Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel receberam o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026, prêmio reconhecendo a descoberta de canais de íon fotossensíveis ligados ao desenvolvimento da optogenética. A técnica revolucionou a neurociência ao permitir relacionar regiões específicas do cérebro a comportamentos. Nos anos 1990, Hegemann estudou a alga verde Chlamydomonas e suas respostas à luz e identificou uma proteína fotossensível capaz de abrir canais iônicos e gerar sinais elétricos. Depois, Hegemann se uniu a Nagel para aprofundar o estudo do mecanismo em células de sapos. Os pesquisadores descobriram a canalrodopsina2, ativada pela luz e responsável pelo chamado “interruptor” cerebral. Nos anos 2000, Deisseroth passou a estudar a proteína em ratos de laboratório, conectando regiões cerebrais específicas a estímulos luminosos capazes de ativar a canalrodopsina2. Os experimentos demonstraram relações causais entre circuitos cerebrais e comportamentos dos animais. As respostas incluíam alimentação, ingestão de água, fuga, agressão e cuidados. Essa descoberta deu origem à optogenética, importante área da neurociência moderna. Embora seja pesquisa básica, o trabalho pode ter aplicações no tratamento de doenças neurológicas. Entre elas estão esquizofrenia, depressão, demência e problemas relacionados ao nervo óptico.
A técnica também abriu caminhos para terapias contra doenças que provocam perda da visão. Um tratamento experimental para retinite pigmentosa já está em ensaios clínicos de primeira fase. A terapia utiliza a ativação da canalrodopsina2 e apresentou recuperação de algumas habilidades fotossensíveis. Os custos ainda são elevados devido à necessidade de equipamentos conectados a áreas do cérebro. Os três cientistas receberam a notícia do prêmio nesta segunda-feira, em Estocolmo. Deisseroth, da Universidade Stanford, foi o primeiro dos laureados a ser contatado. Segundo o Comitê do Nobel, ele estava sonolento, mas ficou muito feliz e surpreso. Os três agradeceram e destacaram a importância do trabalho conjunto para a descoberta. Nagel atua na Universidade de Würzburgo, enquanto Hegemann trabalha na Universidade Humboldt de Berlim. A cerimônia de entrega ocorrerá em 10 de dezembro, em Estocolmo. Os laureados receberão diploma, medalha de ouro e 12 milhões de coroas suecas. O valor corresponde atualmente a cerca de R$ 6 milhões. Desde 1901, foram concedidos 117 Nobel de Fisiologia ou Medicina. Nenhuma pessoa recebeu essa categoria do Nobel mais de uma vez. Até 2025, apenas 14 mulheres estavam entre os 232 indivíduos premiados na categoria. A premiação de 2026 reforça a importância da pesquisa básica para avanços futuros na medicina.
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