terça-feira, 27 de outubro de 2026

VITÓRIA DE LULA FOI DA DEMOCRACIA E DO MULTILATERALISMO, DIZ PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA


Em meio às guerras, à política de Donald Trump e à disputa com a China, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou a vitória de Lula como uma vitória da democracia e do multilateralismo. 
Em mensagem publicada ontem, 26, ela defendeu uma ordem global baseada em regras, princípio que considera essencial diante das tensões internacionais. Em setembro, Von der Leyen já havia criticado as fragilidades desse sistema, em referência indireta à política tarifária agressiva de Trump. Na ocasião, convidou o Canadá a se tornar membro associado da União Europeia. Lula é considerado um aliado dessa estratégia. A aproximação com o Brasil contribuiu para destravar as negociações do acordo entre União Europeia e Mercosul, apesar da resistência de países como França, Polônia e Irlanda. O presidente brasileiro também é visto na Europa como defensor da preservação ambiental, embora existam contradições, como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Os índices de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, os menores já registrados, reforçaram essa imagem internacional, assim como a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Von der Leyen reiterou o compromisso com as metas climáticas. O primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, também destacou a importância ambiental da parceria.

Na segunda-feira, a Holanda anunciou a intenção de investir US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,5 bilhões, no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado por Lula na Assembleia Geral da ONU. O projeto representa uma das iniciativas ambientais brasileiras que recebem maior reconhecimento no exterior. Não está claro, porém, se o anúncio dependia da reeleição do presidente. A defesa da democracia também marcou as manifestações de líderes europeus. O alemão Friedrich Merz ressaltou a escolha feita pela maior democracia da América Latina, enquanto o espanhol Pedro Sánchez afirmou que o resultado brasileiro poderá se repetir na Espanha. Sánchez declarou que o retorno do progressismo global está apenas começando, em meio a protestos por moradia e à convocação de eleições parlamentares antecipadas. O eurodeputado Jorge Martín Frías, do partido de ultradireita Vox, ponderou que os cenários eleitorais brasileiro e espanhol são diferentes. Admitiu, entretanto, que sua legenda se inspira nas campanhas de Javier Milei, na Argentina, e José Antonio Kast, no Chile. O presidente francês, Emmanuel Macron, também felicitou Lula e defendeu o fortalecimento das relações entre os dois países para construir um mundo mais justo. A vitória de Lula, considerada surpreendente pela imprensa europeia, fortalece sua imagem internacional em um cenário geopolítico dividido. Entretanto, esse prestígio não elimina os desafios internos de seu terceiro mandato. O principal deles será enfrentar um Congresso hostil, onde o multilateralismo e as prioridades defendidas no exterior nem sempre encontram espaço.

 

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