou as reformas na Casa Branca, comparando sua aparência à de uma franquia da Cheesecake Factory aberta por Saddam Hussein. Em Ohio, defendeu Amy Acton, médica que liderou a reação estadual à pandemia e sofreu ataques pessoais durante a campanha. Seu adversário divulgou um vídeo com a mãe da candidata, que a acusava de mentir sobre uma denúncia de abuso sexual contra o padrasto. Obama condenou a estratégia: segundo ele, os adversários ultrapassam todos os limites para conseguir atenção.

Na Geórgia, ao lado de Jon Ossoff e Keisha Lance Bottoms, voltou a criticar Trump. Disse que a Casa Branca mobilizou integrantes do governo para responder às suas piadas, mas ignorou problemas como inflação, corrupção e aumento dos preços. Obama também ironizou a participação do secretário do Tesouro, Scott Bessent, em uma resposta pública às suas declarações. Para o ex-presidente, o governo não apresenta soluções para os problemas reais da população e utiliza distrações para desviar a atenção dos eleitores. A influência de Obama também aparece na campanha de Abdul El-Sayed, filho de imigrantes egípcios, alvo de ataques islamofóbicos e questionamentos sobre sua origem. A estratégia democrata procura combater o preconceito, lembrando os ataques enfrentados pelo próprio Obama em 2008. A comparação, porém, revela uma diferença importante: desde a ascensão de Trump, o Partido Republicano avançou em direção à extrema direita. Em 2008, o republicano John McCain interrompeu uma eleitora que classificou Obama como árabe e afirmou que o adversário era um homem decente e cidadão americano, embora divergisse dele politicamente. O retorno de Obama aos palanques representa, assim, uma tentativa de recuperar sua capacidade de mobilização e oferecer aos democratas uma referência de liderança para o período pós-Trump.

 

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