Sete em cada dez americanos acreditam que Donald Trump não reconhecerá uma eventual derrota republicana nas eleições legislativas de novembro, segundo pesquisa do Washington Post, ABC News e Ipsos. Entre os democratas, 94% desconfiam do presidente, percentual que chega a 77% entre independentes e 36% entre republicanos. O levantamento ouviu 2.545 pessoas, com margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa foi divulgada duas semanas antes da votação e coincide com outra sondagem que aponta a aprovação de Trump em apenas 31%, o menor índice de sua carreira política. Preocupado com a possibilidade de perder o controle do Congresso, o presidente percorre o país para mobilizar apoiadores. Em comício no Kansas, pediu votos como se seu nome estivesse nas urnas. Apesar da desconfiança em relação a Trump, 65% dos entrevistados afirmam confiar na contagem dos votos. Outra pesquisa, do Pew Research Center, mostra que 87% acreditam que as eleições serão bem administradas em suas comunidades. As preocupações variam conforme a preferência partidária. Entre democratas, 11% temem interferência do governo na organização do pleito, enquanto 10% receiam que eleitores aptos sejam impedidos de votar. Entre republicanos, 19% demonstram preocupação com fraudes e participação de eleitores irregulares. A desconfiança está relacionada ao histórico de Trump de contestar resultados desfavoráveis e às suas tentativas de ampliar a atuação federal nas eleições. Após perder para Joe Biden em 2020, Trump pressionou autoridades da Geórgia para encontrar votos que revertessem sua derrota. Posteriormente, o FBI apreendeu cédulas e registros eleitorais no condado de Fulton. O presidente também defendeu que os republicanos assumissem o controle da votação em algumas localidades e propôs nacionalizar as eleições, embora a Constituição atribua aos estados a administração do processo.
Trump ainda tentou aprovar o Save America Act, projeto que exige documento com foto e comprovante de cidadania para o registro eleitoral, além de ampliar o compartilhamento de dados entre estados e governo federal. A proposta não avançou no Congresso. A administração afirma que as medidas combatem fraudes e impedem votos ilegais, mas não há registros de fraudes significativas que justifiquem essas preocupações. Aliados do presidente também defenderam maior presença federal durante a votação. Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, sugeriu que agentes de imigração cercassem locais eleitorais, mas o governo declarou não haver planos formais nesse sentido. Diante dos riscos, cerca de dez atuais e ex-integrantes da área de segurança nacional orientaram autoridades de dez estados sobre possíveis interferências federais. Entre os cenários estão o envio de militares ou agentes de imigração aos locais de votação e tentativas de anular resultados sob alegações de fraude. O grupo afirma que suas preocupações se baseiam em declarações e iniciativas públicas do governo, e não em informações sigilosas sobre planos concretos. Para Richard Hasen, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Trump enfraqueceu a confiança no sistema ao insistir, sem provas, que as eleições são fraudadas. Segundo ele, essas declarações alimentam a desconfiança entre apoiadores e opositores do presidente. Hasen avalia que uma vitória expressiva dos democratas na Câmara dificultaria qualquer tentativa de interferência. Entretanto, se o controle da Câmara ou do Senado depender de poucas disputas apertadas, Trump poderá tentar contestar a apuração e a certificação dos resultados, repetindo iniciativas adotadas, sem sucesso, em 2020.

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